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sábado, 4 de junho de 2011

A EXPANSÃO DA CIDADE PARA O LESTE

Como vimos, a cidade cresceu inicialmente para o Norte. Transpassou a Porta de Santa Catarina e chegou até Santo Antônio Além do Carmo, beirando o Barbalho.
Em seguida, houve o crescimento para o sul, além da Porta de Santa Luzia, e foi em frente até Vila Pereira, hoje a nossa belíssima Barra.
Esgotadas as ampliações ou uma conseqüência delas próprias, a cidade começou a se expandir para o leste. Mas não o fez como as outras, ocupando seus espaços naturalmente e neles construindo suas residências e se fazendo as primeiras ruas.
Havia um impedimento “natural” à sua frente: um rio। Sim! Lá embaixo corria o Rio das Tripas, afluente do Camurugipe.


Mapa de Salvador – 1549
As três portas estão indicadas com setas amarelas. Santa Catharina à esquerda; Santa Luzia à direita e Barroquinha no centro.
Este é o mapa mais conhecido da Salvador de 1549

Mapa de Salvador – 1616

Agora vamos analisar um mapa datado de 1616। A cidade já se ampliou principalmente para o norte. O aglomerado de quarteirões de residências e consequentemente de ruas é bem acentuado.
Já o setor sul, apresenta menor concentração de quarteirões; são até esporádicos.

Por fim, a seta verde ao alto, indica o Rio das Tripas com seu trajeto escuro e suas sinuosidades. Ao seu redor, quarteirões de casas de cada lado da margem. Pouca coisa. A maior concentração de residências fica à direita, justamente onde é hoje a Barroquinha.

Diz-se frequentementes que a primeira porta aberta foi a de Santa Catharina, setor norte e em seguida a porta Santa Luzia, setor sul. Já a porta da Barroquinha é pouco citada e não se fala quando foi aberta, etc. Sabem porquê? Porque ela sempre esteve aberta. A cidade precisava de água e víveres e o único lugar disponível era justamente ali na Barroquinha e de um modo mais amplo, na baixada ao leste, onde corria o Rio das Tripas. Devia fornecer até peixe, desde que não era ainda poluído. Sua margem fornecia verduras e possivelmente, ali se criavam animais para fornecimento de carne.
Esta área era chamada Rua da Vala ou Rua das Hortas, nome que se manteve até final do século XIX, mesmo principio do século XX quando, no governo de José Joaquim Seabra – 1912/1916, o rio foi tubulado numa profundidade de 7 metros e se formou a avenida com o nome do governador, mantido até hoje (Avenida J.J. Seabra).
Em nossas pesquisas, encontramos certa ocasião uma matéria publicada no jornal À Tarde, edição do dia 27/07/2006, onde o jornal destaca que a “Baixa de Sapateiros está completando 17 décadas de existência”. Feitos os cálculos reportamo-nos aos anos de 1836.




No principio da matéria é dito: “ A rua cantada por Ari Barroso completa hoje 17 décadas de existência. Nesse meio tempo, muitas coisas mudaram por ali; o grande vale que se inundava quando a chuva castigava a cidade, parou de encher com isso, pois a Rio das Tripas foi drenado pelo Governador J.J. Seabra...”
 
Claro que precisamos fazer uma ressalva nessa matéria। Quem estava completando 170 anos não era a Rua da Vala e sim a Baixa dos Sapateiros, que não era ali. Claro que precisamos confirmar e provar essa informação. Para tanto, vamos recorrer a uma de nossas postagens mais antigas onde esse assunto é tratado exaustivamente.


Observávamos naquela ocasião sobre a Ladeira do Taboão: Era aqui a verdadeira Baixa dos Sapateiros! A versão de que a Avenida J.J. Seabra ganhou o nome de Baixa dos Sapateiros em razão da instalação de uma fábrica de sapatos por imigrantes italianos, não se sustenta. Eram muitos os sapateiros instalados no Taboão. Ainda existem alguns. Prova disto é que o comércio ainda hoje é muito inclinado para artigos de couro e suas variantes modernas de plástico, caracterizando suas origens.

Completávamos: "Por outro lado, a hoje Avenida José Joaquim Seabra, ainda não existia. No local passava o Rio das Tripas ou Camurugipe. Somente no final do século XIX foi feita uma drenagem e o rio foi tubulado a uma profundidade de 7 metros. Há notícias que no século XVIII o local reunia inúmeras hortas, daí a denominação de Rua das Hortas, como era chamado o local. Também o chamaram de Rua da Vala, por abrigar uma grande vala por onde desaguava o Rio das Tripas. Nada de Baixa de Sapateiros! A verdadeira fervilhava há muito tempo numa transversal da Rua da Vala, em direção aos Bairros do Comércio e do Pilar. A nossa hoje Ladeira do Taboão".

Mapa de 1550

Há de se reparar na parte superior do mapa o nosso conhecido Rio das Tripas, afluente do Camurugipe, onde hoje se acha a Avenida J.J. Seabra. Era assim a Salvador de 1550. As duas setas azuis sinalizam o seu percurso.


Ladeira do Taboão - Princípio do Século XX

Reparem a simetria dos prédios। Quase todos da mesma altura. Vejamos um comentário super significativo sobre a mesma:

“Ao caminhar devagar pelas ruas, antes de chegar ao antigo elevador, é possível apreciar o visual dos prédios com suas fachadas em estilo art déco, com altura média de quatro a seis andares. O que impressiona é a simetria. Parecem miniaturas do legendário Empire State Building, de Nova Iorque, o maior exemplo desse estilo em todo o mundo”.
 

Prédios da verdadeira Baixa dos Sapateiros।

Rua do Taboão hoje



O abandonado Elevador do Taboão - O velhor descaso dos "poderes públicos"
 

Av. J.J. Seabra

Sem dúvida, uma área importante da cidade. Fornecia a água para a sua população, além de verduras e até peixe. No local ficavam as hortas que são citadas no mapa como sendo “ortas”. No final, é a mesma coisa.

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