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sábado, 27 de fevereiro de 2010

AS PROJEÇÕES DE PEDRA EM ITAPAGIPE- SINAL DOS TEMPOS

Há algum tempo atrás um amigo, morador do Poço, em Itapagipe, nos perguntou se sabíamos para que ou o que eram as duas projeções de pedra e cimento existentes na Avenida Beira Mar, uma na altura do Clube dos Sub- Oficiais e Sargentos da Marinha, limítrofe com a praia Bogari, e a outra em frente ao Colégio Santa Bernadete, na Avenida Beira Mar. Ambas avançavam em direção ao mar cerca de 50 a 100 metros. A primeira ainda existe e a segunda foi demolida.



Projeção ao lado da Praia do Bogari. Ia mais adiante. Ainda se vê restos de pedras da parte demolida.

Na época não soubemos responder, mas ficamos intrigados e prometemos pesquisar. Moradores antigos foram consultados, mas nenhum deles soube informar. Algo de somenos importância. Seria? Mesmo assim fomos à luta, até que descobrimos. Na época foi importante!

Antes de chegarmos a eles, é necessário contar uma história. A história da construção do cais que contorna grande parte das avenidas à beira mar de Itapagipe. Foi uma obra gigantesca realizada no princípio do século XX. Contornaria toda a Ribeira, a Penha, o Poço, a Avenida Beira Mar e terminaria no Porto da Lenha. Não fizeram o contorno dos Porto dos Mastros que foi uma pena e não prosseguiu até o Estaleiro do Bonfim, Pedra Furada e Humaitá, o que a tornaria magnífica.

Desde a Avenida dos Tainheiros e todo o trecho do Largo da Ribeira e Praça Gal Osório, complementaram o cais com uma balaustrada com colunas. Foi feito o calçamento e arborizaram o local com figueiras. Um luxo para a época.
 
Em conseqüência isto atraiu as famílias ricas da época que construíram grandes residências do local, a exemplo das famílias Amado Bahia e Ramos. Outras tantas fizeram igualmente grandes e excelentes residências. Vale mostrá-las.




Solar dos Ramos


Solar Amado Bahia





Completando o charme do local, na década de 1940 foi construído um hidroporto. Aviões de todas as partes do mundo atracaram nele. Dava-lhe uma atmosfera internacional.

As regatas a remo, esporte da elite daquele tempo, ganhavam uma arquibancada de luxo. Era a maior festa esportiva da Bahia.

Além de tudo isto, o lugar era bonito e agradável, bafejado por uma brisa permanente, dia e noite. Absolutamente singular.

Talvez o único inconveniente que se possa apontar seria o fato de não possuir uma praia. Quando a maré vazava, descortinava-se uma grande faixa de lama. O mesmo acontecia do outro lado, do Lobato. Ficava apenas um canal ao meio. Mas isto, na época era irrelevante. Os dejetos das residências eram jogados no mar. Então para que praia? Quando se pretendia tomar um banho de mar, havia a Praia do Bugari, ali perto. Na época, era um lugar deserto. Ainda não tinha residências que pudesse poluí-la. Era preservado.

Como acontece em qualquer lugar, nas partes mais afastadas da península, principalmente na Avenida Beira Mar, começaram a ser construídas pequenas residências de gente de menor poder aquisitivo. Elas davam fundo para a Beira-Mar e frente para a Rua Visconde de Caravelas, a principal do bairro.
Do outro lado da rua, por sua vez, as casas que davam frente para o Porto dos Mastros, ofereciam o fundo para a mesma Visconde de Caravelas.

Por quê? Por causa do fluxo dos esgotos residenciais. Tanto os esgotos das casas da Avenida Beira despejavam sua sujeira na praia em frente, como igualmente aquelas casas construídas no Porto dos Mastros, manejavam as tubulações por baixo da Visconde de Caravelas e das casas nela construídas. O Porto dos Mastros era preservado. Era área de mangue. Havia um certo cuidado naquela época.

Em razão dessa duplicidade de poluição, era imensa a quantidade de dejetos jogados na praia em frente à Av. Beira Mar.

Aqui chegamos ao exato motivo das construções dos dois prolongamentos de pedra e cimento que tanta curiosidade causa. Foram construídos para impedir a passagem direta dos dejetos para a Praia do Poço e, consequentemente, para a Praia do Bugari, lugar mais precioso de todos os moradores. Os restos passariam ao largo! Por sua vez, do lado da Penha, os dejetos vindos de dentro da Enseada dos Tainheiros passaria pelo canal que separa a Penha de Plataforma.

Idéias da época. Pelo menos bem intencionadas!



Representação do pretenso desvio

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