ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

sábado, 15 de setembro de 2012

SHOPPING IGUATEMI SALVADOR - ÁREA EM TORNO


Área em torno do Iguatemi

Dois movimentos de ordem econômica ocorreram em Salvador nas décadas de 1940/1950 e 1970/1980, ocasionando um crescimento urbano dos mais significativos de nossa cidade. Referimo-nos à implantação das indústrias (36) no chamado Pólo Industrial de Itapagipe entre 1940/1950 e a construção do Shopping Center Iguatemi em 1975.
Diz-se muito, equivocadamente, que esse crescimento deu-se tanto na Cidade Baixa quanto na Cidade Alta, em razão das características de nossa cidade, contudo, no caso do Iguatemi, não se pode considerar seja esta localidade como fazendo parte da Cidade Alta. Seria mais um terceiro plano de nossa urbes, desde que localizado na altura do mar. Outro caso nesse contexto é a Baixa dos Sapateiros que, em não sendo na altura da Praça Municipal, não pode e não deve ser tida como sendo Cidada Alta.
As conseqüências desse crescimento são díspares. Enquanto no hoje Iguatemi (nome do bairro criado após a instalação do shopping), o crescimento urbano  foi de primeira qualidade com belas casas e extraordinários edifícios, tanto residenciais quanto comerciais. Na Cidade Baixa, desde toda Península de Itapagipe até o Subúrbio Ferroviário, esse crescimento deu-se no nível mais baixo que se possa imaginar; aliás, rigorosamente, houve um decréscimo da qualidade urbana, mesmo de qualidade de vida.

Contribuiu muito para isto, a invasão do mar da Enseada dos Tainheiros – algo em torno de 3 a 5 milhões de metros quadrados - somando a invasão da Bacia do Uruguai entre 1940 e 1950 com a invasão do Porto dos Mastros, entre 1950 e1960.
Nesta enorme área foi construído o que de pior existe em termos de imóveis, desde as horrorosas palafitas em cima do mar e da lama até as casas disformes e indefinidas construídas nas encostas do grande paredão que vai de São Caetano até Paripe, mesmo São Thomé, passando por Santa Luzia, Lobato e Plataforma.
Acresce a esta indefinição urbana a falta de qualquer nível de infra-estrutura , ou seja, saneamento básico, principalmente água e esgoto e no que se refere a eletricidade, funciona no local o chamado “gato” proporcionado pela energia advinda das ruas e avenidas próximas(iluminação pública).
Porque houve essa diferenciação de ocupação? No que se refere à Cidade Baixa, o Pólo Industrial ali implantado nas décadas de 1940/1950 atraiu pessoas das ilhas em torno da Baía de Todos os Santos e do chamado Recôncavo Baiano, após o declínio das atividades econômicas que essas localidades tiveram à época dos trapiches e mercados de Salvador, localizados justamente na Cidade Baixa. Poder-se-ia dizer, à época dos saveiros de velas de içar. Toda essa gente pensou em se empregar nas indústrias daquela época e em não tendo lugar para todos e em não sendo vantagem retornar às suas terras, esse pessoal se alojou nas encostas dos morros do entorno de Salvador e o fez da pior maneira possível ou como era viável, por falta do mínimo recurso financeiro.
Já os caminhos de ida para Iguatemi caracterizou-se, primeiramente, pelo luxo das instalações do novo shopping; pela posse de terra de grandes e ricos proprietários ou, até mesmo, por pessoas ligadas à política e que foram beneficiadas com a informação que naquelas imediações seria construído um grande shopping e grandes avenidas para lhe dá acesso.
Caso semelhante de relação a políticos “bem informados” aconteceu no Porto Seco Pirajá. Tem gente por aí que tem entre 10 a 20 galpões em seu nome e de sua propriedade. Tiveram acesso à informação da futura obra e foram lá e compraram todos os terrenos que ninguém queria e estavam loucos para vender ao primeiro “louco” que aparecesse, mesmo que fosse por poucos cruzeiros (moeda da época).
A oportunidade é única para resgatarmos uma antiga dívida desse blog  sobre o Shopping Center Iguatemi. Enquanto já fizemos duas postagens sobre o Shopping da Barra no Chame-Chame – outro pólo de influência – não tínhamos feito nada sobre o Iguatemi. Façamo-la agora:



Primeiramente de relação a origem de seu nome – Iguatemi-  Vem do chamado “tupi-guarani” e significa “Lago ou Lagoa Verde ou Esverdeada”, formada pela junção dos vocábulos guaranis, podemos assim dizer, respectivamente:

“iguai= lagoa, lago e temi= verde ou esverdeada.

