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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

BAIXA DOS SAPATEIROS

Na postagem anterior “descemos” o Pelourinho; a cidade “crescia” para esses lados; alcança a Baixa dos Sapateiros, a verdadeira Baixa dos Sapateiros que não é outra senão a conhecida Taboão, possivelmente, o primeiro centro comercial da nova cidade; mais abaixo, situa-se o Pilar, grande centro atacadista e seus trapiches, municiados pelo Cais do Ouro.

Esse blog já tratou dessa área há dois anos, e para que se possa entender melhor este processo de crescimento da Cidade de Salvador, vamos nos reportar à reportagem sobre a Baixa dos Sapateiros. Escreviamos: pouca gente se dá conta de quanto deve ser antiga a Ladeira do Taboão. Seu inicio dá-se na confluência entre a Ladeira do Pelourinho e a Ladeira do Carmo, recantos dos mais antigos. Nas proximidades, começou a cidade. Ai expusemos a foto abaixo da atual Ladeira do Pelourinho:

Ladeira do Pelourinho

Dizíamos: Ao seu final tem inicio a Rua ou Ladeira do Taboão. Em frente, de subida, a Ladeira do Carmo.
Como se sabe, as construções no Pelourinho são muito antigas. As primeiras da Bahia de antigamente. Em conseqüência, as pessoas que habitavam essa área e outras tantas que passavam por ela, na busca incessante de víveres para a sobrevivência, teriam se servido dessa descida para alcançar a Cidade Bahia.
E o faziam justamente descendo esta ladeira e pegando outra – Ladeira do Taboão- exatamente a nossa verdadeira Baixa dos Sapateiros. Completavam o percurso pelo chamado Caminho Novo do Taboão, que não é outro senão a Ladeira do Pilar, onde se concentravam os trapiches, principais casas de negócios daqueles tempos. Lá ficava o famoso Cais do Ouro ou Cais Dourado.
Ladeira do Pilar
Reparem a simetria dos prédios। Quase todos da mesma altura। Vejamos um comentário super significativo sobre a mesma: “Ao caminhar devagar pelas ruas, antes de chegar ao antigo elevador, é possível apreciar o visual dos prédios com suas fachadas em estilo art déco, com altura média de quatro a seis andares. O que impressiona é a simetria. Parecem miniaturas do legendário Empire State Building, de Nova Iorque, o maior exemplo desse estilo em todo o mundo”.

Cais do Ouro ou Cais Dourado
(atual Praça Marechal Deodoro)

Trapiche daqueles tempos - Ruínas do presente

Observávamos naquela ocasião sobre a Ladeira do Taboão: Era aqui a verdadeira Baixa dos Sapateiros! A versão de que a Avenida J.J. Seabra ganhou o nome de Baixa dos Sapateiros em razão da instalação de uma fábrica de sapatos por imigrantes italianos, não se sustenta. Eram muitos os sapateiros instalados no Taboão. Ainda existem alguns. Prova disto é que o comércio ainda hoje é muito inclinado para artigos de couro e suas variantes modernas de plástico, caracterizando suas origens.Completávamos: Por outro lado, a hoje Avenida José Joaquim Seabra, ainda não existia. No local passava o Rio das Tripas ou Camurugipe. Somente no final do século XIX foi feita uma drenagem e o rio foi tubulado a uma profundidade de 7 metros. Há notícias que no século XVIII o local reunia inúmeras hortas, daí a denominação de Rua das Hortas, como era chamado o local. Também o chamaram de Rua da Vala, por abrigar uma grande vala por onde desaguava o Rio das Tripas. Nada de Baixa de Sapateiros! A verdadeira fervilhava há muito tempo numa transversal da Rua da Vala, em direção aos Bairros do Comércio e do Pilar. A nossa hoje Ladeira do Taboão.

Mapa de 1550
Há de se reparar na parte superior do mapa o nosso conhecido Rio das Tripas, afluente do Camurugipe, onde hoje se acha a Avenida J.J. Seabra. Era assim a Salvador de 1550.
As duas setas azuis sinalizam o seu percurso.
Há notícias que no século XVIII o local reunia inúmeras hortas, daí a denominação de Rua das Hortas, como era chamado o local. Também o chamaram de Rua da Vala, por abrigar uma grande vala por onde desaguava o Rio das Tripas. Nada de Baixa de Sapateiros! A verdadeira fervilhava há muito tempo numa transversal da Rua da Vala, em direção aos Bairros do Comércio e do Pilar. A nossa hoje Ladeira do Taboão.

Ladeira do Taboão -Princípio do Século XX


Reparem a simetria dos prédios। Quase todos da mesma altura. Vejamos um comentário super significativo sobre a mesma:
“Ao caminhar devagar pelas ruas, antes de chegar ao antigo elevador, é possível apreciar o visual dos prédios com suas fachadas em estilo art déco, com altura média de quatro a seis andares. O que impressiona é a simetria. Parecem miniaturas do legendário Empire State Building, de Nova Iorque, o maior exemplo desse estilo em todo o mundo”.

Prédios da verdadeira Baixa dos Sapateiros।


Foi nessa rua que Ary Barroso se inspirou para compor a sua famosa “Baixa dos Sapateiros” em 1938. Diz-se que na época o excepcional compositor ainda não tinha conhecido a Bahia. Surgiu n' alma. Questão de genialidade!"Na Baixa do Sapateiro encontrei um dia a morena mais frajola da Bahia Pedi-lhe um beijo, não deu Um abraço, sorriu Pedi-lhe a mão, não quis dar, fugiu Bahia, terra da felicidade Morena, eu ando louco de saudade Meu Senhor do Bonfim Arranje outra morena igualzinha pra mim Oh! amor, ai Amor bobagem que a gente não explica, ai ai Prova um bocadinho, ô Fica envenenado, E pro resto da vida é um tal de sofrer Ôlará, ôlerê Ô Bahia Bahia que não me sai do pensamento Faço o meu lamento, ô Na desesperança, ô De encontrar nesse mundo Um amor que eu perdi na Bahia, vou contar Ô Bahia Bahia que não me sai do pensamento..."
 Belíssimo.


Ary Barroso - O homem da gaita

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