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sábado, 12 de fevereiro de 2011

TERREIRO DE JESUS – COMPLEMENTOS DA PRAÇA

O Terreiro de Jesus possui dois complementos ornamentais: o Cruzeiro de São Francisco e o Chafariz.
O chafariz, todos sabem , foi instalado no século XVIII, desde que construído em 1861 na França e o projeto é de autoria de Val Dosner. Sua estrutura é de ferro, acentada sobre uma base de mármore de Carrara, tendo ao centro uma bacia circular decorada com motivos fitomorfos. (Cachos de uvas e outras frutas). Em seguida, vê-se quatros grandes figuras seminuas, dois homes e duas mulheres que dizem, quer representar os 4 principais rios da Bahia: Jequitinhonha, Paraguaçu, Pardo e São Francisco. Ainda temos as figuras de 4 meninas com as mãos entrelaçadas. Por fim, uma escultura da Deusa Ceres, encimando o conjunto.

Ceres é considerada a Deusa da Abundância.

Ceres


Ceres, a deusa romana das plantas que brotam e do amor maternal, equivale à Deméter na mitologia grega. Ela era filha de Saturno e Cibele; era também amante e irmã de Júpiter. Normalmente era vista com um cesto de flores e frutos, um cetro e uma coroa feita de orelhas de trigo.

A palavra “cereal” deriva do nome da deusa romana, associando a imagem da deusa aos grãos comestíveis.
Aqui vale um parêntese. Gabriel Soares, o cronista do século XV/XVI, descrevendo determinado local de Salvador onde se encontrava, escreveu:

"ocupa este terreiro e parte da rua da banda do mar um suntuoso colégio dos padres da Companhia de Jesus, com uma formosa e alegre igreja…"

Foi a primeira pessoa a usar a expressão “terreiro” para uma praça.

Hoje como ontem, talvez, o significado da palavra terreiro, principalmente na Bahia, é local de cerimônia de cultos afro-brasileiros.

Longe estava a intenção de Gabriel Soares de comparar o Terreiro de Jesus com os terreiros de candomblé.

Logo, a expressão usada por ele tem muito a haver com um local de boa colheita de grãos, se é que havia ou pensava-se ter. Um local promissor para a lavoura.

Coincidentemente ou não, o chafariz, importante elemento decorativo da praça tem como principal figura humana a Deusa Ceres, da fartura, dos grãos comestíveis.



O chafariz do Terreiro de Jesus


A deusa Ceres encimada


Elementos fitomorfos e zoomorfos- frutas e peixes.
Belíssimo gradil - original
Dois homens e duas mulheres que dizem, quer representar os 4 principais rios da Bahia: Jequitinhonha, Paraguaçu, Pardo e São Francisco

Decoração no mármore do chafariz - todos os lados

De relação ao Cruzeiro de São Francisco sua instalação se deu em 1807, segundo consta gravado na base do monumento.
Cruzeiro de São Francisco e a Igreja।



O brasão destacado - Três setas cruzadas


A grande cruz

Há de se notar na base de mármore que sustenta a cruz um brazão com três setas cruzadas. O que isto significa? Vamos tentar de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Por exemplo o nome oficial da cidade é “Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e o dia 20 de janeiro – dia de São Sebastião - é feriado nesse estado. Pois bem. A bandeira do Rio de Janeiro tem essas três setas cruzadas


Brasão da Cidade do Rio de Janeiro


Vejam uma descrição desse símbolo por gente daquela terra:


“Na simbologia do Brasão de Armas do município do Rio de Janeiro, a cor azul do escudo representa a lealdade; as três setas cruzadas no centro remetem ao suplício de São Sebastião, padroeiro da cidade; e os ramos de louro e de carvalho simbolizam, respectivamente, a vitória e a força”.
Vejamos então o que foi o “suplício de São Sebastião”?

História de São Sebastião

A LENDA

..........Soldado estava nu. Roupas e pertences espalhavam-se pelo chão: um manto purpúreo, um elmo, sandálias, um saiote, insígnias de prata e uma faca de punho de osso. Amarram-lhe os braços atrás da cabeça, junto ao tronco de uma árvore. Afastaram-se. Eram nove arqueiros escuros e altos, com arcos que os superavam em altura. As aljavas às suas costas levaram setas de afiadas pontas de ferro.
..........Colocaram-se em posição. Esticaram os arcos. A primeira seta zuniu no ar e foi enterrar-se no corpo do soldado. Outras vieram, certeiras. Mas Sebastião não emitia uma única palavra. Mantinha os olhos fechados. E, a cada estocada, tremiam-lhe de leve as pálpebras.
..........Então houve um silêncio. Entre dor e dor, o soldado apurou os ouvidos à espera do zunido cortante. Abriu os olhos. Viu os arqueiros a distância, os arcos distendidos, atentos, espiando-o com curiosidade. Eles também esperavam. Um gemido de dor. Qualquer sinal de medo. Mas Sebastião apenas sorriu.
..........Desconcertados, os nove arqueiros baixaram seus arcos. Murmuraram entre si palavras de temor, guardaram as setas e partiram, deixando-o preso à arvore.
..........Depois que eles se afastaram, uma mulher dirigiu-se ao soldado. Era Irene, a viuva do mártir Cástulo. Sebastião, crivado de setas, pareceu-lhe um grande porco espinho. E perguntou a si mesma se não era por isso que ele se chamava Sebastião, que quer dizer “rodeado”. Ele vivera rodeado de mártires a quem reconfortava, e agora estava de setas. O soldado Sebastião era inteiro uma coroa de espinhos.
..........Irene o levou para casa, com ajuda dos filhos. Colocou emplastros de ervas sobre suas feridas. Deu-lhe de comer e beber.
.........- Tu és autêntico e corajoso – sussurrava-lhe ao ouvido enquanto ele dormia.
..........Dias depois, quando entrava em casa carregando uma pesada moringa com água, Irene viu a cama vazia. Compreendeu imediatamente. Era 20 de janeiro, dia da festa de consagração da divindade do imperador. Havia musicas nas ruas, bandeiras tremulavam entre os cortejos das legiões. Toda a cidade estava reunida no templo de Hércules.
..........Quando Sebastião apareceu diante do povo no altar do templo, o imperador ficou lívido, como se tivesse visto um fantasma.
.........- O Senhor restituiu-me a vida para que eu pudesse vir acusá-lo dos sofrimentos que infliges aos cristãos – falou Sebastião, para que todos ouvissem.
..........Os guardas passado o temor supersticioso, logo caíram sobre ele, cobrindo-o de golpes de bastão. O imperador ordenou então que o corpo fosse jogado num riacho fétido que cortava a cidade. Assim foi feito.

..........Porém naquela noite, um perfume doce e fresco, de lírios e jasmins, espalhou uma estranha felicidade pelos casebres miseráveis erguidos ao longo dos esgotos de Roma.”
São Sebastião nasceu por volta do ano 250 em Narbona, cidade do Império Romano que, naquele tempo pertencia à Gália, hoje sul da França.

São Sebastião cravado com três setas

Não deixa de ser um excelente indicativo.Fizemos a nossa parte. Resta aos teólogos explicar as ligações de São Sebastião com São Francisco. Deve haver uma explicação!

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