À título de curiosidade, Iguatemi também é o nome de uma cidade em Mato Grosso, chamada Cidade de Iguatemi, município situado ao seu da região Centro-Oeste do Brasil, no Sudoeste de Mato Grosso do Sul (Micro região de  Iguatemi a 461 da capital estadual (Campo Grande) e 1.415 da capital federal (Brasília)
Localização: Av. Tandredo Neves, 148
Inauguração: 5 de dezembro de 1975 (36 anos)
Proprietário: Aliansce/LGR/RABR/BICAR/NRM
ÁREA: 81.148 m
LOJAS: 532
Iguatemi 

LEITURA OPCIONAL
Resumo: OS DOIS AMIGOS PASSARAM A MORAR NAS ILHAS. OS FILHOS PERMANECERAM EM SALVADOR POR CAUSA DOS ESTUDOS

ALAGADOS
Passaram-se cinco anos e as duas famílias se estruturaram cada uma a sua maneira. Alex, o filho mais velho de Bel estava prestes a se formar em Medicina, Mauro em Engenharia e Maria cursava Odontologia. Estava no segundo ano. Já os filhos de Cal, Carlos já estava formado em Administração e o pai lhe dera um galpão onde ele montou um mercado, O Calixto. Já Milena formara-se em Enfermaria e já trabalhava em um hospital em Itaparica. Era enfermeira-chefe.
Felizmente, as famílias estavam bem. Bel e Cal também estavam bem. Os dois agora descansavam e procuravam gozar a vida cada qual a sua maneira e da melhor forma possível, dentro dos conceitos que cada qual tinham.  Bel gostava de fazer pesca oceânica e tinha como companhia constante o mestre Firmino e às  vezes do Mestre Ju. Cal  gostava de plantar. Seu sítio tinha todos os tipos de árvores frutíferas que pôde colher, além de uma belíssima horta.
A casa que Bel tinha mandado construir em Maré, já fazia algum tempo, fora implantada no alto da Praia da Areia.
A de Cal ficava na Ponta de Areia.
Os dois amigos revezavam-se nas visitas. Ora Bel ia a Itaparica; ora Cal ia a Maré. Os filhos e esposas estavam sempre presentes. Cada vez menos iam a Salvador. Os assuntos comerciais eram tratados por telefone com o contador que agora gerenciava o frigorífico da Calçada e com o Gerente Industrial que administrava o curral de Saubara e seu frigorífico. Fazia-se também contato com o Gerente de Vendas, responsável pela comercialização do pescado. O frigorífico da Calçada fora mantido, desde que recebia de Saubara as quantidades necessárias para o atendimento de clientes da capital.
Parecia que os dois amigos tinham dado como encerradas suas atividades. Davam-se como satisfeitos pelo que fizeram. Precisavam gozar um pouco da vida que lhes restavam. Sem se dizerem, fizeram como que um pacto com o ócio.
O mestre Firmino, sempre atento, achava que apenas uma etapa fora cumprida. Se nos negócios foram bem e os dois agora estavam ricos, no trabalho com os filhos havia algo a desejar. Verdade que os meninos vinham todos os fim de semana para as casas dos pais, mas afora isto, quase não os via. Chegavam, pegavam as lanchas e desapareciam. Voltavam lá pelas 3 horas para almoçar e já partiam de volta para Salvador. Tanto os de Bel, quanto o de Cal. As meninas já eram mais chegadas. Milena porque já morava com os pais e Maria porque gostava de conversar com a mãe.  Também Firmino estranhava que os filhos continuassem a morar nas pequenas casas que lhes couberam, apesar da riqueza dos pais. De estranhar também era o fato de que, nenhum dos rapazes tinha carro, um prazer cada vez mais comum de qualquer jovem.
Certo dia quando estava a pescar com Bel na boca da barra à procura de pescadas e albacoras, indagou-o corajosamente – Você conhece bem seus filhos?
Bel chegou a largar o molinete de surpreso.
