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quarta-feira, 27 de março de 2013

DATA DE FUNDAÇÃO DE SALVADOR- 29 DE MARÇO DE 1549


29 de março é oficialmente a data da fundação da cidade de Salvador. Foi determinada pela portaria 299 de 11 de março de 1952, assinada pelo então prefeito Osvaldo Veloso Gordilho e “sacramentada”, digamos assim, pelo Primeiro Congresso de Historia da Bahia. (É a data apontada da chegada de Tomé de Souza em Salvador).

Estátua em homenagem à Tomé de Souza
Antes disso, diversas datas foram sugeridas por historiadores e pesquisadores. Vejamos as duas mais importantes em razão dos seus postulantes.

1° de maio, defendida por Pedro Calmon e Edgard de Cerqueira Falcão, baseada na argumentação de Rodolfo Garcia em 1937 de supostamente terem começado na data os trabalhos de construção da cidade.
Não se sustenta. Busquemos um exemplo dos dias atuais. Brasília levou quatro anos para ser construída. Caso fosse adotada essa regra, a data de sua fundação deveria regredir nesse tempo. Em vez de 21 de abril de 1960, data de sua inauguração, seria nomeada a data de 21 de abril de 1956.
13 de junho, baseada na tese em obra póstuma de Teodoro Sampaio, em torno da procissão de Corpus Christi, realizada nesse dia, e que teria sido, de alguma maneira, festiva.
Infelizmente, uma procissão religiosa não pode servir de marco de fundação de um estado por mais significante que ela seja.
Agora, vejamos uma data sem postulação famosa, mas que pela sua particularidade não pode ser esquecida. Referimo-nos a 1º de novembro de 1501. Nessa data. Américo Vespucci descobriu a Baia de Todos os Santos e oficializou a sua posse com a colocação do marco da coroa portuguesa na Ponta do Padrão, onde hoje estão o Forte e o Farol da Barra.
Forte e farol da Barra
Outra data marcante é aquela em que Francisco Pereira Coutinho chegou a Salvador. Era um dos donatários nomeados pelo rei de Portugual no fatiamento do território brasileiro. Corria o ano de 1536, mas não se conhece o mês e o dia de sua chegada em Salvador.
Mapa das Capitanias Hereditárias
Afastada essa falha, o que se quer destacar é que entre a chegada de Tomé de Souza em 1549 e a de Francisco Pereira Coutinho em 1536, decorreram 13 anos. Nesse período se construiu uma vila – Vila do Pereira ou Vila Velha. Foi o começo de Salvador. Fizeram-se casas e ruas. Havia sítios e fazendas. Produziam-se alimentos e deveria existir um pequeno comércio de coisas essenciais, nem que fosse pelo sistema de escambo.
Pereira Coutinho
Vila Pereira
Em todo o mundo as cidades devem ter começado mais ou menos assim e Salvador não poderia ser diferente, mas foi. Esqueceram totalmente esse começo. Rigorosamente, a Barra onde era a Vila do Pereira ou Vila Velha, só foi considerada como sendo Salvador séculos após. Uma grande injustiça no final das contas.
Uma outra data poderia ser aventada para a fundação da cidade de Salvador. Aquela em 1510 quando Diogo Álvares Correia naufragou na costa do Rio Vermelho e foi “salvo” pelo índios tupinambás.
Diogo Álvares Correia
Salvo? Isto mesmo. Essa história de Carumuru foi criada 271 anos após o fato pelo frei José de Santa Rita Durão na edição de seu poema épico denominado “CARAMURU”.
Poema Épico "Caramuru"

Virou uma verdade histórica, digamos assim. É ensinada em todas as escolas do Brasil. Também devia ser ensinado que numa determinada estrofe do poema, Santa Rita Durão escreve que Catharina Álvares Paraguassu tinha a pele da cor da neve. Um caso raro em todo o mundo. O homem pensava que o Brasil era no hemisfério norte ou a nossa bela índia era alpina?
Mas, sem dúvida que Diogo Álvares Correia não construiu nenhuma vila no alto da Graça; deve ter preferido gozar das instalações já existentes dos tupinambás. Aliás, ele usava mais a Vila do Pereira do que a sua própria, principalmente em razão das negociações que mantinha com os franceses de relação ao pau Brasil. Era muito sabido!


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