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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – A EVOLUÇÃO DOS ACESSOS

A posição geográfica da Ilha de Itaparica em relação a Salvador sempre foi uma atração para que os moradores de ambos os lados procurassem atravessar o canal que separa as duas localidades. Os residentes em Salvador ávidos para veranear nas diversas localidades paradisíacas da ilha e os desta, para trabalho ou serviços outros que uma capital oferece.

Registre-se que só a partir de 1993 com a inauguração da Linha Verde, incrementou-se o veraneio nesse lado de nosso litoral. Verdade que já havia algum interesse em determinada localidades, principalmente Arembepe. De resto o veraneio das pessoas que moravam na Cidade Alta era em Itapagipe. (1920/1960)
E como se atravessava para o outro lado e vice-versa? De saveiro de vela de içar como este da foto adiante:

Saveiro

E como eram levados os utensílios da casa geralmente alugada a um morador local? Também de saveiro. Tinha saveiros enormes e se não bastassem, far-se-iam diversas viagens.

Esses saveiros geralmente saíam da rampa do Mercado Modelo, mas também tinham aqueles que aportavam no Cais do Ouro onde ficavam os trapiches e, diga-se de passagem, os trapicheiros eram, na sua maioria, pessoas ricas e com toda certeza veraneavam na ilha. Não se diga, entretanto que ele, trapicheiro, ficasse lá o tempo todo, principalmente numa época de festas em Salvador quando as vendas deveriam estar super aquecidas, mas, sem dúvida a sua família permanecia veraneando todo o tempo desde dezembro até fevereiro. O “sacrificado”, em termos, pegava seu saveiro no meio da tarde de cada sábado e se juntava aos seus, desde que ninguém é de ferro. Segunda, aí pelas 8 da manhã já estava de novo no batente. Acordava por volta das cinco horas, tomava o mingau da baiana e pegava o saveiro que saía às 6 de Mar Grande.

Essa rotina acabou aí por volta do ano de 1962 quando passou a circular o primeiro navio da linha Salvador-Itaparica-Maragogipe. Chamava-se justamente “Maragogipe”. As pessoas e os utensílios passaram a ser transportados por ele. Desembarcava-se em Itaparica e ficava mais fácil chegar a Mar Grande.
Navio Maragogipe

Tinha capacidade para 600 pessoas. Possuía 45,15 m. de comprimento, dos quais 42.50 de linha de água, calado de 2,35 e deslocamento de 364.7 toneladas.

10 anos mais tarde, em 1972 foi implantado o sistema ferry-boat, dando nova dinâmica ao transporte de pessoas, utilidades e até de veículos.

Um dos primeiros ferries-boat
O mais luxuoso - o de Ivete

A velocidade média da viagem de 15 nós (27.8 km/h) e a rapidez da viagem é resultado da diferença de peso do ferry boat, 300 toneladas com carga total, contra 900 toneladas dos outros ferries vazios.

Possui classe executiva, com capacidade para 110 dos 640 passageiros, com mesas, poltronas e ar-condicionado, além de uma lanchonete. Todo climatizado.
Ferry-boat aí pelo Mundo
Tem também catamarã

Como se vê, houve uma progressão de sistema de transporte entre as duas localidades, fato absolutamente natural à medida que as necessidades foram aumentando.
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Agora, fala-se na construção de uma ponte. Tinha que ser! É uma consequencia das melhorias que foram se sucedendo ao longo dos anos, como acabamos de ver.

Claro que existem as pessoas que são contra e aquelas outras que se dizem a favor. Por exemplo, o escritor João Ubaldo Ribeiro é contra. Diz ele:
“É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam a cabotagem no Recôncavo, que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles; que vem transformando as cidades brasileiras, inclusive e marcadamente Salvador, em agregados modernos, em condomínios e shoppings acuados pela violência criminosa que se alastra por onde quer que estejamos enfurnados, ilhas das quais só se sai de automóvel, entre avenidas áridas e desertas de gente”, escreveu, classificando os “proponentes” da ponte, de “ávidos sacerdotes de Mamon”.
(Mamon era o diabo que representava a avareza e o dinheiro, segundo demonólogos da Idade Média).

Outros intelectuais juntam-se ao grande escritor para protestar contra a construção da referida ponte.

Pessoas outras também, como a do senhor José. Diz ele:

“eu entendo a boa intenção das pessoas que querem uma ponte entre Salvador e Itaparica, mas penso que uma obra dessas vai destruir definitivamente a ilha como lugar de moradia para seus habitantes e destruir o paraíso que é hoje para os turistas.... A Ilha, seus moradores e seus visitantes não precisam dessa obra, não quer se tornar apenas um lugar de passagem para caminhões de carga e turismo predatório”.

