Faz alguns dias que focalizamos a Ladeira da Montanha –
oficialmente Ladeira Barão Homem de Melo- na série de “SUGESTÕES E IDÉIAS AO NOVO
PREFEITO”.
Concentramo-nos nos futuros projetos para a socialização da
área, mas antes disso, para hoje, agora, se faz necessário cortar o mato que
cresce nas suas encostas.
Esta mataria que estaremos mostrando adiante,
além do péssimo aspecto que causa, deve representar algum perigo às paredes de
contenção da grande via, provavelmente, uma das mais importantes de Salvador.
Afinal de contas, mesmo mato, seus galhos e raízes devem engrossar perigosamente e,
quando chove, o peso da água pode ajudar na queda de parte da encosta.
No mais, o aspecto geral é horrível. As casas estão desmoronadas. Não existe mais passeio. Lamentável que se chegue a esse ponto. Há que se tomar uma medida urgentte, não do prefeito que será empossado em 2013, mas do atual, sob pena de vir a ser culpado por uma tragédia.
Não pensem que as encostas são de aço. Elas podem desmoronar, como já aconteceu no passado.
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LEITURA OPCIONAL DOS LIVROS DO AUTOR
Estamos criando esta seção
absolutamente opcional. Temos alguns livros escritos, mas está difícil
publicá-los. É muito caro! Certa feita, tentamos fazer a inscrição de um deles
num desses concursos patrocinados pela Secretaria de Educação. Era destinado a
novos autores. Somos um deles. Contudo, a burocracia da inscrição foi maior que
a nossa vontade de participar. Sempre faltava um documento. Desisti na véspera da data de encerramento.
Mais tarde, conversando com um amigo, gente ligada ao governo, o mesmo nos
alertou que esses concursos são feitos com cartas marcadas. Inscrevem-se e
ganham quem eles protegem. Coisas de nosso país.
Quase no mesmo contexto, sabe-se
de autores protegidos por “livreiros”. Nem sempre se consegue ler os seus
livros até o fim. Não dizem nem acrescentam nada, mas vendem, graças à força
promocional que age por trás dos seus lançamentos.
Em não podendo participar de um
concurso e não tendo amigos livreiros, só nos resta o espaço desse blog que é
bastante lido. Mas antes de começar, tivemos o cuidado de selecionar assuntos ligados
à nossa cidade como, por exemplo, os alagados de Itapagipe, tanto o do Uruguai como
o do Porto dos Mastros. O primeiro deles se denomina “Alagados”. Parece uma
história interessante, mas quem vai confirmar isto serão os meus leitores.
Pedimos licença. Estaremos sendo julgados. Boa leitura, mas não se sintam obrigados.
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ALAGADOS
1
Bel e Cal eram tainheiros da
Ribeira. Moravam no antigo Uruguai, bem junto ao mar que ali chegava. Nas horas
de maré cheia pequenas ondas chegavam até as suas palafitas. Quando a maré vazava recuava
centenas de metros, quase não mais se vendo onde começava. O mangue do outro
lado o escondia entre os galhos. Em razão do recuo da maré, apoitavam, a canoa
com a qual pescavam, ora no canal em frente às suas casas se a maré da manhã
no dia seguinte estivesse vazia: se estivesse cheia, usavam a poita próximo as
suas palafitas ou mesmo amaravam-na num dos paus que as sustentavam. Agindo assim, evitavam o contratempo de
rebocá-la por longos metros pela lama. Era muito grande e quase impossivel. Sabiam dos ciclos da maré
pela lua. Quando ela estava em quarto crescente ou minguante, na manhã seguinte,
estava recuada; se era Cheia ou Nova,
quando amanhecia, as ondas batiam nas pilastras das palafitas.
A canoa dos dois pescadores fora
comprada em parceria. Ela fazia a travessia Ribeira-Plataforma, transportando
passageiros. Era uma canoa de bom porte. Devia ter seus 10 metros de
comprimento e boa largura. Antes, os dois amigos, tinham uma canoa cada um.
Pequenas e instáveis. Qualquer vacilo ou movimento brusco e elas viravam e se
perdia os peixes pescados. A canoa d‘agora era diferente. Permitia o arremesso
das tarrafas de um na proa e do outro na popa. Ao mesmo instante! Ela se
mantinha como que presa ao mar, absolutamente estável. Além do mais, possuía
uma guarnição de velas que incluía até uma bujarrona. Usavam-na quando iam pescar
em lugares mais longes, como em Freguesia ou mesmo Maré.
Próximo de suas palafitas morava
um senhor de nome Firmino. Dizia-se que era do norte do País e teria sido um
dos primeiros moradores do local. Morava
sozinho. Também pescava com uma pequena canoa. Diferentemente dos dois amigos,
a sua canoa vivia amarrada num dos paus de sua palafita. Ele só saia para pescar
na maré cheia, fosse que hora fosse.
Certo dia, Cal e Bel voltando de
uma incursão em Ilha de Maré com todas as velas ao vento, depararam-se com a
canoa do senhor Firmino virada no Canal da Ribeira e o homem seguro a ela. A
correnteza de vazante era forte e ele se distanciava da terra rapidamente.
Aproximaram-se do náufrago e
prestaram o devido socorro. Colocaram-no dentro da canoa e após desvirar a
pequena canoa do velho pescador, amarram-na na popa e seguiram em direção ao
Uruguai.
- Como aconteceu isto, senhor
Firmino, perguntou Cal?
- Então, vocês sabem meu nome?
- Quem não conhece o senhor no
Uruguai. Dizem que o senhor foi um dos primeiros moradores.
- É. Parece que sim, mas depois
eu explico isto. No momento, estou precisando tomar uma bebida quente. Vocês
devem ter algo. Estou morrendo de frio. Tem mais de uma hora que a canoa virou.
Perdi a tarrafa.
Deram-lhe aguardente. – Essa é
das boas, é Jacaré, falou Bel, passando a garrafa para o velho pescador.
Ao chegarem em terra, amarraram a
canoa de Firmino na sua palafita. Ajudaram-no a subir na palafita e quando se
preparavam para ir embora, Firmino os convidou para jantar com eles no dia
seguinte. Pescaria alguma coisa pela manhã. A maré estaria vazia e ele era um
especialista em siri mole.
- Vocês gostam de siri mole?
Vocês foram tão gentis. Poderia ter morrido.
- Claro senhor Firmino, mas não
se preocupe com isto. Não fizemos mais do que nossa obrigação. São leis do mar.
- Não, faço questão.
- Está bem, a que horas?
- Às 7 da noite: está bem para vocês?
- Está ótimo, estaremos aqui como
sem falta. Eu me chamo Cal e o meu amigo Bel.
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