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sexta-feira, 2 de maio de 2014

A CONSTRUÇÃO DA AVENIDA JEQUITAIA E A IGREJA DOS CARMELITAS DESCALÇOS

Sem dúvida alguma que os critérios técnicos urbanísticos de construção das cidades de antigamente e de hoje mudaram muito. Atualmente, a mobilidade urbana é a maior preocupação. Antigamente, a preocupação residia na proximidade dos elementos que compunham a cidade.

 Por essa razão, tudo era perto. A casa era perto do  trabalho, da escola e mesmo da igreja.

Dessa maneira, as cidades foram sendo construídas em blocos compactos. Terminado um bloco, começava outro, logo após. As ruas eram estreitas, suficiente apenas para a passagem das pessoas e dos animais.

Uma rua estreita do Pelourinho, mas dá para passar a bandinha dos garotos

Salvador é um ótimo exemplo desse sistema. Após a construção dos primeiros imóveis do governo, da igreja e as residências de seus moradores entre a atual Praça Castro Alves e o principio da Rua da Misericórdia, tudo muito perto, a cidade avançou para a atual Praça da Sé, ainda perto e se fez novos blocos de casas e igrejas. Em sequência, continuou pelo Terreiro de Jesus, Pelourinho, Taboão e Santo Antônio, não muito longe.

Como era o bairro da Sé ainda com a antiga catedral, depois demolida

Por sua vez, do outro lado, de São Bento, a mesma coisa, até alcançar São Pedro e Piedade
.
Descendo a ladeira, no Comércio, a mesmíssima coisa. A cidade se concentrava entre a Preguiça e o Pilar. Tudo a pé ou a cavalo. Naturalmente, como a cidade foi construída em dois planos em razão de uma  falha geográfica, fizeram-se elevadores e planos inclinados e teve inicio a construção das primeiras ladeiras, não ladeiras para veículos, mas ladeiras para se descer e subir à pé e para quem podia em liteiras carregadas por escravos.

Uma liteira

Com o tempo, alguns setores da cidade começaram a ficar mais longe. Não dava mais para ir a pé e nem todos podiam usar cavalo. Ai surgiram diligências puxadas a cavalo, charretes e até mesmo os primeiros bondes com tração animal. Vieram os trilhos como que disciplinando o tráfego.

Diligência à cavalos


Bonde à cavalos sobre trilhos

Houve como que um domínio das distâncias e para tanto os governos programaram sucessivos avanços a locais mais longícuos.

Foi o caso da construção da Avenida 7 de setembro, ligando o centro da cidade à Barra e foi também o caso da Avenida Jequitaia, ligando o bairro do Comércio à Calçada.

Sobre as obras da Avenida 7 de setembro este blog tratou por diversas vezes, principalmente no que se refere a destruição de diversas igrejas no percurso como foi o caso, por exemplo, da Igreja de São Pedro na foto adiante:

A avenida passou por cima dela. Resultou numa grande celeuma. Além dos templos, foram demolidos quarteirões inteiros de casas, sem dó nem piedade. Na época alegou-se que assim estava sendo feito em razão das pestes que assolaram Salvador àquela época.  Fazia-se uma espécie de saneamento. A verdade, contudo, era outra. Prevaleceu a vontade de construir a avenida e valorizar áreas antes pouco habitadas. Estávamos no principio do século passado.

Depois foi a vez da construção da Avenida Jequitaia, ligando o Comércio à Calçada, obra iniciada por volta de 1939. Também foi complicado, principalmente em razão de que o mar chegava muito perto dos caminhos que deram lugar a grande avenida.  Por sua vez, do outro lado, limitando a ação de expansão, corriam as encostas dos morros da cidade alta de Santo Antônio, Lapinha,  Barbalho e Liberdade.

Da mesma forma do que aconteceu na construção da Avenida Sete, também na construção da Avenida Jequitaia teve que ser demolida muita coisa, inclusive uma igreja maravilhosa situada no litoral do Pilar de pouca gente conhecida.

Referimo-nos à Igreja do Hospício do Pilar, também conhecida como a igreja dos padres Carmelitas Descalços, igreja esta cuja construção se deu no século XVI. Hoje o local é a Travessa do Pilar.

A igreja vista do mar. À esquerda, a igreja do Pilar

Já sem as torres - Começava o estrago
Noutro ângulo

Segundo muitos estudiosos, a demolição não se fazia necessária. A área aterrada ficava atrás da igreja. Foi um crime contra o patrimônio da Bahia.
A Ordem dos Carmelitas Descalços (ou, simplesmente, Carmelitas Descalços, O.C.D.) é um ramo da Ordem do Carmo, formado em 1593, que resulta de uma reforma feita ao carisma carmelita elaborada por Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz.
 Santa Tereza de Ávila
São João da Cruz

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