- O porquê dessa pergunta? Há alguma coisa que eu não saiba?
- Não, pelo amor de Deus. Eu como padrinho de um deles, estou sempre preocupado. Acho que você deveria ir mais vezes ao Uruguai. Segundo eu sei, faz muito tempo que você não vai lá.
- É verdade, faz muito tempo, praticamente, desde que inauguramos o condomínio.
-Já são quase cinco anos.
- Não acredito que o tempo tenha passado tão rápido. A vida aqui em Maré corre que ninguém sente. Você tem razão. Amanhã mesmo vou até o Uruguai. Vou ver como vão as coisas por lá.
Bel  chegou ao Uruguai  por volta das 8 horas. Saiu de Maré às 7. Firmino o trouxe de lancha até a Ribeira. Bateu na porta da casa dos filhos e Maria veio atender.
- Pai, que surpresa! Estamos tomando café, o senhor chegou na hora certa.
Os dois outros filhos vieram abraçá-lo.
- Que novidade, pai. Tem tempo que o senhor não aparece por aqui e quando vem não avisa a ninguém. Já íamos sair tão logo tomássemos o café. Era o Alex, o filho mais velho.
- Resolvi vir ontem à noite.
- Que o trás aqui?
- Queria ver como anda o condomínio. Vou dar uma volta por aí, mas gostaria de almoçar com vocês. Quero comer uma carne. Em maré só como peixe e camarão e os carapicús do velho Firmino.  Pode ser?
- Claro pai. Podemos almoçar na orla. Lá tem boas churrascarias. Tenho uma aula prática no Hospital das Clínicas e podemos marcar às 12 horas na porta. De lá iremos pegar Mauro e Maria em suas faculdades. Está bem para o senhor?
Está ótimo!
Os filhos se despediriam e Bel se dirigiu primeiramente à casa do senhor Maneca.
- Que prazer seu Bel. Quanto tempo que não o vejo. O senhor está ótimo. Está até mais moço.
- !!!  O prazer é meu seu Maneca. Como andam as coisas por aqui?
- Seu Bel, não lhe conto. O bairro está cheio de marginais. Não se pode andar mais de noite. Você é assaltado na primeira esquina.
- O que? Você sabe a que horas meus filhos costumam chegar?
- Muitas vezes vejo-os saltar do ônibus já de noite.  Sete ou oito horas e ainda andam um bom pedaço até a residência deles.
- E a Associação do Bairro, como anda?
- Acabou seu Bel. Ficou devendo não sei quantos aluguéis. Não pagou e foi despejada. O proprietário do imóvel onde ela funcionava quis entrar na justiça, mas desistiu da ação quando soube que a Associação não tinha nenhum registro. Era absolutamente clandestina, mas se sustentava graças a interesses políticos, principalmente do Demostinho quando era vereador. Quando ele não foi reeleito, a Associação não teve como se sustentar.
- Você podia me acompanhar? Quero ver como andam as coisas por aqui, especialmente o condomínio. Esse povo está sabendo conservá-lo?
- Que nada seu Bel. As casas estão sujas. Ninguém pinta nada. A fuligem dos ônibus e caminhões está sujando tudo.
- Estou esquecido, onde fica mesmo o mercado do Carlos, filho de Calixto?
- É logo ali. Vamos
Bel deparou-se com um grande supermercado. No alto, em letras garrafais estava escrito, CALIXTÃO.
aaaaaaaaaaaaaaaa- Mas como isto cresceu. Como aconteceu?a
- Derrubaram o antigo galpão. Compraram não sei quantas casas ao redor e construíram esse monumento.
- Carlos está?
- Quem é o senhor?
- Meu nome é Bel.
- Só Bel?
-Só.
- Vou ver se ele pode lhe atender.
- Doutor Carlos tem aqui um senhor querendo falar com o senhor. Diz chamar-se Bel. Ah! Tudo bem vou mandar ele subir.
- Senhores, aquele escada. A primeira sala à direita.
