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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A HISTORIA DOS BALEIROS DE ANTIGAMENTE

Esta semana uma determinada pessoa nos pediu uma foto dos antigos baleiros de Salvador, chamados também de queimadeiros, de queimados, (doces, balas e caramelos).

Não sabemos para que ele queria. Talvez escrever sobre as profissões de antigamente e que hoje não mais existem como é o caso específico do baleiro, do amolador de tesouras e facas, do fotógrafo lambe-lambe, do verdureiro, do leiteiro, do peixeiro,  este dois últimos vendendo de porta em porta e tantas outras que os tempos modernos extinguiram.


Fotógrafo Lambe-Lambe



Foi difícil achar uma foto de baleiro, mas ao final conseguimos:

Três baleiros- Um recostado a um poste e dois outros com o pé sobre a calçada. Todos os três amenizam o peso da cesta na perna dobrada. 

Diríamos mais que houve uma transformação ou substituição.  Por exemplo, no caso dos baleiros que atuavam principalmente nas portas dos cinemas de rua (desde que agora a moda é o cinema de shopping), foram substituídos pelas modernas e luxuosas bombonières na ante- sala de cada um que também serve pipocas e refrigerantes  e em determinado caso, há pouco foi inaugurada uma sala que também serve vinho ou champagne com tira-gostos e garçom à rigor, enquanto os foguetes parecem sair da tela em sua direção e quando chove no filme os exaustores expelem vapor de água sobre a platéia.

Mas voltando ao nosso baleiro ou queimadeiro, eram reunidos por determinadas famílias da classe média. Geralmente, eram rapazes de 15 aos dezoito anos. A dona comprava os produtos no atacado de doces e caramelos e vendiam no varejo através dos baleiros.

Esses portavam uma cesta de vime com alça e em razão do peso usavam também uma correia de couro passada pelos ombros, a fim de livrar as duas mãos.

O formato da cesta é mais ou menos o indicado pela seta

Depois de arrumadas as cestas ficavam atraentes, coloridas e desejadas

Dirigiam-se às portas dos cinemas, mas também vendiam nos abrigos de bondes.

Era um negócio que devia dar um lucro razoável em se constatar que muitas famílias adotaram o sistema.
E como era feito o controle das vendas? Cada baleiro recebia determinada quantidade de balas (unidades), drops, chocolates em tabletes, etc. etc.

No retorno dos seus pontos de venda, apresentavam a cesta e a proprietária (o) contava o que sobrou, item por item, e a diferença era o que foi vendido pelos preços estabelecidos. A remuneração dos pequenos profissionais era um proporcional sobre as vendas.

Saliente-se também que quase todos eles almoçavam com a senhoria. Geralmente era um feijão esperto com algum pedaço de carne sertão e choiriça. Nesse sentido, diz-se até que muitos entravam na profissão pela garantia daquela refeição.



Um dia, porém, um determinado baleiro metido a esperto resolveu consultar os preços dos produtos em um atacadista do ramo. Constatou que a senhoria tinha um lucro absurdo. Era 100% a diferença de preço. Pensou! E se ele ao vender um produto de sua cesta e antes da conferência na casa da senhoria, comprasse o mesmo no atacado e o colocasse na cesta, teria o ganho do produto substituído, além da comissão que ela pagava do restante. Um manjar! Como não havia pensado nisto antes?! Espalhou a boa nova aos demais companheiros. Todos começaram a fazer a mesma coisa. Disseminou-se a prática. O resultado foi catastrófico para as donas do negócio. Desconfiaram! Consultaram os atacadistas. Esses tiveram que confessar que efetivamente, muitos baleiros estavam comprando os produtos em seu balcão. Já havia proibido a venda a eles,  mas  usavam pessoas outras que não eram baleiros e ficava difícil o controle.

Moral da história. O negócio dos baleiros acabou. A feijoada não seria mais feita. Muitos ainda tentaram uma autonomia, mas na sua grande maioria, todos fracassaram e a profissão teve um fim melancólico. 



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