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terça-feira, 4 de setembro de 2012

SAUDADE DE NOSSAS BARRACAS DE PRAIA


Estávamos pensando que estivéssemos sozinhos na convicção de que a retirada total das barracas de praia da orla de Salvador trouxe  muitos prejuízos à cidade, prejuízos de trabalho, de lazer, de violência, entre outros.
Até de violência, poder-se-á até estranhar? Sim. A medida, drasticamente tomada pelo Poder Público e não a Prefeitura, provocou um desemprego em massa de mais de dois mil trabalhadores, gente sem qualquer qualificação profissional, apenas disponível para serviços  de atendimento aos banhistas, no fornecimento de refrigerantes e cervejas proveniente das barracas.
E o que estão fazendo esses trabalhadores, hoje em dia? Alguns, mais desembaraçados compraram um isopor e estão vendendo refrigerantes e cervejas por conta própria. Com isto as nossas praias ficaram mais feias e desogarnizadas.
A maioria, contudo, está vagando por aí nas beiras do crime de rua ou já nele engajados, tornando Salvador uma das cidades mais perigosas do País. Disso não temos a menor dúvida.

Enquanto isto, em Fortaleza, Ceará:

Dizíamos então que pensávamos que esta convicção era apenas nossa, mas nesses dias, lemos uma matéria sobre a queda do turismo em Salvador e entre as causas apontadas está, justamente, a retirada das barracas de nossa orla. Elas eram um atrativo interessante de nossas praias. Como prova disso, em outros Estados do Nordeste, o próprio governo faz a propaganda de suas cidades, incluindo as barracas como um grande atrativo, casos do Ceará e Sergipe.
Se a retirada das barracas foi um enorme erro, pior ou igual foi a não criação de uma alternativa. Por exemplo, nesse ínterim, foram feitas diversas praças em Salvador (Pituba-Ondina-Itapagipe) e, em nenhuma delas tiveram a idéia de criar espaços gastronômicos para fixação das pessoas nessas praças; até as baianas de acarajé, delas se afastam porque não há público suficiente para bons negócios.
E não se vê na campanha dos candidatos à Prefeito, (nenhum deles) uma referência ao caso. Parece que todos têm medo do Poder Público que tomou a medida, mas mesmo ele pode ser contestado através órgãos superiores de justiça e não se viu ninguém reclamar, Prefeitura, Governo Estadual, Sindicatos de Trabalhadores, etc. Estamos sem nenhuma iniciativa. Lerdos e leigos!
No particular, abaixo estamos transcrevendo uma nota do senhor Armando Mota em seu blog:

"O sonho de uma cervejinha gelada à beira-mar, um caranguejo feito na hora, uma casquinha de siri ou outro petisco qualquer de boa culinária baiana é coisa do passado. Uma decisão judicial sepultou uma das mais antigas tradições desta terra e reservou para Fortaleza o privilégio de receber com conforto e higiene os que lhe visitam". ARMANDO MOTA

É assim que se perde mercado. Para recuperá-lo, leva um século.


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