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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

MANOEL IGNÁCIO- O DESCOBRIDOR DO PETRÉLEO BRASILEIRO


EM 10/10/2010 tivemos ocasião de fazer uma postagem onde escrevíamos sobre a descoberta do petróleo no Brasil, justamente na Bahia, Lobato, subúrbio ferroviário de Salvador. Passamos a transcrevê-la:

Foi no Lobato que se descobriu o primeiro poço de petróleo do Brasil. Em 1930, o engenheiro agrônomo Manoel Ignácio de Bastos, com base no relato de populares de que usavam uma lama preta como combustível de suas lamparinas e fifós, coletou uma amostra e constatou que se tratava de petróleo. Conseguiu uma audiência com o Presidente Getúlio Vargas a quem entregou um laudo técnico de seu achado. Ficou esperando o resultado. Não tendo sucesso, procurou o então Presidente da Bolsa de Valores da Bahia, Oscar Cordeiro, a fim de que fosse dado uma força. (1933). A força foi demasiada! Ele próprio assumiu a descoberta do petróleo e ganhou todas as homenagens pelo feito. Em 1940, por exemplo, quando Getúlio Vargas esteve na Bahia, de hidroavião, dirigiu-se de lancha até o Lobato. Ao seu lado estava o senhor Oscar Cordeiro. Diz-se que, na época, o verdadeiro descobridor agonizava num leito de um hospital. 

Mas a Petrobrás agiu de maneira decente e digna. 15 anos após, a empresa reconheceu a verdadeira autoria da descoberta, após analisar extensa análise documental apresentada pela viúva de Bastos.


É impressionante a entrevista da referida senhora que se chamava Diva concedida ao Jornal da Bahia na década de 1950. Num determinado trecho ela em carta dirigida à filha diz: “ Minha filha, eu agora tomei um choque. Passei no Lobato e vi lá uma placa – “Mina de Petróleo de Oscar Cordeiro”. E eu retruquei. Não disse a você, Maneca, que não convidasse ninguém e esperasse ajuda do governo? E Maneca, sempre incisivo nas respostas: “mas minha filha, Cordeiro como presidente da Bolsa de Mercadorias, pode levar avante a parte comercial da sociedade”.
Maneca- apelido de Manoel Ignácio Bastos.




Poucos anos depois, o Poço Manoel Ignácio Bastos foi fechado pela Petrobrás. Para que tal ocorresse, aconteceu uma verdadeira operação de guerra. Todos os moradores da região foram avisados de que não poderiam acender fogão durante uma semana. A Petrobrás garantiria o fornecimento de marmitas durante esse período. Foi o que aconteceu. D. Maria, moradora do local sendo entrevistada revelou: “Foi uma semana de mordomia. Nunca passamos tão bem”.


Pois bem! Estamos voltando ao assunto pela seguinte razão: recebemos de Jorge Luiz Deiró Menezes,  parente do engenheiro Manoel Ignácio Bastos, um trabalho da senhora Petronilha Pimentel, jornalista do Rio de Janeiro, sobre a referida descoberta.

Muitos esclarecimentos são feitos nesse trabalho, aos quais não poderíamos deixar de reproduzir para nossos leitores. É uma complementação importante que esclarece de vez a polêmica sobre a verdadeira autoria do descobrimento de nosso petróleo.
Como se sabe, ensina-se nas escolas e divulga-se por toda a parte, que o descobridor do petróleo brasileiro teria sido o senhor Oscar Cordeiro, então Presidente da Bolsa de Mercadorias da Bahia à época (1933).

Na pesquisa da jornalista carioca, fica claro que o verdadeiro descobridor foi o engenheiro agrônomo e civil, Manoel Ignácio Bastos, nascido em Salvador em 20 de março de 1891 e falecido em 1940, aos 40 anos de idade.

E como o senhor Oscar Cordeiro entrou na história?  Simplesmente à convite do próprio Manoel Ignácio. O engenheiro já havia descoberto o petróleo do Lobato e não foi por acaso a descoberta como se julga e até nós relatamos que o engenheiro teria escutado  o relato de populares (moradores do Lobato) de que usavam uma lama preta como combustível de suas lamparinas e fifós, coletou uma amostra e constatou que se tratava de petróleo.
Simples, não é verdade? Mas por trás dessa simplicidade, diríamos mesmo sorte, há uma base que precisa ser divulgada. Nosso “amigo” engenheiro já era um pesquisador ferrenho de garimpos de ouro e diamantes, pois lhe interessava tudo quanto cheirasse a matéria mineral, como afloramentos, amostragens e dados os mais diversos que iluminassem o roteiro para os tesouros enceleirados na terra” (...) au. Pedro Moura.

