ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

SHOPPING BELA VISTA – O NOVO SHOPPING DE SALVADOR



Faz poucos dias que publicamos uma postagem sobre a importância dos shoppings no crescimento urbano/positivo de uma cidade. Positivo? Sim! Desde que, por outro lado, há o crescimento negativo que é aquele cuja representação mais significativa foi a invasão dos Alagados em Itapagipe. Com sua implantação desordenada, Itapagipe triplicou ou quadruplicou a sua população e cresceu sua área na mesma proporção.Vejamos fotos via Google sobre o que acabamos de dizer:

Os espaços dentro dos contornos amarelos representam o que foi tomado do mar, ou seja, da grande Enseada dos Tainheiros. Milhões de metros quadrados e enchimento feito com o que de pior existe em imóveis residenciais e comerciais.
Concomitantemente, publicamos a área influenciada pelo Shopping Iguatemi
O traço em vermelho indica esta área.
Mais recentemente, inaugura-se mais um shopping em Salvador – Bela Vista – numa área que há pouco tempo ninguém pensava fosse possível, economicamente falando, ou seja, saída da cidade em direção a BR-324 – Salvador-Feira de Santana.
Verdade que já tínhamos nessa área, o Porto Seco Pirajá e, mais adiante, o Cia., mas entre esses equipamentos e o novo shopping há uma distância considerável.


Diferentemente da área do Iguatemi que na época de sua construção era mata virgem, ou quase isto, a área em torno do Bela Vista está repleta de aglomerados habitacionais espessos, tanto de um lado como do outro. Só o tempo dirá o que poderá acontecer.


LEITURA OPCIONAL
ALAGADOS

Resumo do capítulo anterior: Enquanto os pais já moravam nas ilhas, os filhos permaneciam morando no Uruguai por causa dos estudos, mas o bairro se tornara perigoso.  Bel constatou isso pessoalmente. Resolveu então comprar um apartamento para os três filhos morarem, bem como transferiu as ações dos frigoríficos para eles.


9

Na semana seguinte Alex foi ao escritório da corretora para pegar a escritura definitiva do apartamento. Foi atendido por Mariana, a filha do Sr. Rigoni.
- O senhor é filho do Sr. Bel? Uma pessoa decidida. Eu sou filha de Rigoni.
- Muito prazer. Vim buscar a escritura. Seu pai ligou informando que já estava pronta.
- É verdade. Vou buscá-la.
Alex reparou que a moça tinha um corpo belíssimo. Também era muito bonita de rosto.
- Está aqui. Você não quer um café ou uma água?
- Aceito um café.
- Está gostando do apartamento. Fui eu que o vendi ao seu pai.
- Estamos adorando. É um belo apartamento. Bem localizado. Com vista para o mar. Estamos satisfeitos.
- Trabalha com seu pai há quanto tempo.
- Em verdade, não trabalho fixo para o meu pai. Faço apenas alguns eventos para aumentar a mesada. Eu faço faculdade. Faculdade de Medicina. Estou no segundo ano.
- Eu também faço Medicina. Formo-me no próximo ano. Já estou estagiando no Hospital das Clínicas.
- Qual será a sua especialidade?
- Cirurgia Geral.  E você vai seguir o que?
- Quero ser pediatra.
- Que bom. Então somos colegas?
- Colegas e espero que sejamos amigos. Seu pai está morando com vocês?
- Não. Meu pai mora na Ilha de Maré.
- Ilha de Maré?  Não conheço a Ilha de Maré. Gostaria tanto
- Se você quiser podemos ir no domingo.
- Amaria. Posso levar meu irmão. Ele também faz faculdade. Engenharia. Está no terceiro ano. É mais velho do que eu.
- Como farei para lhe pegar. Você mora aonde?
- Moro em Itapuã. Mas não precisa você me pegar lá. É muito longe. Temos aqui em Ondina um kit net onde dormimos,  eu e meu irmão Jean, de segunda a sesta feira, por causa da faculdade. Ficaremos aqui no sábado. Pode ser?
- Claro. É só você me dá o endereço e o telefone para contato. Posso lhes pegar às 7 horas. É bom chegarmos cedo à ilha. O proveito será maior.
No domingo na hora combinada, Alex foi pegar Mariana e seu irmão. Mauro e Maria foram para a Ribeira no outro carro. A lancha do pai já estava ancorada na marina da Ribeira. Foi trazida pelo marinheiro que cuidava dela.
 - Agora vamos para a Ribeira. A lancha do meu pai já está lá. Meus irmãos foram diretos.
- Seu pai gosta de lancha?
-É. Ele sempre gostou de andar no mar. Foi pescador no Uruguai. Era um tainheiro. Na época tinha uma canoa. Hoje tem uma Casbrasmar 41, com a qual ele faz pesca oceânica com um amigo dele, mestre Firmino que você conheceu e, eventualmente é usada para trazê-lo a Salvador ou nos buscar.
- E ele vende o peixe lá mesmo em Maré ou em Salvador?
- Ele não vende mais peixe. Vendeu muito. Toneladas e mais toneladas. Hoje apenas se diverte. O peixe é oferecido às famílias pobres da ilha e amigos. Só exige uma coisa. Quando pega uns caçonetes e os dá aos amigos, pede-lhes que lhe convide para a moqueca. Suas empresas de pesca encarregam-se de vender. Ele tem um pessoal especializado. Aliás, ele acaba de passar as ações para nossos nomes eu e de meus irmãos.
Quando chegaram à Ribeira, Mariana se espantou com a beleza da lancha e sentiu quanto foi  mal educada ao perguntar se o pai de Alex vendia os peixes que pegava.  A lancha era um espetáculo.

