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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

MAIS DE DUZENTAS MIL VIZUALIZAÇÕES


(usar o zoom para ver melhor)

Sempre dissemos e reafirmamos que a divulgação de números é importante. No caso, números de acessos ao nosso blog até então: 204.111.

Esse número sem dúvida indica uma boa aceitação das postagens. Todas foram feitas com muito cuidado, muita pesquisa, com amor de escrever.

Não nos aventuraríamos nesse feito se não fosse com muito apuro. O nosso público parece ser constituído na sua maior parte de estudantes, professores e pessoas outras interessadas na história de Salvador.

Nesse caso, aumenta a nossa responsabilidade!

No que diz respeito à LEITURA OPCIONAL que estamos acrescentando a cada postagem com a edição de um de nossos livros pela internet (ALAGADOS), certamente vai ajudar na junção de mais gente em torno do blog, contudo, não foi esta a intenção. O assunto que este livro trata diz respeito a duas das maiores invasões de mar que o mundo já viu – Os Alagados do Uruguai e os Alagados do Porto dos Mastros. Fazem parte da Historia de Salvador.

Claro que a forma como esses locais foram invadidos é fictícia, mas poderia ter sido mais ou menos da forma como escrevemos.

O AUTOR

LEITURA OPCIONAL
 
ALAGADOS
 
Resumo do capítulo anterior: Bel e Cal foram chamados por Firmino em Ilha de Maré. Este lhes comunicara que o aterro do Uruguai teria começo...
6
 
Passaram-se quatro anos até que um belo dia apareceu uma carreta da Prefeitura e despejou sua carga na beirada do mar, próximo às casas de Cal e Bel. Puro lixo. Começava o aterro do Uruguai. Daí em diante, dia e noite, o aterro foi avançando e já alcançava as redes do curral.
Ligaram para o mestre Firmino.
- O que fazer agora?
- Contrate um bom advogado. Promova uma reunião na Associação dos Amigos do Bairro do Uruguai. Coloque faixas nas principais ruas convidando o povo.
- Para que isto Firmino. O senhor não nos disse que a posse do espaço era legal?
- Continua legal, mas vocês sabem como é política. As coisas podem mudar. É preciso causar impacto. Algo que chegue ao conhecimento da imprensa. Drama social, essas coisas.
- Que dizeres colocaremos nas faixas?
A PREFEITURA CONTRA O URUGUAI – ESTÃO ATERRANDO NOSSA INDÚSTRIA – ESTÃO ACABANDO COM O “ORGULHO” DO BAIRRO DO URUGUAI – COMPAREÇAM À NOSSA REUNIÃO- DIA TAL- HORA TAL., por aí...
Na hora e dia tais, Cal discursou para uma grande platéia reunida na sede da Associação. Tinha um surpreendente desembaraço para falar. Bel estava a seu lado.
- A única indústria do bairro está sendo destruída com lixo. Estão preferindo lixo a uma indústria que era o orgulho do bairro. Ela proporciona emprego para muitos dos senhores Não podemos ficar parados. Isto é um abuso de poder.
Depois foi a vez de o senhor Maneca falar. Era um bom orador. Enfatizou as doações de peixe que os moradores recebiam, tanto diretamente quanto através da Associação.
- Querem nos matar de fome! Querem nos envenenar com este lixo. Dele haverá de se desprender gás tóxico. Estão destruindo nossas moradias.
Depois discursou o vereador Demóstenes, o Demostinho, como era mais conhecido.
- Fiz tudo na Câmara para impedir esse aterro. Estão cometendo um crime contra a propriedade privada. Haveremos de defender nossos direitos até a morte.
Resolveram procurar o advogado para ver o que se faria.
-Tenham calma! Não havia necessidade das reuniões que vocês fizeram. Ao que tudo indica, a Prefeitura vai respeitar o direito de posse, tanto residencial quanto comercial. O que se precisa fazer é definir o tamanho de cada posse. De relação às casas ou palafitas, essas dimensões são bem claras e definitivas. Preocupa-me a determinação do tamanho dos currais e a área abrangente, isto é, o alcance do sistema de pesca. Faz-se necessário marcar este espaço de alguma maneira. Vocês têm uma ideia como isto poderá ser feito.
 
