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segunda-feira, 2 de maio de 2011

BARRA- FUNDAÇÃO DA CIDADE DE SALVADOR

Convencionou-se historicamente que a data de fundação da Cidade de Salvador seria 25 de março de 1549, dia da chegada de Tomé de Souza à Bahia.
Outras datas poderiam ser escolhidas para tão importante acontecimento, dentre elas 30/05/1549, dia da Ascensão do Senhor ou 13/06/1549, quando se realizou uma procissão do Corpo de Deus.
Também não poderia deixar de ser considerada a data de 1º de novembro de 1501 quando Américo Vespúcio deu nome à Baia de Todos os Santos e se colocou o marco de posse na Ponta do Padrão, o nosso extraordinário Farol da Barra।


Esta última data seria mais consentânea com os acontecimentos havidos antes da chegada de Tomé de Souza, como, por exemplo, o naufrágio de Diogo Álvares Correia ocorrido em 1509 e a chegada de Francisco Pereira Coutinho em 1536 tomando posse da capitania da Bahia.

Diogo Álvares Correia

Por quê? No caso de Caramuru, vale a pena transcrevermos a carta pessoal enviada por D. João III à Diogo Álvares Correia a fim de entendermos a importância do mesmo no processo de fundação da cidade de Salvador.

"Diogo Alvares।

Eu el-rei vos envio muito saudar. Eu ora mando Tomé de Souza, fidalgo da minha casa, a essa Bahia de Todos os Santos por capitão governador dela, e para na dita capitania e mais outras desse estado do Brasil prover de justiça dela, e do mais que ao meu serviço cumprir e mando, que na dita Bahia faça uma povoação, e assento grande e outras coisas de meu serviço. E porque sou informado pela muita prática e experiência, que tendes dessas terras, e da gente, e costumes delas, e sabereis bem ajudar e conciliar, vos mando, que o dito Tomé de Souza lá chegar, vos vade para ele e o ajudeis no que lhe deveis cumprir, e vos ele encarregar, porque fareis nisso muito serviço; e porque o cumprimento, e tempo de sua chegada a ela abastada de mantimentos da terra para provimento da gente, que com ele vai, escrevo sobre isso a Paulo Dias, vosso genro, procure por se haverem, e os vá buscar pelos portos dessa capitania de Jorge de Figueiredo. Sendo necessária vossa companhia e ajuda, encomendo-vos, que o ajudeis no que virdes que cumpre, que o fareis. Bartolomeu Fernandes a fez em Lisboa a 19 de novembro de 1548.
- Rei Sobrescrito
- Por El-Rei a Diogo Alvares, cavaleiro de minha casa na Bahia de Todos os Santos."


Tomé de Souza teria todo o apoio e orientação necessários e possíveis de quem já vivia na terra longos anos. Por exemplo, não deve ter sido fácil “acomodar” cerca de 1000 pessoas num lugar onde talvez não tivesse esse número de habitantes, excluindo naturalmente os índios.

Por outro lado, seria totalmente impossível Caramuru ter sucesso nessa empreitada, se não contasse com uma estrutura mínima de quase uma cidade como já era a Vila Pereira ou o Povoado de Vila Pereira na Barra. Os padres, por exemplo, em grande número, foram alojados na igreja e casas próximas dela.

Vejamos o que se escreveu a respeito: “uma maneira de igreja, junto da qual logo aposentamos os Padres e Irmãos em umas casas a par dela .... E ao terceiro dia, naquele local, celebrou Nóbrega uma missa solene, a primeira festa religiosa da Comitiva Oficial."
A coisa foi tão bem organizada que já no terceiro dia da comitiva nas novas terras, tiveram “cabeça” para celebrar uma missa solene, tida como uma “festa religiosa”.

Pois bem, esse pedaço de terra “abençoada” que foi Vila Pereira, apesar de ser mais antigo que o atual Centro Histórico de Salvador, não é lembrado como tal. Verdade que em seu lugar surgiram maravilhas que o homem construiu ou a própria natureza se incumbiu de tornar célebres.

Pelas mãos dos homens, surgiram o Farol da Barra, o Forte de Santa Maria, o Forte São Diogo, a Igreja de Santo Antônio da Barra, o Yacht Clube da Bahia.

Já pela natureza, a Praia do Farol e a Praia do Porto.

A igrejinha de Vila Pereira

A bacia que estamos vendo acima é onde hoje se acha o Yacth Clube da Bahia. A igrejinha se destaca à direita da foto.


Mapa da Povoação do Pereira ou Vila Pereira
Reprodução de uma tela do pintor Henrique Passos. Local: onde é hoje o Yacth Dois prédios na parte de baixo. Um deles é uma fábrica (vê-se a chaminé). No alto do morro a Igreja de Santo Antônio da Barra. Nada a haver com a igrejinha mostrada na foto anterior. Ela se encontra atrás do morro na parte de baixo, à direita.
Foto da área – A mesma serviu de modelo para a pintura acima- Foram acrescentados os saveiros e melhorado o aspecto dos prédios.

Outra reprodução do mesmo pintor e do mesmo local só que mais atual. Já podemos ver o acesso que liga o local ao Porto. Cortaram o morro para construí-lo.
Vejam a maravilha que é hoje – O grande clube baiano em todo o seu esplendor e magnificência.
Adiante do Yacth, onde era a Praia dos Índios, temos outro local bastante antigo e pouco mencionado: é o Porto das Vacas ou Gamboa de Baixo:




Gamboa de Baixo
Ruínas do Forte da Gamboa - Possivelmente, projetava-se mar a dentro. Não há vestígios de alguma ruina no morro.

Ainda fazendo parte da Vila Pereira, destacamos a Enseada da Preguiça, próxima da Gamboa. Os habitantes da vila com toda a certeza deveriam usá-la com freqüência.

Coincidentemente, após Tomé de Souza se instalar da nova cidade, ordenou que se construísse uma igreja próxima à bela enseada. Deve ter sido uma sugestão de Caramuru. É anterior a Pereira Coutinho.


Enseada da Preguiça

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