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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PITUBA – MARCO DE UMA NOVA CIDADE

Em postagem anterior contávamos que fomos a um aniversário de um parente na Pituba, mas não a Pituba de hoje, mas tão somente uma Pituba que “ainda não existia” em termos. Pegamos o bonde de Rio Vermelho de Baixo e saltamos ao final da linha (AMARALINA).

Daí até alcançarmos a fazenda de nossos parentes que ficava adiante, tivemos que ir pela praia. Era menino e meus pais eram jovens. Poderíamos agüentar o esforço de caminhar por ela cerca de 1 ou 2 quilômetros.

Em que ano aconteceu isto? Por volta de 1937/38. A cidade só ia até Amaralina. Daí em diante era mata virgem. A fazenda do nosso tio era uma das primeiras que se formava naquelas terras desconhecidas.

Somente em 1942 deu-se inicio a construção da avenida que liga Amaralina à Itapoã, concluída em 1949।

Logo, não havia outro jeito senão a caminhada à beira-mar. Devia ter sido interessante. As ondas batendo na canela das pernas. As calças suspensas; os respigos daquela água virgem.

Aconteceu um fato interessante nessa visita. Conhecemos a fabricação de sorvete, mas não o sorvete que hoje vemos sair das máquinas mágicas nos shoppings da cidade. Este era fabricado numa barrica de 60/70 centímetros de altura e 30 de envergadura. Internamente possuía uma divisão onde se colocava gelo. Em seguida um espaço maior onde ficava o suco que ia virar sorvete. Completando o estranho equipamento, uma manivela com um cabo que penetrava pelas paredes externa e interna da barrica e terminava em formato de pá em meio ao suco. À medida que este suco ia congelando, a manivela rodava sem cessar até a formação do sorvete. Uma maravilha de um novo mundo.

No local dessa fazenda e de outras (devia haver) começou o bairro da Pituba, um marco de uma nova cidade.

Sim! A Pituba representa, verdadeiramente, um marco da nova cidade de Salvador, moderna, vibrante, sofisticada, elegante, bastante diferente da Salvador do lado norte com seus casarões centenários e de suas ruas estreitas.

Vamos nos aprofundar sobre ela, a origem de seu nome, sua construção e como ela se acha hoje em dia.

Seu nome tem origem indígena e significa, maresia, vento forte, por ai. No século XX um mineiro Joventino Pereira da Silva e o "baiano" Manoel Dias da Silva, donos da fazenda Pituba tiveram a idéia de urbanizar o local planejando-o. Para tanto dividiram o espaço em quadras e entre elas ruas largas. Em verdade, era um loteamento. Registraram na Prefeitura e em 1919 foi publicado o projeto assinado pelo engenheiro civil Teodoro Sampaio, tendo sido aprovado em 1932. Foram previstas a abertura de 10 vias longitudinais paralelas à linha da costa e 15 transversais perpendiculares as primeiras. Ficou estabelecido que o eixo principal do arruamento então conhecido como Estrada da Pituba, chamar-se-ia Avenida Manoel Dias da Silva, oficializada pela Lei Municipal nº 1.664, de 2 de dezembro de 1964.



Só na década de 1960, Nélson Oliveira, prefeito de Salvador, asfaltou as ruas da Pituba, obra que só foi terminada na década seguinte.

Há quem diga que a Pituba não se resume à Avenida Manoel Dias da Silva e suas transversais com os nomes dos diversos estados brasileiros. Segundo alguns, Iguatemi é Pituba; a Avenida Tancredo Neves e seus prédios empresarias também seria Pituba, bem como o Caminho das Árvores.

Contudo, o crescimento desses locais deram-lhe caracteristicas muito fortes e já podem ser considerados bairros próprios. Vamos deixar a Pituba como era na época de Manoel Dias da Silva.

Por sua vez, a Prefeitura classifica a região que chama de 8ª Região Administrativa Pituba/Amaralina, como sendo a seguinte:

• Boulevard
• Caminho das Árvores
• Condomínio Iguatemi
• Iguatemi
• Itaigara
• Jardim América
• Lot. Aquárius
• Lot. Vela Branca
• Parque dos Flamboyans
• Parque Julio César
• Parque Nossa Senhora da Luz
• Parque São Vicente


Sem dúvida que um dos destaques do bairro Pituba é a Igreja de Nossa Senhora da Luz. Simples e bonita, de muito bom gosto.

