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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA EM VERSO E PROSA

Ilha de Itaparica


Ao longo do tempo, Itaparica foi cantada em verso e prosa por diversos autores. É natural que isto acontecesse. Seus encantos enchem os olhos e o coração com cores e textura maravilhosas. Vejam, por exemplo, a descrição de sua fauna:

“Aqui se acha o marisco saboroso,
Em grande cópia e de casta vária,
Que para saciar ao apetitoso,
Não se duvida é coisa necessária:
Também se cria o lagostim gostoso,
Junto co'a ostra, que por ordinária
Não é muito estimada, porém antes
Em tudo cede aos polvos radiantes.
Os camarões não fiquem esquecidos,
Que tendo crus a cor pouco vistosa,
Logo vestem depois que são cozidos
A cor do nácar, ou da Tíria rosa:
Os c'ranguejos nos mangues escondidos
Se mariscam sem arte industriosa,
Búzios também se vêem, de musgos sujos,
Cernambis, mexilhões e caramujos.”


Ou a descrição de rios ou fontes e montes:


"Claras as águas são e transparentes,
Que de si manam copiosas fontes,
Umas regam os vales adjacentes,
Outras descendo vêm dos altos montes;
E quando com seus raios refulgentes,
As doura Febo abrindo os Horizontes,
Tão cristalinas são, que aqui difusa
Parece nasce a fonte da Aretusa.11
Amenos campos, amenas flores:
Aqui o campo florido se semeia
De brancas açucenas e boninas,
Ali no prado a rosa mais franqueia
Olorizando as horas matutinas:
E quando Clóris mais se galanteia,
Dando da face exalações divinas,
Dos ramos no regaço vai colhendo
O Clavel e o jasmim, que está pendendo".


Ou a descrição de suas frutas:

"Inumeráveis são os cajus belos,
Que estão dando prazer por rubicundos,
Na cor também há muitos amarelos,
E uns e outros ao gosto são jucundos;
E só bastava para apetecê-los
Serem além de doces tão fecundos,
Que em si têm a Brasílica castanha
Mais saborosa que a que cria Espanha"

Ou a descrição de sua força:

"Em um extremo desta mesma Terra
Está um forte soberbo fabricado,
Cuja bombarda, ou máquina de guerra,
Abala a Ilha de um e outro lado:
Tão grande fortaleza em si encerra
De artilharia e esforço tão sobrado,
Que retumbando o bronze furibundo
Faz ameaço á terra, ao mar, ao Mundo".


Ou a pesca da baleia:

"Corre o monstro com tal ferocidade,
Que vai partindo o úmido Elemento,
E lá do pego na concavidade
Leva a lancha com tal velocidade,
E com tão apressado movimento,
Que cá de longe apenas aparece,
Sem que em alguma parte se escondesse.28
Ou:
De golpe sai de sangue uma espadana,
Que vai tingindo o Oceano ambiente,
Com o qual se quebranta a fúria insana
Daquele horrível peixe, ou besta ingente;
E sem que pela plaga Americana
Passado tenha de Israel a gente,
A experiência e vista certifica
Que é o mar vermelho o mar de Itaparica".

Ou o burlesco irreverente de um Gregório de Matos
"Forte de São LorIlha de Itaparica, alvas areias,
Alegres praias, frescas, deleitosas,
Ricos polvos, lagostas deliciosas,
Farta de Putas, rica de baleias.
As Putas tais, ou quais não são más preias,
Pícaras, ledas, brandas, carinhosas,
Para o jantar as carnes saborosas,
O pescado excelente para as ceias.
O melão de ouro, a fresca melancia,
Que vem no tempo, em que aos mortais abrasa
O sol inquisidor de tanto oiteiro."
A costa, que o imita na ardentia,
E sobretudo a rica, e nobre casa
Do nosso capitão Luís Carneiro.



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