    
 - Nunca vi lancha tão bonita. É de seu pai?
Outro procedimento inconveniente da menina, achou Alex. Já estava arrependido de tê-la convidado. Já estava imaginando quando ela visse a casa de Maré. O que iria pensar? Que meu pai é um ladrão. Roubou de alguém? Que seria um traficante internacional? Não sabia mais o que imaginar. Sem querer, achou necessário dizer àquela menina que o pai dele era um milionário e que ficou rico vendendo peixe.
- Mariana, meu pai é um cara muito rico. Teve e tem  indústrias de pesca. Trabalhou duro toda a vida. Merece ter o que tem hoje.
- Alex, estou apenas admirada.  Aprecio as pessoas que venceram na vida. Meu pai também foi assim. Veio do nada e hoje também pode ser considerado um homem rico.
Rapidamente chegaram à Maré. Mariana ficou encantada com a casa de Bené, mas teve o cuidado de não fazer nenhum comentário. Poderia ser de novo mal interpretada. Notou que Alex ficou desconfortável quando ela perguntou se o pai vendia o peixe que pescava. Se fosse ela, diria que vendia mesmo. Qual é o problema?. Também não gostou quando manifestou admiração pela lancha. Realmente nunca tinha visto nada igual. Foi algo espontâneo, absolutamente natural. Doravante, tomaria mais cuidado! O Alex parecia ter um problema com relação à riqueza do pai. Casos como tais surgem quando há algo de ilícito na formação da fortuna. Não sabia se era o caso do pai de Alex.
Efetivamente, Alex sabia que a fortuna do pai tinha se iniciado de uma forma hábil, mas não ilícita. Todas as pessoas que moravam no Uruguai e que possuíam casa ou negócio ficaram com o espaço correspondente.  O pai tinha currais de peixe. Alcançava uma grande área. Sabia também que a Prefeitura concedeu ainda mais espaço para a construções de casas Sabia que havia um largo déficit habitacional com a chegada de muitos trabalhadores oriundos do recôncavo e das ilhas. Que a Prefeitura não tinha recursos para construir as casas no aterro que se fizera. Que as pessoas e as empresas mais capitalizadas foram procuradas para assumir essa responsabilidade. A do seu pai foi uma delas.
 Os jovens divertiram-se a valer em banhos de mar e passeios em lombo de burro pelas trilhas de Maré e até pelas praias. O pai tinha mandado preparar uma moqueca de caçonete. Firmino foi o responsável. Adoraram! Lá pelas 4 horas da tarde retornaram a Salvador. Alex levou Mariana e o Jean até Itapoã, onde eles moravam. Não saltou do carro. Alegou que já era tarde e não queria dirigir à noite. Prometeu voltar a se falar por telefone. Mauro e Maria foram diretos para o apartamento.
- O que vocês acharam de Mariana? Perguntou Alex aos irmãos.
- Parece ser uma boa moça, respondeu Mauro.
- Muito inteligente por sinal foi a vez de Maria. E você o que achou?
- Ainda não formei um juízo sobre ela, por isso perguntei.
No dia seguinte ainda cedo, Alex recebeu uma ligação do pai de Mariana. Estava agradecendo a acolhida que seus filhos tiveram em Maré e os estava convidando para um almoço no domingo seguinte em Itapoã. Fazia questão que Bel e esposa também viessem, bem como Firmino que ele também conheceu.
Alex ligou para Maré e todos concordaram em vir.
A casa do senhor Rigoni era também uma beleza. Piscina, quadra de tênis. Frente para o mar de Itapoã. Um privilégio. A senhora do senhor Rigoni, dona Lúcia, muito simpática. Mariana parecia muito com ela. Tinha pouca coisa do pai. Almoçaram camarões de diversos tipos: de salada, de ensopado, de moqueca.
Na parte da tarde os meninos foram comer acarajé e abará na barraca de Cira, famosa “baiana” de Itapoã.