A origem da devoção à Senhora da Luz tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora ("Candelária"), quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro).

A Virgem da Candelária ou Luz apareceu em uma praia na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha) em 1400.

Nossa Senhora da Luz era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o Padre António Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: «Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Luz [...]»), e tornou-se particularmente cultuada em Portugal a partir do início do século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que descobriu uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí se fundou de imediato um convento e igreja a ela dedicada, que conheceu grande incremento devido à acção mecenática da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I e sua terceira esposa, D. Leonor de Áustria.

A partir daí, a devoção à Senhora da Luz cresceu, e com a expansão do Império Português, também se dilatou pelas regiões colonizadas, com especial destaque para o Brasil, onde é a santa padroeira da cidade de Curitiba, capital do Paraná (Guarabira/PB, Pinheiro Machado/RS, Itu/SP, ou ainda Corumbá/MS. Em Juazeiro do Norte, Ceará, ocorre todos os anos uma grande romaria em sua homenagem



Em trabalho de pesquisa, pinçamos a seguinte história da origem da imagem de Nossa Senhora da Luz da Pituba.

Pelos anos de 1580, uma menina de uns doze anos de idade, andando para apanhar gravetos para cozinhar, sentindo sede, viu (ou imaginou ver) surgir entre a mata e a areia, uma figura de uma mulher linda, com um menino sentado no braço esquerdo e na mão direita uma vela acesa; atrás da figura, percebeu um manancial de água, e todo o quadro como iluminado com uma luz azul. - Saciou a sede, correu para casa e comunicou aos seus pais o ocorrido...
Passados anos, a menina de então, já adulta, avistou em casa do capitão Felipe Correa uma Imagem de Nossa Senhora da Luz, trazida de Portugal, reconhecendo ser a mesma que tinha visto ou imaginado na fonte.

Pelos anos de 1600, o latifundiário e capitão Felipe Correa, proprietário da Fazenda Pituba, fez construir em terreno de sua propriedade uma capela de taipa, no lugar que hoje seria entre as ruas Minas Gerais e Otávio Mangabeira, colocando na mesma a Imagem trazida de Portugal, de talha de madeira, medindo 53 centímetros, com o pedestal, conservada na sua Igreja da Pituba.

Durante os anos de 1610 a 1642, sendo atendente espiritual do litoral baiano, compreendido entre o Rio Vermelho e a Vila de Abrantes, o artista e religioso do Mosteiro de São Bento, Frei Agostinho da Piedade, o grande escultor e ceramista, fez para a capela da Pituba uma Imagem de Nossa Senhora da Luz, de barro cozido, e policromado, que é uma relíquia preciosa de quando o Brasil amanhecia, a qual no ano de 1949 foi restaurada, sendo reencarnada.

Os herdeiros do capitão Felipe Correa, capitão Manoel Gonçalves Saraiva e sua esposa Francisca Ferreira e o irmão desta, Francisco Ferreira, restauraram a capela pelos anos de 1663.

Em 1955, o casal Sr. Joventino Pereira da Silva e Dona Alcina Guimarães da Silva, concluíram a igreja existente, iniciada em 1949, em terreno de sua propriedade, o que realizaram para perpetuar a devoção a Nossa Senhora, sob a invocação da Luz, em reconhecimento aos inumeráveis benefícios obtidos mercê da sua intercessão.

No mesmo ano de 1955 o Sr. Cardeal Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Augusto Álvaro da Silva, inaugurou a Igreja, fazendo-a matriz da futura paróquia a ser criada, benzendo-a e sagrando o altar-mor.

Por decreto de 09 de julho de 1960, o Sr. Cardeal da Silva, criou a Paróquia de Nossa Senhora da Luz da Pituba, entregando-a na mesma data, aos cuidados espirituais da Ordem Mercedária de Nossa Senhora das Mercês, sendo nomeado primeiro vigário, o Reverendíssimo Padre Samuel Martinez Perez, que exerceu seu ministério até 15 de março de 1965.”

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