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sexta-feira, 17 de maio de 2013

CASA DA MADRAGOA E NÃO CASA DOS SARAIVAS

Novas informações sobre esta casa:
(O sr. Alexandre Sobral de Athayde nos faz atencioso e-mail sobre a propriedade desta casa, informando que a mesma pertenceu ao seu bisavô, Coronel Odilon Alves Peixoto de Athayde, politico influente nos anos 20 a 30) - informação datada de 20-12-16.)
Recentemente fomos observados que o solar existente no Largo da Madragoa em Itapagipe não é o Solar dos Saraivas e sim, simplesmente, Caca da Madragoa. 
Eis os termos da observação:

 “Do que apurei sobre a Casa da Madragoa, ela foi propriedade do Visconde de São Clemente de Basto (título português), mas isto no século XIX. Lá habitou e morreu meu tetravô, o médico psiquiatra Dr. Demetrio Cyriaco Tourinho (1826-1888). No século XX, pertenceu à Santa Casa, quando era provedor o irmão Dr. Demétrio João Gonçaves Tourinho.” Assinado: Caio Cezar Tourinho

Este blog é baseado parte no conhecimento do autor sobre a cidade e parte em pesquisas avançadas que são realizadas.

No caso em questão, conhecemos o referido solar desde os anos 40 do século passado. Passávamos no Largo da Madragoa quase todos os dias. Íamos pegar o bonde, posteriormente ônibus e lotações na Pastelaria Las Palmas que ainda existe, hoje sem aquele nome. Sabiamos que na casa ao lado do Colégio Santa Bernadeste,  morava o senhor Oscar Cordeiro, um dos descobridores do petróleo na Bahia.

Pastelaria Las Palmas
Quando informamos que o referido solar chamava-se Solar dos Saraivas, baseamo-nos em uma pesquisa  realizada cinco anos atrás. Infelizmente não encontramos mais a fonte. Estamos crendo que esteja em algum livro sobre o bairro. Parece que não era verdadeira, contudo, naqueles tempos as pessoas citavam as casas de um modo geral como Casa do Dr. Fulano; casa de sicrano e assim por diante. Ainda tinha pouca gente na península e todo mundo se conhecia.  Deve ter sido um desses casos. Por exemplo, vamos ver alguns exemplos que nos vêm à memória:

Casa do Dr. Caio Pedreira, Casa do Dr. Solon Guimarães; Casa do Dr Adroaldo Ribeiro; Casa dos Freires; dos Arapongas; do Professor Assunção, do senhor Chico,do Capitão, dos Brandão,  de Cezinha e por ai vai.

A maioria dos nomes acima é conhecida de muita gente, mas a pessoa de Cezinha talvez não tenha sido. Foi um dos primeiros  “gays” assumido de Salvador. Naquele tempo era difícil! Chegou a se exibir no Nicht Clube vestido de mulher. Tinha uma irmã muito bonita. Era mais bonito que ela. No Carnaval saia à frente dos grandes blocos.

Pois bem, a casa de Cezinha era citada toda a hora por causa da ponte da Crush que ficava próxima da sua residência.  Famosa esta ponte. Sim! Pela sua inoperância. Nunca foi usada.  
 
Ponte da Crush


Outro fato interessante do mesmo viez, refere-se à Casa do Dr. Caio Pedreira. A família criava um menino chamado Edson da Conceição. Fazia os serviços de casa, de compras, etc. mas tinha uma certa liberdade. Após cumpridas as suas tarefas juntava-se a todos nós, meninos do bairro, para jogar bola, nadar, velejar. etc. Muito conhecido, a casa onde morava  e que pertencia ao Dr Caio era chamada "a casa de Edson Saguim", (lembrava a cara  do pequeno macaco). Mais tarde esse menino, já rapaz, foi para São Paulo e se tornou uma dos mais famosos compositores de nossa música pupular. Seu maior sucesso foi "Não deixe o Samba Morrer” na voz de Alcione.


Alcione 
Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De samba pra gente sambar

Quando eu não puder pisar mais na avenida
Quando as minhas pernas não puderem agüentar
Levar meu corpo junto com meu samba
O meu anel de bamba
Entrego a quem mereça usar

Eu vou ficar no meio do povo esperando
Minha escola perdendo ou ganhando
Mais um carnaval, antes de me despedir
Deixo ao sambista mais novo
O meu pedido final

No ano de 1984 compôs com Roque Ferreira a música "Bahia cem anos de folia" em homenagem ao centenário de nosso carnaval.
Você me conhece sou Pierrô, sou Colombina
Sou Fantoches, Cruz Vermelha
Vim cantando Zé Pereira
“Ó abre alas que eu quero passar”
Até chegar o trio de Dodô e Osmar
Vim descendo a ladeira sou mil Caetanos
Espalhados no brilho dos Novos Baianos
Que se brincam, se embalam, se embolam
Se ralam, se rolam e seguem atrás
Do frevo feliz de Moraes

Sou este povo que dança e que canta
A beleza da cor
Sou a graça da praça e a força da raça
Que Zambi criou

Sou cem anos de folia
Eu sou o carnaval da Bahia.
Antes de morrer precocemente, ainda compôs duas músicas para a TV Italiana. 
Epa! Como desviamos do assunto: Casa dos Saraivas. Pela lógica, Deve ter sido citada porque alguém dessa família morou na mesma por algum tempo. Foi o que soubemos. Em verdade, contudo  os Saraivas que conhecemos moravam no Pôço, mais ou menos ao fundo da Casa da Madragoa, por coincidência. Mesmo assim fomos na onda e foi preciso alguém nos alertar do erro. Ns verdade verdadeira a casa chama-se "Casa da Madragoa". Foi preciso  o Dr. Caio intervir no momento certo. Estamos fazendo a devida retificação. Mil perdões.
 Casa da Madragoa

Sem querer justificar, mas é muito comum os erros históricos. Em Salvador um dos principais diz respeito à data de fundação da cidade. Hoje é comemorada no dia 29 de março, data da chegada de Tomé de Souza no Porto da Barra.

A esse tempo, Salvador já existia, desde que em 1536 Francisco Pereira Coutinho desembarcou no mesmo lugar e fundou a Vila Velha na Barra. Foi o inicio efetivo de Salvador, a não ser que se queira excluir a Barra como não sendo de Salvador.

Antes ainda, Américo Vespuio em 1º de janeiro de 1501 aqui esteve e descobriu a Baia de Todos os Santos, colocando um marco de posse no Morro do Padrão que não é outro senão o morro onde se acha hoje o Farol da Barra. Mais do que significativo esse procedimento.

Farol da Barra

1º de maio é outra data marcante para Salvador. Nessa data teve inicio a construção efetiva da cidade na sua parte alta.

13 de julho é outra data importante. Foi realizada a primeira procissão de Corpus Chisti em Salvador.

Outro erro histórico significativo diz respeito a essa história de Caramuru. Esta figura nunca existiu a não ser nos escritos do Frei Santa Rita Durão que o criou 300 anos após o descobrimento do Brasil no momento que publicou o seu poema épico denominado Caramuru. Entre inúmeros disparates tem um que chama atenção e deveria ser banido e deveria ser desconsiderada a obra. Diz o homem a certa altura que Cataharia Paraguassu tinha a pele da cor do leite. Devia ser uma alpina.

O sonho de Catharina - Dentro de uma maior realidade artística apesar de um sonho.


Uma linda morena, cor de canela.



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