Esta é uma opinião contrária. Vejamos uma favorável:

“Com certeza esta ponte irá desenvolver o Estado num todo, principalmente aquela parte do estado que se encontra do outro lado da Capital, parte do recôncavo, baixo sul e sul; estes estariam a uma distância mais curta da capital baiana cerca de 150 Km a menos. Salvador teria outra saída para estes pontos e teria também um encurtamento de distância até para os estados do Sudeste, além da Bahia-Brasília que também ficará mais curta, haverá desenvolvimento regional proporcionando emprego renda e inclusão social daquela parte, por se encontrar atualmente meio isolada naquele canto da Bahia.” Osmário Rios

Uma opinião ajuizada a que segue:

"Uma ponte ligando Itaparica a Salvador pode ser uma boa iniciativa. Porém deve ser estudada com muito cuidado, começando pela localização (o desenho mostrado na reportagem empunhado pelo governador assusta !!!). Há que se tomar muito cuidado igualmente com o impacto ambiental e humano que tal ligação acarretaria para a Ilha de Itaparica. O estado atual de abandono e de terra-sem-lei já está causando danos irreversíveis, como invasões de terrenos e orla, construções desordenadas, entulho e lixo por todos os lados, falta de segurança, bares e restaurantes sem alvarás de funcionamento e controle sanitário. Imaginem então com uma ponte e a Ilha ao Deus dará" Márcia Ruskstuhl

Uma outra muito boa:

“Com todo respeito aos intelectuais, só que ele não vivem na Ilha de Itaparica, não conheçem a realidade das pessoas nativas, não conhecem a péssima infra estrutura urbanística da Ilha, talvez apesar de suas intelectualidades, não tem a visão de perceber que além da Itaparica e Vera Cruz, todas as outras cidades a exemplo de Salinas, Maragogipe, Nazaré, Muniz Ferreira, e nossa Santo Antonio de Jesus, que deverá ter o principal papel nesta ligação das BRs 242 À 101 para escoamento da produção do estado com destino ao porto de Salvador”. José Ailton

Vistas as opiniões contrárias e a favor, podemos colocar na balança das conclusões finais que, a maioria da população de ambos os lados, quer a ponte. As pesquisas apontam nesse sentido (70% a favor e 30% contra). São números expressivos e esmagadores.

É de se destacar que, em verdade, essa ponte tem fundamentalmente mais uma razão econômica do que mesmo turística. Não é d'agora que se pensa nela. Desde a construção da BR 101 ligando o sul do País ao Norte, inclusive com a construção da Ponte do Funil, que se aventa a construção da ponte ligando a Ilha a Salvador.

Não se sente isto! Talvez porque tenha sido revivida em época de eleições. Focaram mais os traços turísticos de seu perfil. Talvez os paisagísticos que encantam os olhos e influenciam as mentes.

Aqui vale um parêntese importante. Não se viu na época da construção da Ponte do Funil que liga o continente ao sul da Ilha de Itaparica, nenhuma reação popular contra a mesma, muito pelo contrário, todos foram a favor. No entanto, esta ponte tirou o isolamento geográfico da ilha em relação ao continente. É como se tenha sido quebrada uma virgindade.

Porque então esta celeuma de relação à continuidade de uma via de fundamental importância econômica para o País como é a BR101? São 150 quilômetros a menos de distância.

Que ela vai transformar a Ilha, não há menor dúvida. Primeiramente, vai haver uma super valorização do seu espaço físico. Seus moradores terão o valor dos seus imóveis dobrados e triplicados muitas vezes. Mas há quem diga que são poucos os imóveis. Ledo engano. Veremos o número de habitações em fotos posteriores.

Ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros
O que não se vê nessa celeuma sobre a ponte Salvador-Itaparica são as vantagens e desvantagens de pontes de igual natureza feitas em outras partes do País. Aí, sim, um ponto de referência importante. Por exemplo: temos recentemente o caso da Ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros em Sergipe. O que resultou? O que aconteceu? Acabou com Barra dos Coqueiros? Não acabou! Muito pelo contrário. Vejam o seguinte comentário publicado na internet:
“Cidades como Aracaju, Barra dos Coqueiros, Pirambu, Santo Amaro das Brotas e Japaratuba foram beneficiadas diretamente pela ponte. O fluxo de pessoas e mercadorias entre essas cidades foi ampliado extraordinariamente, sem mencionar a possibilidade de aquecimento da economia, uma vez que o acesso ao porto estará ampliado. Pelo lado aracajuano a ponte pode ser acessada tanto a partir do centro, como a partir do município vizinho de Nossa Senhora do Socorro – cidade dormitório da Grande Aracaju –, o qual possui um pequeno Distrito Industrial, e diversos conjuntos habitacionais, como Marcos Freire I, II, e III. Todos ligados a BR-101 por uma rodovia estadual.
O município de Barra dos Coqueiros, maior beneficiário, já aprovou até um novo Plano Diretor para a cidade, prevendo um aumento de sua população para 50.000 habitantes em dez anos.
Outro benefício inusitado é o interesse dos locais pela arte da fotografia, muitos sergipanos têm usado a ponte como tema dessa arte. Já há até livros de fotografias sendo feitos sobre a ponte”.

Mar Grande/Vera Cruz-Ocupação habitacional
Itaparica

Já tem muita gente.
As pontes de Vitória
E o que dizer de Vitória, no Espírito Santo, sem as suas pontes? Não teria a beleza que tem e não teria crescido como cresceu em todos os aspectos que se possa abordar.

Um comentário:

  1. È muito massa eu fui para a ponte de aracaju foi muito bom d+++++++++.E evoluiram mesmo os ferrys-boat ta muito bom eu gosto mais o de ivete

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