Quando Bel abriu a porta deparou-se com uma sala de reunião onde se encontravam mais de 50 pessoas sentadas. Num elevado à frente, lá estavam Carlos e uma moça. A um sinal de espera, Bel e o senhor Maneca sentaram-se em cadeiras próximas.  Carlos continuou na sua fala. Falava de promoções, merchandising, marketing, propaganda em TV. Em seguida deu como encerrada a reunião. Levantou-se e veio em direção à Bel. A moça continuou sentada onde estava.
- Que surpresa seu Bel. Desculpe a demora. Vamos para meu gabinete.
- E ai, o que o trás aqui?
- Uma simples visita. Queria saber como você estava e conhecer a sua loja.
- Esta loja que o senhor fala é o maior supermercado da Cidade Baixa. Cresci muito. Tenho mais de 20.000 itens à venda. São quase 80 funcionários. Os que o senhor viu aqui são os mais graduados.
- Você está de parabéns. Estou contente pelo seu sucesso. Preciso ir. Só foi uma visita rápida. Como vai seu pai? Tem algum tempo que não o vejo. Não tenho ido a Itaparica nem ele a Maré.
- Ele teve algumas complicações de saúde, mas agora já está bem.
- Não sabia.  Diga a ele para me ligar.
- Direi seu Bel. Ah! Minhas desculpas quero lhe apresentar minha noiva. Vamos nos casar. Fernanda chegue até aqui, quero lhe apresentar um grande amigo do meu pai.
Ao se aproximar Bel reparou que a moça era bonita, mas não era simpática. Muito mais alta que ele e ainda assim, usava sapatos altos. No trabalho deveria pelo menos usar um sapato baixo. Estaria mais adequado e compatível com a altura de Carlos que saíra ao pai.
- Foi um prazer lhe conhecer. Trate bem desse menino. Até outra vez.
Bel  tinha esse dom ou esse mal. Gostava ou não gostava das pessoas só em vê-las. Sem dúvida que era uma precipitação achar que a noiva do Carlos era antipática e outras coisas. Era uma coisa instintiva. Tomara que a escolha dele esteja certa e a menina seja uma boa esposa.
Firmino comentava que essas percepções de Bel eram coisa de pescador. Só em olhar o mar sabia se ele estava bom para pescar ou não.
- Seu Maneca agora quero andar um pouco pelo bairro e logo percebeu que a maioria das casas, tantas as residenciais como as comerciais, estavam gradeadas. Verdadeiras fortalezas. A coisa devia estar braba por aqui.
- Seu Bel tem assalto todos os dias. Os caras apontam uma arma para o comerciante e exige esta ou aquela mercadoria. Todos são traficantes. Assaltam para se drogar e se drogam para roubar.
- E é gente daqui ou de fora?
- Tudo gente daqui. São pessoas que vieram para cá atraídos pela possibilidade de emprego nas indústrias que se instalaram por toda Itgapagipe, mas a procura de mão de mão de obra é muito menor do que a oferta. Aí não voltam mais para as suas terras. Permanecem aqui e começam a roubar para não morrer de fome.  À noite ninguém pode sair às ruas. Cobram até “pedágio” para a circulação, no caso de uma necessidade. O comércio fecha às 5 horas da tarde.
- Pelo amor de Deus e meus filhos vivendo nesse meio!
As 11.30 Bel pegou um taxi e se dirigiu até o Hospital das Clínicas. Alex já o estava esperando na porta.
- Pai. Com o mesmo carro iremos pegar Mauro e Maria em suas faculdades e de lá vamos para a orla.
Após o almoço, Bel fez uma pergunta geral. – Vocês estão satisfeitos em continuar morando no condomínio?
- Porque pergunta pai?
- Alex, esta manhã estive sabendo de umas coisas nada agradáveis que estão acontecendo no bairro, inclusive cobrança de “pedágio” para quem anda de noite pelas suas ruas. Vocês estão sabendo disto? Já pagaram  “ pedágio”?
Os três irmãos entreolharam-se entre si.
- Já pai. Sempre pagamos, exclamou Mauro.
- E sua irmã não está correndo o risco de sofrer algo mais grave?
