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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A PRAÇA CASTRO ALVES PELOS TEMPOS

Como é sabido, Salvador ao tempo de sua construção em 1549, foi cercada para se proteger de ataques tanto de índios quanto de corsários que à época corriam o mundo à procura de riquezas ou mesmo de água e comida. Seu acesso se fazia através duas portas, uma ao norte denominada Santa Catarina e a outra ao sul chamada Santa Luzia.

A porta de Santa Catarina ficava localizada no principio da atual Rua da Misericórdia e a de Santa Luzia ao fim da hoje Rua Chile.

 

Isto não quer dizer que os espaços próximos aos limites da cidade, não fossem

visitados ou pelo menos circulados pelas pessoas da época. É o caso, por exemplo, daquele onde hoje se encontra a Praça Castro Alves, desde que através dele os tripulantes das naus que aportaram na Enseada da Preguiça, alcançavam os limites da cidade que se instalava.

 

Nesse sentido, reportamo-nos à nossa postagem datada de 27 de novembro de 2013:

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

ENSEADA DA PREGUIÇA - A FICÇÃO E A REALIDADE

 

De acordo com o que escreveu Gabriel Soares de Souza em seu Tratado Descritivo do Brasil, Tomé de Souza após aportar suas naus e caravelas no Porto (Vila Velha) não achou segura a permanência das mesmas nesse local. Vejamos o que escreveu o nosso primeiro cronista:

 

“Como Tomé de Souza acabou de desembarcar a gente da armada e assentou na Vila Velha, mandou descobrir a baía, e que lhe buscassem mais para dentro alguma abrigada melhor que a em que estava a armada para a tirarem daquele porto da Vila Velha, onde não estava segura, mandou descobrir a terra bem, e achou que defronte do mesmo porto era melhor sitio que por ali havia para edificar a cidade, e por respeito do porto assentou que não convinha fortificar-se no porto de Vila Velha, por defronte desse porto estar uma grande fonte, bem à borda da água que servia para aguada dos navios e serviço da cidade, o que pareceu bem a todas as pessoas que nisso assinaram’

 

Interpretando o que acima está escrito, inicialmente Tomé de Souza aportou suas naus no Porto da Barra (Vila Velha) e não achando seguro o local, mandou descobrir um lugar mais seguro dentro da “Baia de Todos os Santos” e o lugar escolhido foi a Enseada da Preguiça onde havia uma grande fonte de água doce. Logo acima estava o melhor sítio para instalar a cidade.

 

E a subida para os limites da cidade era feita pelas inclinações hoje das Ladeiras da Preguiça e da Conceição da Praia, obrigatoriamente passando pelo espaço onde hoje se encontra a Praça Castro Alves.

 

É sobre a mesma que vamos tratar, desde aquele tempo até os dias de hoje. Inicialmente no local funcionou uma feira de produtos diversos; aos domingos teria sido local onde se praticava touradas, a grande paixão portuguesa; fosse nos dias de hoje, teria tido a prática de futebol; na sua parte superior foi construído um dos maiores e belos teatros na época, o Teatro São João e a sua parte central foi destinada ora para monumentos, ora para chafarizes.

 


Ilustremos essa inclinação com fotos e ilustrações daquele tempo, procurando dar uma seqüência temporal:


 Teatro São João - No espaço em frente apenas um jardim com duas grandes árvores


Foto colorida  quase do mesmo ângulo já sem o gramado da foto anterior- Ainda não há registro de qualquer monumento ou chafariz em frente ao teatro.

Foto um tanto quanto enigmática. Porquê? Vê-se um monumento ao centro da praça. Teria sido o nosso pelourinho quando esteve nesta praça? É anterior a instalação de chafarizes em nossa cidade para abastecimento de água à população.


A praça já com um chafariz e no pedestal a figura de Cristóvão Colombo
O mesmo chafariz visto de outro ângulo - À direita à ladeira de São Bento e o grande mosteiro



Chafariz em homenagem à Lord Crokone(!?) instalado no Vale do Barris. Trata-se do mesmo chafariz que ostentava a estátua de Cristóvão Colombo na atual Praça Castro Alves. E que fim levou a estátua de Cristóvão? Instalaram-na no Rio Vermelho.


Bela estátua de Cristóvão Colombo


Homenagem à Cristóvão Colombo no Rio Vermelho - A figura poderia estar voltada para o mar. Seria mais condizente. Ele veio pelo mar para descobrir a América.

E esse monumento? Não há registro de sua existência na maioria dos trabalhos sobre a Praça Castro Alves. Ninguém sabe quem é o homenageado.

Já esta todos sabem. É o nosso grande poeta

Eu já não tenho mais vida!
Tu já não tens mais amor!
Tu só vives para o riso,
eu só vivo para dor.

Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar!


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