Alex evitou fazer qualquer comentário sobre a beleza da casa da amiga. Temeu um revide. A de seu pai é bem melhor, poderia dizer. Conversaram muito sobre a faculdade. Por sua vez Jean e Maria se entendiam cada vez mais. A afinidade começou em Maré.
Bené, Firmino e Rigoni ficaram a conversar em torno da piscina.
- Agora é a vez de você ir até Maré. Vamos combinar um domingo desses. Poderemos combinar uma pesca oceânica. O senhor já pescou?
- Não, nunca pesquei. Tenho amigos pescadores aqui na colônia de Itapoã, mas nunca me arrisquei  no  mar. Para lhe dizer a verdade, a única vez que eu pesquei foi em Jacuipe em cima da ponte. Peguei alguns siris. Há quanto tempo o senhor pesca?
- A vida toda.
- Como assim?
- Fui pescador em Itapagipe. Era um tainheiro. Depois fiz um curral de peixe, idéia do Firmino. O curral pescava por mim é verdade, mas sempre estive junto do peixe. Tenho um frigorífico na Calçada e outro em Saubara e por ai sigo sempre lidando com peixe. Acabei de passar as coes desse frigorifico para meus filhos. Meu amigo Cal também fez o mesmo como os filhos deles. Quando fui para Maré comprei uma lancha com a qual saio quase todos os dias para pescar, mas aí já é mais uma diversão do que negócio. Todos os peixes que pegamos são dados à comunidade de Maré. E o senhor há quanto tempo vende apartamentos?
- Também há muito tempo. Meus pais eram emigrantes italianos. Tinham uma pizzaria. Talvez tenha sido uma das primeiras pizzarias de Salvador. Eu era filho único. Desde muito menino ajudava meu pai na pizzaria. Quando ele morreu tentei dá prosseguimento ao negócio, mas não deu certo. A freguesia que era de meu pai se afastou. Coloquei a pizzaria à venda. Tinha um amigo que era corretor. Ele se encarregou de vender o imóvel. Depois ele me chamou para trabalhar com ele. Estou neste negócio, desde então. Já fiz para mais de 50 lançamentos.
Após duas semanas, a família Rigoni foi à Maré. Bené mandou a lancha pegá-los na Ribeira. Os filhos de Bel já estavam na ilha. Tinham começado as férias.
Logo foram acomodados, Rigoni e o filho Jean  aceitaram o convite de Bel para uma volta pelas ilhas. Firmino também estava presente. Talvez pescassem um pouco.
- Vamos passar rapidamente em Itaparica para pegar Cal, meu grande amigo.
Milena também embarcou. Após um rápido tour por algumas ilhas, resolveram fechar o passeio com uma tentativa de pescar algum peixe.  E, nesse dia o mar estava para peixe. Pegaram um Marlim de mais de 2 metros. Tiraram foto do peixe se debatendo.

Ainda pegaram outros peixes, notadamente pescadas e pequenos atuns. Rigoni ficou encantado. No dado momento Firmino lhe passou o molinete e ele ficou ainda mais maravilhado.
- E eu só vendendo imóveis e os peixes aqui me esperando. Vou comprar uma lancha. Isto que é vida.
Voltaram por volta das 13 horas. Os peixes foi dados aos pescadores da Colônia, liderada por Mestre Ju. Novas fotos foram tiradas do Marlim. Foi uma atração inesperada para os turistas e veranistas. Para todos.
Efetivamente, Rigoni comprou uma lancha e virou um aficionado do esporte. Praticamente, todos os fins de semana esperava a lancha de Bené na Boca da Barra e as duas lanches seguiam para o alto mar, cerca de 20 milhas da costa. Nessa distância, era aconselhável sempre ir duas lanchas. Era uma recomendação da própria Marinha. Se alguma desse defeito, a outra rebocava.
Dados por satisfeitos, Rigoni se dirigia para Itapoã e Bel para Maré. Em Itapoâ Rigoni vendia os peixes para defender a gasolina e em Maré, Bel continuava dando os peixes. Uma questão de princípios. Os dois estavam certos!




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