- Vou ficar em Salvador esses dias. Vou chamar Firmino. Ficaremos em um hotel. Tratarei de arranjar um apartamento para vocês morarem num bairro digno. O Uruguai não é mais confiável.
Nesta mesma tarde, Firmino aportava a lancha na Ribeira e com duas sacolas de roupas foi se encontrar com Bel. Hospedaram-se em Ondina. À noite consultaram a lista telefônica à procura de uma corretora. Tinha uma bem perto do hotel. Também à noite ficaram atentos aos anúncios veiculados na televisão sobre novos apartamentos. Gostaram de um deles. Tomaram nota. Coincidentemente, a corretora era a mesma que haviam visto na lista telefônica. Havia mais dois lançamentos sendo anunciados da mesma empresa. Logo cedo alugaram um carro com motorista. O próprio hotel providenciou.
- Sim, senhores, o que desejam? Era a recepcionista da corretora de imóveis.
- Vimos o anuncio na televisão sobre determinado apartamento na Barra. Com quem tratamos?
- Um momento.  Vou encaminhá-los ao nosso diretor.
Chamava-se Alfredo Rigoni. Era alto e forte. Aparentava ter uns cinqüenta anos. Bastante calvo. Usava óculos de aros grossos. Timbre de voz altíssimo. Ecoava pela sala. Andava como que apressado. Passos largos.
- Eu me chamo Bel e meu amigo, Firmino. Vimos um anuncio na televisão sobre determinado apartamento na Barra. Estamos interessados nele.
- É bastante caro.  Posso sugerir algo mais em conta?
Bel olhou para Firmino. Firmino fez uma careta de surpresa.
- Não estamos acreditando no que o senhor acabou de dizer. Dizíamos que estávamos interessados em determinado apartamento na Barra e o senhor diz que ele é caro; que tem outro mais em conta. Praticamente, o senhor está nos botando para fora de sua sala. Seu tempo deve ser muito precioso para atender a dois caipiras que “ameaçam” morar na Barra e estão aqui de brincadeirinha.
- Oh! Pelo amor de Deus. Não é nada disto. Apenas quis lhes oferecer o
- Peço-lhes mil perdões. Por favor, sentem-se. Talvez tenha sido infeliz. Os senhores têm toda a razão. Sou um desastrado. É a agitação dessa vida. Dona Margarida traga um café para os senhores, ou os senhores preferem água, um refrigerante?
Bel e Firmino perceberam que o homem estava todo embaraçado, quase envergonhado. De branco que era, estava vermelho e suava a cântaros. Resolveram maneirar. Não estavam ali para brigar. No caso de Bel, estava ali à procura de uma solução para a felicidade de seus filhos. Seria o começo de um grande resgate.
Voltaram a sentar. Quase estavam próximos à porta de saída.
- Todo bem! Podemos ver o apartamento que queremos
- Claro. Há uma pessoa no local. Temos um, todo preparado. Aliás, senão me engano, é a última unidade. Quer que eu os leve até lá?
- Não é necessário. Estamos com um carro alugado aí em baixo. O motorista deve saber onde fica
Foram recebidos por uma recepcionista muito simpática. Que diferença de atendimento! O apartamento era uma beleza. Quatro suítes. Duas salas. Varanda para o mar. O edifício tinha piscina, sauna, sala de ginástica, quadra de tênis. Estava todo preparado - dos quartos até a cozinha, sem tirar nem por.
- Mestre, parece que vai ser este. O que o senhor acha?
- Realmente muito bonito. Os meninos merecem. São filhos maravilhosos. Tenho-os como se fossem meus.
- Quanto custa dona.....?
- Mariana. Estamos vendendo por quinhentos mil a prazo. À vista poderá ser resgatado por quatrocentos.
- E a decoração, quanto custa?
- Os senhores vão querer como está?
- Exatamente, como está.
