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quarta-feira, 13 de julho de 2011

BROTAS 6 – COSME DE FARIAS

Antigamente era uma fazenda pertencente à família Saldanha. Devia chamar-se “Fazenda Saldanha”. Posteriormente, uma religiosa da Igreja Católica se estabeleceu no local junto com outras freiras, e passou a se chamar “Quinta das Beatas”. Durou até 1960 quando o rábula e político Cosme de Farias ali se estabeleceu, e de imediato o povo passou a chamar o local de “Cosme de Farias”.
Uma volatilidade urbana repleta de indefinições. Inicialmente não se tem registro qual Saldanha foi dono daquelas terras. Em seguida, surge uma freira e ninguém sabe o seu nome, se pertencia à família Saldanha ou lhe fora doada a propriedade. Por fim o major vem morar no local e, de imediato, o bairro muda de nome.
Essa última mudança ocorreu em 1960 – não faz muito tempo - e já se perde no tempo informações relevantes da história desse bairro.
Se qualquer sorte estivemos olhando o bairro e nos impressionou o índice de ocupação. Impressionante! Não tem um pedaço do que foi a outrora mata de Brotas que não esteja ocupado, não importando que seja uma escarpa ou o fundo do vale. Está tudo tomado e quase todas as habitações são de baixa qualidade. Talvez esteja ali o maior aglomerado de favelas de Salvador. Só os Alagados de Itapagipe e sua ampliação pelos morros ao redor, pode servir de termo de comparação.

O bairro pode ser divido em sete comunidades: Alto do Cruzeiro, Alto Formoso, Baixa da Paz, Baixa da Silva, Baixa do Sossego, Baixa do Tubo e Campo Velho.

Em seguida o povo foi ocupando seus espaços e hoje Cosme de Farias é um imenso bairro, quase todo ele constituído de casas eminentemente populares.







O nome do bairro homenageia um grande homem: Cosme de Farias, nascido em 1875 e morto em 1972. Viveu 97 anos. Quando ele nasceu havia apenas 55 anos que o Brasil era independente de Portugal. Quando tinha 13 anos de idade, Cosme de Farias vivenciou a abolição da escravatura .Presenciou a Proclamação da República que se deu 15 de novembro de 1889.
Não teve condições de se formar. Cursou apenas o primário, mas isto não o impediu de exercer a advocacia como “rábula”.
Àquela época era possível. O Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil -lei 4215/1963 assim dizia: “Compunham seu quadro advogados, estagiários e provisionados.

Cosme de Faria era um provisionado. Tinha autorização para atuar como advogado, chamado “rábula”.

Fez defesas brilhantes: uma das quais passou à história. Defendeu no tribunal
nada mais nada menos do que Sérgia Ribeiro da Silva a cangaceira Dadá, mulher de “Corisco”, o “diabo louro’ do cangaço baiano.








“ Certa feita, em metade do século XX, estava na platéia durante o júri de um acusado de homicidio, crendo que este estava sofrendo injustiça, ele se levantou e começou a andar pelo Tribunal do Júri, cabisbaixo, como se tivesse perdido algo, quando foi questionado sobre o que estaria procurando e ele -prontamente respondeu: “A Justiça, meu senhor, que nesta casa anda escondida […]”.

(Comunicação verbal ouvida no Fórum).

Também foi jornalista sem nunca ter sido veiculado a nenhum jornal. Através de “bilhetinhos” e pequenos presentes (bolacha de goma era seu preferido), pedia aos redatores a publicação de suas matérias. Sempre conseguia. A luta pelo analfabetismo foi a sua marca.

Foi deputado estadual em 1914 e vereador em diversas legislaturas.

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