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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

BONDES DE SALVADOR- CHIQUÉRRIMO!

Há poucos dias recebemos via internet diversas fotos dos antigos bondes que circulavam em Salvador até a década de 1960, aproximadamente.
Além do prazer de recordá-los, acrescente-se a isto a lembrança dos espaços onde eles circulavam, espaços estes hoje modificados pelas circunstâncias do tempo e razões outras de diversas ordens. A remessa foi feita por um grande amigo de Jequié, Humberto Barros, sempre atento as coisas da capital.
Por exemplo, o antigo bonde da Federação circulando em meio a vegetação agreste, quase nativa, onde deveriam correr pelo seus espaços senão onças e leopardos, pelo menos, gatos do mato e raposas.
Noutra foto, vemos a antiga igreja de São Pedro e o largo do mesmo nome. Um bonde circula num dos seus lados, bem encostadinho. Pois bem! Esta igreja e este largo foram destruídos para dar passagem a atual Avenida 7 de Setembro aí por volta de 1920. J.J. Seabra, então governador, queria por que queria, abrir os caminhos para a sua avenida, não importando as tradições históricas e a importância arquitetônica do que quer que fosse.

O nosso grande governador, o Reformista, só não teve sucesso na sua concepção retilínea, ou seja, no movimento em que o corpo ou ponto material se desloca apenas em trajetórias retas, segundo os físicos, quando teve pela frente os padres do Mosteiro de São Bento e da Basilica Arqueiabacial de São Sebastião, isto bem ao inicio das obras. Parou tudo por várias semanas. Foram feitas muitas reuniões. Consultadas diversas entidades. Por fim, os padres venceram e a avenida teve se curvar à direita
Na foto acima, um bonde se acha ao lado da Praça Castro Alves à direita e outro está lá em cima da ladeira, onde ela se curva. Logo no principio da Ladeira de São Bento à direita, vê-se ainda antigo prédio de três andares e junto a ele um mais alto de quatro andares. Esses dois prédios foram colocados abaixo para se construir no local o atual Edificio Sulacap, oportunidade em que se alargou a Rua Carlos Gomes.
A foto acima mostra-nos já o Edifício Sulacap construído। Há de se reparar que os casarões ao fim da Ladeira da Montanha, ainda se encontram no lugar. Só muitos anos depois, foram demolidos.

A terceira foto recebida no e-mail a que estamos nos referindo é uma grande incógnita. A principio, há de se pensar tratar-se da Rua Chile, mas não é e nos baseamos em alguns detalhes e comparações realizadas com outras fotos da mesma via.



O primeiro grande detalhe é a existência de árvores nos dois lados da famosa rua. À direita, conta-se cerca de 10 árvores e à esquerda são reparadas umas três e, segundo se sabe, a famosa rua nunca teve árvores em seu percurso.

Adiante, coletamos algumas fotos da Rua Chile em diversas épocas. Em nenhuma delas há árvores.


A foto seguinte também é da Rua Chile ainda estreita e ainda com uma só paralela de trilhos. Nesta também não havia árvores, o que é um bom indicativo do fato.

Há uma hipótese de que este pedaço de avenida seja aquele que vai da Piedade até o Passeio Público, na época chegando até o fim dessa avenida. Apenas uma vaga hipótese.
A quarta foto que nos foi enviada mostra quatro bondes. Dois que se acham parados num canteiro então existente na Praça Municipal.

Um que vem em sentido contrário e o quarto está numa posição um tanto quanto estranha – em frente ao Palácio Rio Branco, esquina com a Rua Chile. Há de se reparar que não há ligação de trilhos com a paralela dos existentes na Rua Chile, bem como não se vê trilhos em frente ao palácio. Teria esse bonde descarrilado e afastado para o lado? E os passageiros dentro dele, o que estariam fazendo? Descansando? Evitando o sol?
Afastado para o lado? É possível। Não se vê o motorneiro.
A próxima foto é sensacional! É o Cais do Ouro, hoje Praça Marechal Deodoro. Reparem a beleza dos jardins em torno. Em meio a eles passa um bonde.




Na sequência de belas fotos da Salvador do principio do século XX, temos acima o espaço aonde veio a funcionar a antiga feira de Água de Meninos ( a primeira – não confundir com a atual Feira de São Joaquim). Também o espaço em torno era muito bonito. A igreja é da Santíssima Trindade, hoje caindo aos pedaços e servindo até de abrigo para famílias pobres.
 
Ao alto, à direita, já o Porto de Salvador funcionando – vê-se parte de um dos seus quebra-mares.
Três bondes circulam no pedaço.

Vamos fechar com chave de ouro esta postagem sobre antigos bondes de Salvador. Um bonde circula pela chamada Rua de Fora, na Baixa do Bonfim.( de Fora porquê existe uma Rua de Dentro ou do Meio, todas nas proximidades da baixada).

Os cinco homens à frente do bonde, inclusive o motorneiro, estão de gravata borboleta e chapéu. O da esquerda está de cartola e fraque. Estaria indo para aonde? Chiquérrimo!




 

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