A moça se afastou um pouco e começou a falar ao telefone.
- Pai, tem uns homens aqui querendo comprar o apartamento com tudo dentro. Informei-os que o preço era quinhentos mil a prazo ou quatrocentos mil à vista. Quanto custaria os móveis e demais utensílios
- Diga a eles que é um presente de “Rigatoni”.
- Rigatoni?
- Eles vão entender.
- Meu pai acaba de me dizer ao telefone que a decoração é de graça. É um presente de Rigatoni. Que os senhores entenderiam.
- Você é filha daquele homem? Não acredito. Parece que a briga valeu.
- Os senhores brigaram?
- É. Não foi mesmo uma briga. Um pequeno desentendimento. Seu pai achava que nós não tínhamos condições de comprar este apartamento. Quase ele bota o caso a perder e nós não estaríamos aqui o comprando à vista. Pode me entregar as chaves imediatamente,
- À vista?!
- Sim, no dinheiro.
- Claro, como o senhor quiser. Vamos precisar assinar o contrato tão logo o senhor emita o cheque. As chaves já são suas.
Após a compra do apartamento, Bel e Firmino se dirigiram a uma agência de carros. Compraram dois carros. Um para Alex e outro para Mauro. A menina ainda era menor de idade e tão logo completasse 18 anos também teria o seu. Depois Bel ligou para os filhos.
- Estou convidando vocês para tomar um café da manhã. Está combinado? Vou mandar um carro lhes buscar. Aluguei um. Oito horas. Está bom para vocês? Ok!
À noite, no jantar no próprio hotel, Firmino arriscou tudo. – Senhor Bel, o senhor ainda precisa vender peixe?
- Como assim, Firmino?
-Eu estou rico com 1% que o senhor me dá todo mês; o senhor está milionário e os filhos andando de ônibus. Não seria a hora de passar as ações da empresa para eles. Assim eles teriam um rendimento seguro.
- Minhas ações?
- Sim. Elas próprias e talvez Calixto devesse fazer o mesmo para os filhos dele.
- Firmino! Você me surpreende a cada dia. Você tem mais noção de minha vida do que eu próprio. Você sabe o que eu devo fazer. Vou ligar para Cal agora mesmo, mas independente da decisão dele, de minha parte as ações já são dos meus filhos.
Cal também concordara em passar suas ações para os filhos dele.
 No dia seguinte, pouco mais das 8.30 os filhos chegaram ao hotel. O pai os recebeu no hall. Firmino era todo sorriso. Adoraram o café do hotel. O pai estava adorando a presença dos filhos.
- Agora vamos a um lugar. Maria e Mauro irão comigo e Alex vai com Firmino num táxi. Chegaremos juntos.
E os dois carros entraram nas dependências do edifício onde Bel havia comprado o apartamento.
- Pai, por que viemos até aqui? Algum amigo seu mora aqui? Era a filha mostrando estranheza.
- Vamos subir até o décimo andar.
Bel tirou a chave do bolso e abriu o apartamento.
- É de vocês.
Os filhos ao tempo em que abraçavam o pai se abraçavam, corriam em todas as direções do lindo apartamento. Que vista! Como é grande! Que lindos móveis! Olhe a cozinha! Veja os quartos! Todos têm banheiro! Sensacional!
- Agora que vocês já viram o apartamento, vamos descer. Tenho outra surpresa para vocês.
Na garagem estavam estacionados três lindos carros.
- Podem escolher os que quiserem. Quero que se mudem imediatamente.
- Outra coisa. Estou passando as ações da empresa de pesca para os seus nomes em partes iguais. Vocês farão uma retirada mensal. Calisto também concordou em passar as ações dele para Carlos e Milena. Também merecem.
E na semana seguinte, os três já estavam morando no novo apartamento. Colocaram a casa para alugar.

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