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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

600 POSTAGENS - QUE SALVADOR SE EMBELEZE


Há dias estávamos procurando um assunto para compor a 600ª postagem desse blog. Teria que ser algo significativo, por exemplo, a estatística das quinze mil consultas mês  a esse blog por leitores de diversas partes do mundo ou escolher uma postagem que tivesse marcado essa trajetória,  como  a publicada sobre a " Lavagem do Bonfim” ou até do ”Carnaval de Antigamente”, a mais lida até então.

Mas, eis que chega às nossas mãos a revista “Muito” edição do dia 25 de novembro p.p. e nela uma reportagem sobre jovens arquitetos baianos e seus projetos para “transformar Salvador em uma cidade mais confortável para seus habitantes”. São eles: Juliana Meira, Saul Kaminski. Diogo Viana, Andreas Martins e Adriano Mascarenhas.

O grupo tem pensamentos super interessantes, por exemplo: "Cidades são o maior artefato criado pelos homens. São o lugar da diversidade, por isso devem ser vistas como oportunidades e não como problema".
"Uma cidade inteligente é aquela que permite que as pessoas circulem para se encontrar".
"A arquitetura não pode ser pensada para tirar fotografia. O "Memorial da América Latina" não cria convívio público. Brasilia é uma anti-cidade"

Entre os projetos que o grupo pensa e desenvolve está  a ligação do Morro do Cristo à Praça de Ondina e o jardinamento da  Praça Castro Alves que adiante mostramos:
Ligação pela praia do Cristo com a Barra
Uma praça jardinada
Mas por que essa reportagem está sendo escolhida como matéria comemorativa de uma etapa de nosso blog? Pelo seguinte: ao longo desses três anos, mesmo não sendo arquiteto, temos salientado a importância de determinados espaços de nossa cidade que foram ou mal aproveitados quando se fizeram ou não foi feito nada para a permanência das pessoas no local.
No primeiro caso, (espaços mal aproveitados) citamos a nova Praça da Pituba denominada Praça Wilson Lins e a Praça Dodô e Osmar em Itapagipe e entre os casos que não se fez nada, citamos a Praça Divina ao lado da própria Dodô e Osmar.
 
Dissemos na oportunidade: no local a Prefeitura fez uma praça horrorosa, sem graça, sem nada. Qualquer cidade do mundo “amaria” possuir uma área como esta. Pensou-se num Oceanário e nada. Seria um grande atrativo, super diferenciado. Existem poucos no País, apesar de sua extensão litorânea.
Por exemplo, o de Aracaju:
Oceonário de Aracaju
 
Hoje, complementaríamos o nosso comentário afirmando, com base no pensamento prático  e certíssimo de nossos jovens arquitetos, que a praça da Pituba, não fixa a pessoa no local. No máximo passa-se  por ela. É até perigosa – fica num baixio. E tiverem todo esse espaço:
Um espaço extraordinariamente estratégico de rara localização. Perdemos uma grande oportunidade. Se você quizer fazer um lunche não tem onde. Salvador está com a síndrome das barracas. Barraca é ruim. Empata a vista. Toma espaço de praia, contudo, as barracas atraiam e mantinham as pessoas no lugar. Hoje não tem como "ficar" nas praias de Salvador. Noutras capitais do nordeste, contudo, elas são uma grande atração de gente.
 
Outro caso lamentável, dentro da mesma ordem de pensamento, ou seja, a fixação das pessoas no local, refere-se à Praça Dodô e Osmar:
 
É absolutamente incrivel! Esse areaial que os senhores estão vendo acima foi feito para se jogar bola, os famosos babas de praia. Fixaria as pessoas no local, mas tem um problema técnico insuperável. A areia esquenta de uma forma insuportável. Tentaram reproduzir a chamada  "praia de baba", mas as verdadeiras, as autênticas,  têm a areia sempre úmida em razão da proximidade com o mar. Esse é o detalhe! Reparem também os blocos contornando o "deserto". Se um jogador ao cair,  bater a cabeça nesses monstrinhos amarelos, morre. Absolutamente ante-tudo.
No espaço acima, funcionava a Fábrica Barreto de Araújo, exportadora de cacau. Conseguiram demoli-la e tiveram condições de fazer algo muito bom. Anunciava-se que seria um "complexo náutico" (!). Ao lado está a Praça Divina, antiga Praça do Porto do Bonfim. Pensava-se que se faria uma conjução das duas. Era a lógica. Não se fez e o "feito" piorou ainda mais a situação.



