É evidente que o título de nosso blog mostra suas intenções –
Historia da Cidade de Salvador – Cidades Baixa e Alta. É o que estamos fazendo
há quatro anos. Já são mais de 700 postagens. Caminhamos por essa cidade olhando
o presente, buscando o passado e, às vezes, projetando o futuro. Abordamos os
dois lados da cidade – Alta e Baixa- de forma equânime, desde que as suas duas
partes se completam. As ladeiras e os elevadores ligam os dois
espaços e as pessoas ajudam transitando por eles.
É mais ou
menos assim, a abertura de nossas postagens. Está faltando, contudo, uma coisa
para fechar o círculo das observações: a focalização de pessoas interessantes e
até folclóricas de nossa cidade, desde que nos entendemos, até os dias de hoje. Somente serão inseridas pessoas que conhecemos ou vimos.
Antes de darmos inicio, é necessário esclarecer e separar nitidamente
o que seja “interessante” e “froclórico”.
Interessante seriam as pessoas que se destacaram de alguma forma em nossa
cidade e até hoje são lembradas pelo que fizeram.
Já folclóricas, são aquelas que, de alguma
maneira, simbolizam a cultura popular de um povo com manifestações fora do que
se considera comum numa determinada época e principalmente hoje, transpassando
os tempos.
Poderíamos ter aplicado o termo “importante” em vez de
“interessante”, mas enxergamos que todas as pessoas que passaram pela vida são
importantes no seu meio, no seu lar, no seu trabalho, enfim, próxima de si. Já
interessantes, são aquelas que emergem além desse círculo pessoal.
Aí começaremos com uma pessoa que vai nos dar bem a forma
como nos manifestamos há pouco: Major Cosme de Farias. O vi pela primeira vez
em cima de um caminhão, sim caminhão e não Trio Elétrico como seria comum nos
dias de hoje, nos festejos do nosso 2 de julho. Na frente do veículo uma faixa
com os dizeres: ABAIXO O ANALFABETISMO.
O povo ia ao delírio e jogava flores sobre aquele “velhinho”. Ele tirava
o chapéu e sorria, mas um sorriso de muita simpatia.
Cosme de Farias
E aí? O major seria uma pessoa interessante ou folclórica? No
caso as duas e por essa razão começamos com ele. Não havíamos pensado nessa
hipótese, mas felizmente se fez essa possibilidade. Sem ser formado, defendia
os acusados de pequenos crimes no Fórum. Os advogados de verdade, buscavam a
sua presença na bancada de defesa, porque o homem sabia sensibilizar as
pessoas. Era causa ganha: o "pequeno" criminoso estava na rua.
Cosme de Farias nasceu em 2 de abri de 1875 e morreu em 14 de
março de 1973. Viveu, portando, 98 anos, quase um século. Tinha apenas o curso
primário, mas tornou-se advogado provisionado (rábula) e passou a vida defendendo
milhares de clientes sem condições financeiras. Foi patenteado “Major” pela
Guarda Nacional (1909) e seu maior feito na advocacia foi o habeas corpus em
defesa de Sérgia Ribeiro da Silva, a cangaceira Dadá, viúva de Corisco em 1942.
Corisco e Dadá
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