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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O PERU DO NATAL DE ANTIGAMENTE


Natal é um dia de festas! A maioria dos lares festeja a data com jantares e almoços onde o grande prato é o peru. Mais do que tradicional!  Hoje essa iguaria é comprada nos supermercados já quase pronta. É só assar em modernos fogões ou mandar fazer esse serviço em estabelecimentos especializados.
E, antigamente, como era a coisa? Era braba, muito braba! Geralmente, o peru era comprado nas feiras um a dois meses antes. Vivinho da silva!
Levava-se para casa, mas não as casas de hoje, a maioria apartamentos. Eram casas que tinham quintal. Quase todas elas  o possuíam, inclusive aqueles palacetes do Corredor da Vitória ou da Graça. Isto mesmo! Onde hoje estão grandes edifícios. De resto, na periferia, todas as casas tinham um quintal, pequeno que fosse, mas tinham. Plantava-se fruta pão ou tinha uma mangueira e havia um espaço para criação de pequenos animais, galinha, pato, peru e, por vezes, até porco. Cabra não. Não era nosso forte.


Fruta Pão

Ai o peru era engordado. A dieta consistia de milho e gomos de farinha grossa com sal e água que eram enfiados bico abaixo, na marra. Se o animal não aceitasse, dava-se um pequeno tapinha no gogó e tudo descia.
Logo chegava o grande dia: matar o animal, no caso o peru. Nas classes média e baixa, B e C segundo classificação atual, era a própria dona de casa que ia para o sacrifício. Na classe A, eram as empregadas domésticas as encarregadas do feito e, mais antigamente, as escravas.
Primeiramente, davam aos bichinhos cachaça para embebedá-lo. Justificava-se o procedimento etílico sob a alegação de que a aguardente amaciava a carne, mas na verdade crua e nua era para diminuir as dores da degola e facilitar o procedimento. As crianças eram afastadas. Com uma faca super amolada degolavase a ave de orelha a orelha sobre uma bacia com vinagre. Ali o sangue era recolhido. Em seguida, em água fervente, depenava-se o "pobre" do animal. De resto, era recheado com farofa, ervilha, cebola, castanha e levado ao fogo à lenha. Claro que havia outras formas de recheio, alguns com chouriço e toucinho.
Um copo com cachaça - Era a dose.

Acredita-se sem muita consistência que àquele tempo, a Pastelaria Triunfo na Praça Municipal, já importava o peru congelado, bem como a carne de porco, mas isto era coisa para gente muito rica e não era a mesma coisa. Hoje, no local funciona uma agencia bancária. O antigo prédio sofreu um incêndio. Ficou feio, principalmente porque os prédios ao lado mantiveram suas antigas e belas fachadas. O banco daria uma grande contribuição à cidade se o antigo prédio fosse reconstituído. Não que ele, banco, seja culpadp. Deram-lhe permissão. Deve ter sido o mesmo grupo que aprovou o atual prédio da Prefeitura em frente. Os dois imóveis se combinam na extrapolação das coisas.
A Pastelaria Triunfo era o prédio à direita da foto encimado com uma torre
E sobre as origens da tradição de comer peru no Natal? De onde veio? Dos Estados Unidos, Plymouth, Massachussetts. Corria o ano 1621. No Dia de Ação de Graças foi servido perus selvagens criados por mexicanos. Após péssima colheita de milho no verão daquele ano, os colonos tiveram uma boa safra. Ai, o governador da vila, para comemorar o resultado, programou uma festividade e foram servidos perus e patos. Era inicio do outono. Daí para o Natal foi uma questão de tempo.
Já na Europa, foram os espanhóis que levaram a iguaria para lá por volta do século 16. E no Peru, capital Lima, com nome da própria ave, como é tratado o nosso animal? Não é tratado! Normalmente, o peru não consta como fazendo parte do cardápio peruano de Natal e outras festividades. No entanto, muita gente cita que o peru é originário dos Andes, o que não é verdade.
Também é uma inverdade que o peru tenha sido introduzido no Brasil pelo  fundador da Sadia, o catarinense Atílio Fontana por volta de 1944. Segundo se sabe, essa empresa pode ter sido a primeira a fornecer as embalagens que hoje conhecemos do produto, mas que teria introduzido o costume em nosso meio, não se sustenta

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