Continua esse autor: “Toda a história do óleo do Lobato oscila entre um “buraquinho ridículo de aratu (espécie de caranguejo) de onde, depois de escarunfunchar, o curioso Manoel Ignácio Bastos em 1930, viu verter um líquido, oleoso, escuro, com aparência de petróleo, e o poço número 163 que o DNPM perfurou no local em 1938/1939 para extirpar um tumor (....).

Logo em seguida, outro escritor, Ilmar Penna Marinho Jr. Endossando as afirmações de Pedro Moura sobre Ignácio Bastos, disse:

O engenheiro Paulo de Moura, com sua incontestável autoridade, tomando a defesa de Manoel Ignácio Bastos, um auto-ditada em Geologia, e que mantinha correspondência com técnicos no exterior, presta seu depoimento no sentido de considerar Bastos como quem primeiro começou a pesquisar petróleo na região de Lobato, quando tomou conhecimento de que moradores usavam “uma pasta oleosa” para acender suas lamparinas, seus fifós (como são denominados na Bahia). Até que um dia conseguiu o comparecimento do presidente da Bolsa de Mercadorias (Oscar Cordeiro) no local.
Como se vê, o senhor Oscar Cordeiro fora convidado para ver “in-loco” o pequeno buraco de aratu e deu no que deu. De imediato o homem foi no cartório e tacou o registro do invento nos seguintes termos (oficiais):
Certifico que às fls. 174 do livro 4 foi inscrito hoje, sob o número 225 em nome de Oscar Cordeiro e Manoel Ignácio Bastos, residentes nesta Capital, a Mina de Petróleo descoberta pelos mesmos senhores, cita no lugar denominado Lobato, na feeguesia de Pirajá, em terreno pertencente à Marinha, à União,parte afora à Société de Construction Du Port da Bahia e parte à Companhia Progresso Industrial, cuja transição teve lugar em virtude de despacho do Exmo. Sr. Dr. Juiz da Vara Cível, em petição de 22 de maio dse 1933, e nos termos do artigo número 173 do Decreto número 18.542 de 24 de Dezembro de 1928 (assinado) Franklin Roigues Pompa – Segundo Oficial de Justiça.”
Reparem que o nome do senhor Oscar Cordeiro vem em primeiro; secundariamente, vem o nome do engenheiro. Não está certo. É nossa opinião.
Certo dia, a viuva de Manoel Inagcio foi até o Lobato vê o pôco de seu marido. Tomou um susto! Deparou-se com uma placa dizendo: " POÇO DE PETROLEO OSCAR CORDEIRO -O PRIMEIRO POÇO BRASILEIRO"- Tomou um susto, mas correu atrás. Procurou a Petrobrás. Mostrou as provas e a grande empresa brasileira, DIGNAMENTE, lhe concedeu uma pensão vitalícia. Por uma dessas ironias da vida Manoel Inagcio morrera pobre, aliás, bastante pobre.

LEITURA OPCIONAL

ALAGADOS
3
Às 6 horas da manhã, já os três amigos estavam viajando na canoa “Ilha de Maré” com bujarrona e tudo. Iam apopados com ventos de leste para oeste. Chegariam a menos de uma hora. Bicaram na praia. Era uma proeza que Cal gostava sempre de fazer. Buscava colocar toda a canoa na areia. Os amigos que já tinham visto a proeza outras vezes, sempre torciam pelo sucesso da manobra. O recorde era de 8 metros. A canoa tinha 10 metros. Daquela feita, tinham igualado a melhor marca. Estava bom.
Foi recebê-los o Mestre Ju- Juvenal Aparecido de Jesus com todas as letras e mais uma dúzia de velhos pescadores.
- Já vi que trouxe um amigo para conhecer Maré, apontando Firmino.
- Amigo e vizinho lá no Uruguai.
Abraçaram-se.
- O senhor vai gostar de nossa ilha. Temos a melhor moqueca de caçonete da Bahia. Vou mandar preparar uma para hoje ou vocês preferem peguari?