Praça Divina
Sente-se um vazio insuportável. Não tem um banco. As árvores são esparsas. Não sobreia nada. Passa-se por ela em direção ao Porto da Lenha, onde há um pouco mais de vida. Divinamente horrível!


Outra postagem onde encampamos novas ideias para embelezamento de Salvador foi aquela da autoria do Prof.  Gilberto W. Almeida da Universidade Federal da Bahia, publicada no jornal A Tarde. O professor sugere a necessidade de termos mais praias como, por exemplo, uma nova praia ao norte da Ponta do Humaitá, ou seja, na Pedra Furada e outra entre o Forte de Santa Maria e o Farol da Barra. Foi um comentário e não uma reportagem. Não foram acrescentadas fotos dos locais. Quem não conhece a área, principalmente a Pedra Furada, lá embaixo, deve ter ficado sem entender e achado a idéia estapafúrdia. Para que tal não acontecesse, ilustramos com fotos os locais referidos.

Primeiramente, vamos ver a Pedra Furada. Fizemos uma postagem tratando deste extraordinário lugar, ao lado da Ponta do Humaitá.

 
No local a maré recua cerca de 300 metros, Forma-se um descampado extraordinário. Poderia ser, efetivamente uma praia desde que se faça o recuo permanente do mar. Não é uma tarefa fácil. Precisa de gente que entenda. Bulir na natureza não é fácil.
 
Em seguida, vamos ver o local da possivel praia entre os Fortes Santa Maria e Santo Antônio da Barra.
Praia de Santa Maria

Nosso professor sugere transportar areia de partes fundas do mar para formar praias nos locais há pouco vistos.

Em verdade este não é o processo correto. Não foi assim que se fez em Copacabana conforme ele cita. No Rio de Janeiro foi feito o recuo do mar através um processo de engenharia náutica, o chamado aterro náutico. (Alô Belov - Alô Dortas). Foi realizado na década de 1970 e ampliou a largura da praia em cerca de 70 metros. A obra foi realizada pelos engenheiros portugueses Fernando Maria Manzanares Abecais e Veiga da Cunha e o engenheiro brasileiro Jorge Paes Rios. Todo o projeto foi elaborado em Lisboa pelo Laboratório Nacional de Engenharia de Portugal.

De forma ocasional, isso mesmo, "ocasional" o fenômeno ocorreu em Itapagipe quando se dragou areia da Ponta da Penha para os Alagados. Em conseqüência, formaram-se praias permanentes em diversas partes da Avenida Beira Mar. Vejam o que escrevemos à respeito: “O trecho que será focalizado hoje tem uma singular particularidade: antigamente – 1960\1980 só possuía uma praia permanente, a praia do Bugari. De resto, em toda a área, cerca de 1.5 km. o mar chegava a alcançar três metros de altura no cais de contenção da Avenida Beira que a protege e as casas ao longo dela.
O que aconteceu? Fizeram uma dragagem de areia na altura da Penha para aterrar os Alagados do Porto dos Mastros e Lobato. Foram milhões de metros cúbicos de areia retirados daquele local. Em conseqüência, o mar recuou algo em torno de 3 metros, fazendo surgir diversas praias permanentes.
Nesse local o mar na enchente batia num cais de 3 metros de altura. Hoje é uma praia permanente. Há quem diga, inclusive, que o processo continua e que o mar está a recuar perigosamente. Estão tomando como referência o chamado "Pôço". E ele está cada vez menos profundo. Tinha cerca de 3 a 4 metros de profundidade na enchente e na vazante chegava a quase dois metros. Hoje na vazante está a meio metro.
Praia do Pôço - Onde se encontram ancoradas diversas embarcações
 
Não poderiamos encerrar essa postagem, informando que de relação ao projeto do espaço entre o Cristo e a Ondina, já havia um projeto de melhoria desse espaço de autoria do arquiteto Alexandre Prisco Paraiso Barreto. Ei-lo:
 
 
 

Não quer isto dizer que um novo projeto está invalidado, ou um supera o outro. Todos os dois são válidos e torcemos que novas idéias surjam para este mesmo espaço e outros de nossa orla que é muito pedregosa entre a Barra e Ondina.



 
 
 
 
 

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