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quarta-feira, 25 de maio de 2011

A OUTRA PRAÇA 2 DE JULHO

Salvador tem duas praças no centro da cidade com o mesmo nome: DOIS DE JULHO. A primeira delas é o nosso famoso Campo Grande, monumental e grandioso; a segunda é o Largo 2 de Julho ali nas proximidades do Sodré, construído com pedaços de quintal de uma mansão (Mansão Acioli e alargamento de uma rua (Rua do Fogo).



Praça 2 de Julho – Campo Grande – Bem definido


Largo 2 de Julho – Sodré, etc. – Foi se arranjando!

Inicialmente o largo chamava-se “Largo do Aciolí. Posteriormente, mudaram o seu nome para Largo 2 de Julho porque arranjaram um espaço para a colocação do “chafariz da cabocla” em homenagem à data magna da Bahia. Esse chafariz andou inicialmente pela antiga Praça do Teatro São João, hoje Praça Castro Alves; depois foi para a Praça da Piedade: em seguida para o Largo do Acioli e hoje se encontra no Largo dos Aflitos em frente ao quartel da Policia Militar.



Chafariz da Cabocla – Belíssimo! Resistiu às diversas mudanças. Agora está bem!

Enquanto se bulia de todos os lados com o Largo 2 de julho, a principal rua que lhe dá acesso – Rua do Cabeça, mantêm as características ambientais do século passado e até mesmo antes. Aliás, não só a Rua do Cabeça tem essa característica; também a Rua do Sodré, bem como as ruas Areal de Cima e de Baixo; a Rua Democrata e a Rua da Jaqueira sustentam uma forma de ser muito própria daquela época.


Rua do Cabeça – Apesar das modificações estruturais, o ambiente é o mesmo

Aqui vale lembrar o Bar Anjo Azul, inaugurado em 2 de julho de 1949. Era um local de encontro dos intelectuais da época: Carlos Bastos, Coqueijo, Jorge Amado, Caribé, Calazans, Mario Cravo e tantos outros.
Deu até música. Com autoria múltipla de J.B, Bulla, Helio Musquito, Wallace, Edson da Conceição, Klebinho, Dinho e De Minas, transcrevemos o enredo do samba “Anjo Azul”:

Foi nos anos 50
Cidade Alta em Salvador
O Anjo Azul surgiu
Na Rua do Cabeça
Num sobradão secular (secular)
Ponto de encontro
Dos artistas do lugar
O luxo e a riqueza
Misturavam-se com a simplicidade
Tudo se tornava natural
Sou Deus do Olimpo
Do barroco tropical
Canta, meu Engenho
Pisa forte nesse chão (bis)
A nossa bateria
Vem no pique da canção
Vem de lá emoção
Com suas crenças e seus costumes exaltados
E Alorixá deu a receita o drinque certo
Para ser feliz e ter sucesso
Na modernização (oi)
E na florescência cultural
Mário Cravo, Carlos Bastos e Caribé
Incentivo em cartão postal
Venham pra ver
A realidade
Obras de arte
Decorando a cidade
Na Bahia tem, meu bem, magia
Anjo azul, xixi de anjo (bis)
Muito axé e poesia

Areal de Baixo

Areal de Cima


Ninguém sabe informar porque Areal de Cima e de Baixo. No local nunca deve ter existido areia, de onde provêm a palavra areal - local de muita areia. Quando a ser de baixo e de cima, explica-se pela desnível das duas ruas, uma mais acima do largo; a outra mais abaixo.

Aventuramos em dizer que no caso teria acontecido um vicio de linguagem. O certo talvez seria dizer "Arraial de Cima e Arraial de Baixo" e não "Areal de Cima e de Baixo". Tem mais sentido e lógica.


Rua do Sodré

Jerônimo Sodré Pereira foi um português que veio para Salvador em 1661. Ele mandou construir na Rua do Sodré uma residência que passou a se chamar de Solar do Sodré. Após seu falecimento, o solar foi adquirido pelo senhor Francisco Lopes Guimarães. Com a morte desse senhor, sua viúva casou-se com o Dr. Antônio José Alves, pai do poeta Castro Alves. Assim sendo, o grande poeta viveu boa parte de seu tempo nesse prédio, justamente aquele relativo a sua fase romântica. Nele faleceu em 6 de julho de 1871.
Nesse prédio, funcionaram os colégios Alemão, Piedade, Antônio Vieira, Ipiranga do Professor Isaías Alves e atualmente funciona o Colégio Estadual Ypiranga.



Placas alusivas ao fato

Já na Rua Democrata, há que se destacar o Clube Fantoches da Euterpe e a Igreja de do Coração de Maria (década de 1940). Já foi convento denominado dos Cordimarianos.



Rua Democrata

O que são os Cordimarianos?

Este blog tem procurado esclarecer aos seus leitores o que são ou foram as inúmeras ordens católicas. Esta, por exemplo, origina-se do que se chama a “Cruzada Cordimariana”. Com a palavra os especialistas:
“O que é a Cruzada Cordimariana?

A resposta ao pedido que nos fez a Virgem Maria em Fátima. Um chamado urgente que quer despertar as almas da letargia, da indiferença à Vontade de Deus, manifestada em Fátima. Não se trata de uma nova devoção nem de acrescentar outra invocação, mas de identificar-nos com a Vontade de Deus como perfeitos cristãos através do Coração de Maria.

Finalidade da Cruzada
Estender e estabelecer por todos os meios a devoção ao Coração Doloroso e Imaculado de Maria. Que haja muitos filhos do Coração de Maria que instaurem esta devoção para que se salvem muitas almas, se estabeleça a paz e chegue o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por que a chamamos Cruzada?
Porque Nossa Senhora, quando nos pediu em Fátima, utilizou as mesmas palavras com que os cruzados medievais se lançavam à luta: “Deus o quer!”. Hoje Deus nos pede outra Cruzada mais urgente, mais necessária, de muito maior transcendência, convocada pela mesma Rainha do Céu, que vem a nos manifestar a vontade do seu Filho.”




Igreja do Coração de Maria
 
Mudando como que da água para o vinho, destaque-se na mesma rua Democrata o Clube Fantoches da Euterpe, o grande clube dos grandes carnavais das décadas de 1940/1950.



Clube Fantoches da Euterpe

Rua Democrata- À esquerda o muro que esconde hoje o Fantoches



Imagem da área abordada- Google Earth

Um comentário:

  1. Gostaria de publicar esta matéria em www.largodoisdejulho.com.br, citando a fonte e dando os devidos créditos.

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