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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

SUBÚRBIO FERROVIÁRIO DE SALVADOR- 1


A Baía de Todos os Santos é uma das mais belas baías de todo o mundo, inclusive é a maior. Possui 56 ilhas como que pedras preciosas encravadas numa grande joia. Seu contorno continental também é extraordinário. Dele faz parte o Subúrbio Ferroviário.

Este contorno continental tem inicio muito forte, ou seja, nada mais nada menos, do que a Ponta do Padrão onde está localizado o Farol de Barra. Tem sequência numa praia paradisíaca, qual seja a Praia do Porto da Barra, considerada uma das três praias melhores do mundo. Os ingleses deram a classificação. É protegida por dois tradicionais fortes – Santa Maria e São Diego – nada mais seguro. Em seguida o penhasco da Vitória e do Unhão, a penha alta que abriga o mais belo clube do Brasil – o Yacht – e um corredor de belos edificios debruçados sobre o mar. Logo adiante o antigo que a Bahia não dispensa, representado pelo belíssimo Solar do Unhão, seu museu e sua igreja. A Praia da Preguiça vem logo a seguir, ela que foi ponto de desembarque de muitas mercadorias no tempo do Império. Em frente a Ladeira da Preguiça que lhe deu o nome. Diziam os escravos: “dá uma preguiça subir essa ladeira” ou então mais chistosamente à partir dos moradores do local de relação a esses mesmos escravos – “sobe preguiça que os ricos lá de cima estão precisando comer”. Depois o Porto que não deveria ser alí. Quando o construiram em 1912, já existia o Forte São Marcelo e seu entorno raso. Área perigosa para esse tipo de atividade. As consequências hoje se refletem numa deficiência técnica-estrutural. Estão tratando de corrigir. Depois da área do Porto, vem o hoje São Joaquim. A de ontem foi a Feira de Água de Meninos, incendiada de propósito, segundo alguns. Também não podia acontecer outra coisa. Foi montada sobre os condutos de gasolina dos grandes tanques da Texaco e da Esso. Depois que isto aconteceu, transferiram-na para São Joaquim, onde havia uma enseada. Dizem que a mesma foi construída nesta ocasião. Não foi! Já existia desde o tempo da Água de Meninos que a abastecia através dos saveiros que vinham do recôncavo. Após a grande feira, as praias do Canta Galo e Boa Viagem. Canta Galo porque um cara chamado Oscar, habilidoso na construção de presépios de madeira, papel e vidro, no dia do aniversário de um galo de estimação que criava, fazia uma casa de tamanho razoável; montava-a na praia; colocava dentro uma fogueira e tocava fogo naquilo tudo, menos no seu galo que em seus braços assistia assustado. Não foi, portanto, uma rinha que deu nome a rua como alguns dizem. Boa Viagem porquê aí está a belíssima e singela Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem e do Senhor dos Navegantes. Ela se engalana no primeiro dia de cada ano. Faz-se uma procissão marítima. Esta praia encosta noutro belo morro – Monte Serrat – e seu forte cheio de história e de uma beleza nunca vista em qualquer outro. Na curva desse morro surge a Ponta do Huimaitá. Igrejinha, casas centenárias, balaustradas onde também se senta, farol, pier da futura Via Náutica que nunca se viabiliza, um encanto! Na continuação a Rua da Constelação que não é outra senão a famosa Pedra Furada. A água jorra de suas entranhas a séculos. Dizem que é água pura, mas perigosa. Em cima, de onde vem, está cheio de hospitais. Humaitá que é um céu de estrelas no seu significado maior curva-se no chamado Estaleiro do Bonfim. Diz-se que ele foi um dos primeiros estaleiros construídos nos primeiros tempos da Bahia. Fica junto do Porto da Lenha onde chegava toda a lenha para abastecimento da cidade. Essa madeira subia pela Ladeira da Lenha. Tem esse nome porque os escravos que a subiam carregando os fardos de lenha nos ombros, comentavam entre si, aliás, com justa razão – é uma lenha essa ladeira. Tem uma inclinação de quase 45º. Em seguida a Praia do Porto do Bonfim que no século passado não existia em estado permanente como é hoje. O mar chegava ao cais a um altura de três metros. Quando a mará vazava, ai sim, surgia como por encanto, arrumada com limo verde e argaço marrom. Depois o Poço e seu perau. Misteriosamente, nunca vaza. Adiante, aí sim, uma praia que foi sempre permanente – a do Bugari. Na sua extremidade a Penha e sua igreja encrustada de conchas. Linda! Penetrando fundo, à direita, a Enseada dos Tainheiros que era enorme antes das invasões dos Alagados. Se ia de canoa até o Uruguai, lá perto da Calçada. Nesse ponto, praticamente, começa o Subúrbio Feroviário de Salvador. Vamos tratá-lo como merece
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