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sábado, 29 de setembro de 2012

A COLINA DO SENHOR DO BONFIM JÁ FOI UMA ILHA


Numa antiga postagem publicada pelos idos de 2009, praticamente quando começávamos este blog, tivemos a oportunidade de dizer que, possivelmente, parte de Itapagipe teria sido uma ilha. Esta afirmação vacilante, desde que aplicamos “ teria sido uma ilha” e não “foi uma ilha”, claro que é fruto de um lado, da dúvida então existente e do outro, pela lógica e evidências do fato.
Agora, chega ao nosso conhecimento uma reportagem publicada no jornal “A Tarde” faz algum tempo, em homenagem ao Dia do Geólogo (30 DE MAIO), na qual o geólogo Alex D.G.Pereira, escreve um belíssimo “ensaio” sobre a possibilidade quase concreta de que, efetivamente Itapagipe era uma ilha e dá até o nome e a localiza em mapa. Surpreende-nos, inclusive, denominando-a Ilha da Colina do Senhor do Bonfim. So faltava esta para aumentar ainda  mais as lendas e verdades sobre o nosso grande santo e seu espaço maravilhoso..
Eis sua própria palavra:

Geralmente as baías se formam pela ação do mar contra as rochas, contudo, há também a formação de baias pelo recuo desse mar. .Neste último caso, explica-se as antigas ilhas na península de Itapagipe.




LEITURA OPTATIVA




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ALAGADOS

Resumo do capitulo anterior: Alex resolveu fazer um resort na Ilha de Maré com base na casa de mar de Firmino.  As vendas foram um sucesso.
Bel e Cal voltaram a trabalhar juntos. Aos domingos, entretanto, os dois amigos saiam a pescar na lancha de Bell.  Praticamente era como antigamente. Um na popa e o outro na proa. Vez em quando davam um pulo na Enseada dos Tainheiros e pescavam tainhas com tarrafas. Como faziam ao tempo da canoa. Noutras ocasiões iam pescar camarão e siri mole em Freguesia. Procuravam restabelecer aquele tempo.
Numa determinada segunda-feira Maré amanheceu envolta numa espessa neblina. Não se enxergava nem os coqueiros. Muito mal se viam as casas de mar, já prontas. Em meio a essa neblina viu chegar uma lancha. Foi a primeira a usar o píer de uma delas.  Dela saltou alguém que, entre os caminhos suspensos de madeira, se dirigia para a terra. Só veio a reconhecer Carlos, o filho de Calixto, quando ele se aproximou de sua casa. Estava mais gordo e usava barba.
- Que surpresa Carlos, você por aqui? Veio ver seu pai.
- Não. Já soube que ele está bem, morando com o senhor.
- Que o trás aqui, então, numa segunda feira dessas? Não se enxerga nada.
- Vim conversar com o senhor e com o mestre Firmino sobre como vocês conseguiram tomar aquele mar do Uruguai e depois fizeram  o condomínio.
- Como assim?
- Meu pai me dizia que foi o mestre quem idealizou a invasão, mas não me contou detalhes.
-Não houve nenhuma invasão. Fizemos apenas um curral para pegar peixe. A Prefeitura foi quem aterrou tudo aquilo, inclusive o espaço de nosso curral. Ganhamos o terreno posteriormente, por questões de direito de propriedade, como aconteceu com todo mundo. Só que o nosso espaço era maior, o que nos possibilitou fazer o condomínio. Terreno maior que o nosso ganhou um industrial na Maçaranduba por indicação da própria Prefeitura. Ela tinha todo o interesse que se construísse de logo moradias para as pessoas que estavam vindo do interior, atraídas pelas indústrias que estavam se instalando em Itapagipe.
- Então foi assim? Não é o que me contaram muitas pessoas com quem conversei lá no bairro.
- Que pessoas foram essas?
- Gente ligada ao Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Itapagipe, colegas meus.
- Colega seus? Você entrou nessa?
- Nessa como? É um trabalho social dos mais dignos. Defendemos a comunidade contra os ricaços de plantão.
- Você está me incluindo nessa? Se está, seu pai também participou da operação. Fomos sócios. Ele deveria estar aqui para ouvir esta conversa. Vou mandar chamá-lo.

- Não há necessidade. O senhor sozinho poderá me dar as informações que preciso. Só informações. Não quero seu dinheiro.
Então?
- Estamos preparando uma invasão do mar como os senhores fizeram, naturalmente sem os artifícios de currais, essas coisas. Tem muito gente precisando de moradia e o mar é o único espaço ainda disponível.
- Vocês vão então invadir ainda maiis o que resta da Bacia do Uruguai?
- Não. De jeito nenhum. O que restou no Uruguai já é canal. É muito profundo. Não dá para invadir com palafitas, como estamos pretendendo.
- Então a invasão vai ser aonde?
- No Porto dos Mastros.
- No Porto dos Mastros? Aquela área nobre cheia de casas de veranistas
- Exatamente ali, sem tirar nem por.
- E quando vai acontecer a invasão?
- Na próxima Lua Cheia.
- A Lua Cheia será na próxima sesta-feira.
- Exatamente. Em noite esplêndida! Seu Bel já falei muito. Foi um prazer revê o senhor. Dê um abraço no meu e na mãe. Estou voltando para Salvador agora. Mais uma pergunta. O senhor está invadindo o mar aqui em Maré? Quando cheguei andei por aquelas casas.
- Aquilo não é uma invasão de mar. Tem a devida licença dos órgãos competentes. Aquilo será...
E Bel parou por ai. Pensou. Como é o destino! A primeira pessoa, afora os operários, ele próprio, Cal  e Firmino, a transitar pela espinha dorsal da obra, é justamente o filho de Cal seu grande amigo. Que seja benéfica aos deuses esta coincidência.

Achamos por bem fazer esse registro.


enalt

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