- O senhor pode mandar preparara as duas? Assim, senhor Firmino já conhece a dupla.
- Mas, Cal e Bel  que os traz aqui sem me avisar? Deve ser algo importante.
- Realmente, pode ser importante. Estamos precisando de pedaços de rede velha.
É isto que é importante? Tem muitas jogadas por aí. Para que você as quer?
Olhou para Firmino e respondeu: fazer uma experiência.
- Ah!
O velho mestre merecia confiança, mas tinha muita gente ouvindo a conversa. Tinha que manter segredo. Depois, em particular, diria a ele.
Logo em seguida, começaram a andar pela ilha e, efetivamente, encontraram diversos pedaços de rede, muitos até ainda usáveis. Foram colocados na frente da canoa onde atuava a bujarrona. Em seguida almoçaram com o velho Ju. Como sempre as moquecas estavam uma delícia. Firmino elogiou-as diversas vezes. Não sabia dizer qual era a melhor.
 Depois de um breve descanso, Cal e Bel resolveram fazer a viagem de volta. A viagem seria mais demorada. Tinham o vento e a maré de enchente contra eles e a canoa ainda estava sem bujarona. Os pedaços de rede impediam o seu funcionamento. Tiveram que cambar várias vezes, ora iam até perto de terra, ora iam até o canal lá fora.
- Estou preocupado sobre aonde colocaremos tanta rede, senhor Firmino.
- No mangue Bel. Dentro do mangue. Faremos rolos e os colocaremos entre os galhos. Enquanto isto já cortaremos algumas dezenas de troncos e também faremos feixes que amararemos com pedaços de rede. Também ficarão dentro do mangue. Após isto, vamos ver se achamos algum tanque velho. Certamente iremos achá-los principalmente em casas abandonadas.
- Boa ideia. Não havia pensado nisto. Tem gente que não leva o tanque para nova moradia, nem os ladrões costumam roubá-los. Levam tudo, chumbada, pias e vasos, mas sempre deixam os tanques nos seus lugares.
No dia seguinte Cal e Bel foram pescar. Já estavam precisando. À noite, os dois amigos, mais Firmino começaram a cortar os pedaços de paus. No dia seguinte, a mesma coisa até que no fim de semana, uma sesta feira, deram por satisfeitos. Dois tanques haviam sido encontrados e estavam ao lado da casa de Firmino, como se fosse uma coisa velha. E era. Em seguida, foram transportados na canoa Ilha de Maré. Enterraram-nos até a boca, deixando uma pequena parte exposta. No domingo à noite, maré totalmente vazia, resolveram montar o curral com a boca no canal e o resto onde a maré vazava. Os tanques ficaram mais ou menos centralizados. Foi rápido o serviço e tinha que sê-lo, antes que a maré voltasse a encher. Agora era só esperar. Retornaram às suas residências e ansiosos quase não dormiram.
Na segunda ainda bem cedo, maré quase toda vazia, os três homens se dirigiram a pé até próximo ao curral. Felizmente havia uma trilha arenosa até bem próxima ao pesqueiro, senão teriam que andar duzentos a trezentos metros na lama. Caminharam em silêncio. O único meio de comunicação era o olhar de um para outro. Faltando algo em torno de 10 metros, instintivamente deram-se as mãos. Depois se soltaram repentinamente quando viram um peixe pular de dentro de um dos tanques para fora. Correram! Os dois tanques estavam cheios até a boca de muitos peixes. Correspondia a uns trezentos a quatrocentos quilos de peixe de toda a natureza. Ainda tinham muitos mortos na lama e outros presos nas malhas da rede. Aos pulos, abraçaram-se. As lágrimas vieram aos olhos de Firmino. Os dois rapazes gritavam ao vento. Conseguimos! Conseguimos! Firmino, conseguimos!
- Tinha certeza, mas esquecemos de uma coisa muito importante.
???
- O que fazer com tanto peixe. Devíamos ter pensado nisto. A culpa é minha. Se tinha certeza, deveria ter providenciado.
- Providenciado o que homem?
- A colocação desse peixe em lugar seguro, refrigerado. Vamos perder quase todo ele. Tive uma ideia. Vamos para terra. Chamaremos um taxi. Vamos até a Calçada. Lá tem diversos frigoríficos. Esse peixe tem que ser recolhido imediatamente, antes que o sol esquente os tanques.