- Um momento, doutor, vou ligar agora para o Firmino. Ele conhece isto aqui melhor do que ninguém. Talvez ele dê uma ideia, agora mesmo.
Explicaram o que estava acontecendo e de pronto Firmino sugeriu sinalizar toda a área com placas indicativas com o nome da empresa desde as palafitas até as partes mais ao largo dos currais e até às palafitas.  
-Boa ideia, exclamou o advogado. Façam isto imediatamente. Tirem fotos e as traga aqui, se possível amanhã. Entrarei com uma petição no Departamento de Obras da Prefeitura, informando o tamanho do espaço delimitado e a quem pertence. Preciso do CPF de vocês e uma xérox de suas carteiras de identidade.
Certo dia, Cal percebeu a presença de pessoas ligadas à Prefeitura rondando a área. Parecia que estavam concentrados justamente no espaço onde foram os currais Faziam medidas. Anotavam. Usavam aparelhos de topografia e fitas métricas.
Uma semana depois, receberam uma correspondência da Prefeitura entregue na sede da Associação dos Amigos do Bairro do Uruguai que não foi atingida pelo aterro. Belarmino Alves e Calixto dos Santos estavam sendo convidados a comparecer à Prefeitura, Departamento de Obras Públicas. 
Tomaram um choque. De imediato ligaram para o advogado.
- Certamente, eles querem conversar. Saber o que vocês pretendem fazer com aquela área. Possivelmente não permitirão a instalação de indústrias, nem mesmo a de pescas como era a de vocês, algo por aí, tenho a impressão. Estou sabendo que neste espaço que vai até a Maçaranduba, eles querem a construção de casas.
 
Foram recebidos pelo diretor. – Os chamei aqui para lhes comunicar que vamos iniciar a urbanização e como os senhores são os proprietários da maior área, preciso lhes dar ciência de nossos planos. Precisamos que se construam no local muitas casas. Esta foi a finalidade do aterro. Como os senhores devem saber, sofremos forte campanha na Câmara e, consequentemente, na imprensa, contra esse aterro. Dizíamos que a idéia era a construção no local de muitas residências a fim de diminuir o débito habitacional. A oposição contra-atacava dizendo que só daqui a 50 anos esse débito seria equacionado e se o fosse, seria com barracos da pior qualidade. A Prefeitura não tem recursos para fazer coisa nenhuma. O orçamento estava estourado, essas coisas. Efetivamente, falta-nos recursos para construir as casas. Daí estarmos precisando da iniciativa privada para tanto. É o caso dos senhores que sabemos têm recursos para “topar” esta parada. Outro empresário, dono de uma indústria no Largo do Papagaio já assinou um convênio conosco. Vai construir mais de mil casas populares. No caso dos senhores, quantas pretendem construir?
- Bel e Cal entreolharam-se, mais o advogado e Bel falou: mais ou menos a mesma coisa. 
- Ótimo! Então, vocês vão precisar de mais terreno. Façam uma petição requerendo mais espaço. Serão imediatamente atendidos Outra informação, já ia me esquecendo. O Banco do Brasil e alguns bancos particulares já assinaram convênios com a Prefeitura para custear a construção, caso os senhores necessitem de mais capital.
Os dois amigos e o advogado entreolham-se surpresos. Quase não estavam acreditando no que estavam a ouvir. Tanto esquema, tanta preocupação com marcações e os homens estão dando de graça mais terreno. Era inacreditável. Ligaram para Firmino.
- Firmino não lhe conto. Somos proprietários de grande faixa do aterro que fizeram. Compreende a área onde funcionavam os currais até junto às nossas casas e ainda cederam mais outro espaço igual ou superior ao que tínhamos. Somos os donos do Uruguai.
- Isto merece uma comemoração. Vamos tomar uma cerveja no primeiro bar que encontrarmos. Era Bel, o mais eufórico, ao saírem do gabinete do diretor.



 

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