Localizaram três frigoríficos, um do Estado e dois particulares. O do Estado foi logo descartado. Deveria haver muita burocracia. Nota Fiscal, essas coisas. Dirigiram-se para os outros dois. Logo no primeiro, encontraram grande receptividade.
- Vocês têm peixe em quantidade? Era um velho negociante espanhol.
- Temos cerca de 400 a 500 quilos de peixe, hoje e agora.
- Não estou acreditando. Em Salvador?
- Como em Salvador? Aqui não há peixe?
- Peixe há. De tainheiros; pequenas quantidades. Vendem-na de porta em porta.  
-E o seu frigorífico, o que armazena os peixes?
- Só carne. Estamos usando apenas 20% de sua capacidade de 50 toneladas.
Este homem não deve estar satisfeito com seu negócio. Ele deve estar prestes a fechar esse frigorífico, raciocinou Bel. Acho que chegamos ao momento certo, na hora “h”. É agora ou nunca! É preciso pensar grande.
- O senhor quer vender seu frigorífico? Podemos pagar em peixes. Os de hoje já serão dados como entrada.  Como disse são perto de 500 quilos das mais diversas espécies. Tainhas e robalos, principalmente.  O senhor compra por 5.00 ( é o nosso preço) e vende talvez pelo dobro. Só precisamos de uma pequena quantidade para nossas necessidades e doações que sempre fizemos aos pescadores idosos.  De resto lhe forneceremos durante os próximos 20 dias, mais ou menos, quantidades semelhantes ou aproximadas de hoje. Poderemos estipular um máximo de dez mil quilos o que vai dar um total de cinquenta mil. Em troca ficaremos com o frigorífico e um caminhão. O senhor dever ter um caminhão frigorífico?
- Tenho. Fechado! Preciso ir embora para a minha terra. Sou da velha Galícia. Os senhores chegaram em boa hora. Já ia fechar o frigorífico. Não estava dando lucro.
 Há muito tempo que o espanhol estava querendo vender o frigorífico. O máximo que tinha achado foi trinta mil. O imóvel era alugado e o caminhão só dava despesa. Já era muito velho. Só tinha um funcionário, o motorista que também cuidava do frigorífico.
- Temos que ir agora. Nós mesmos carregaremos o caminhão. Os recibos, essas coisas, depois com calma, a gente acerta. O senhor deve ter balança. Um de nós, juntamente com o senhor, acompanhará a pesagem, mas confiamos na sua pessoa.
- E esse peixe está bom? Perguntou o espanhol.
- Os peixes estão vivos, mas o sol pode matá-los até o meio dia.
???
O carrego foi feito com muito esforço de Cal, Bel e o motorista, mas no mais tudo correu bem. Em menos de duas horas, todo o peixe fora carregado. Firmino fora poupado. Não era serviço para ele.  A grande maioria era realmente de tainhas e robalos, mas havia pescadas, garoupas e até chicharros olho de boi. À noite, os três voltaram a se reunir no píer da palafita de Firmino.
-- Vocês precisam regularizar uma firma imediatamente. Emitir nota fiscal, essas coisas. Vão ser 20 ou mais dias de circulação desse caminhão. Tem muito fiscal naquela região da Calçada.
- Firmino, o senhor está falando como se a responsabilidade fosse toda nossa. Porque o senhor não diz “nós precisamos” e sim “vocês precisam”?
- Meu trabalho neste negócio encerra-se aqui. Já estou velho. Preciso descansar. Vou comprar uma casa em Maré e morar lá. Gostei do lugar. Da moqueca de peguari, então, me dá água na boca.
- O que? O senhor não quer participar de nosso negócio? Não acredito! A ideia foi toda sua.
- Acredite sim. Não me casei. Não devo ter mais parentes. Se ainda tiver, sou um estranho para eles. Agora eu quero é toda paz do mundo. Estou contente em ter podido ajudar vocês que agora são meus amigos. Vocês devem seguir em frente sem a minha pessoa. Acreditem!
- Não, não, não... gritou Bel.
- Sim, sim, sim, confirmou Firmino.
- Me dê um abraço. Só quero isto. A vida é de vocês. Estarei sempre por perto. Era um vaticínio.

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