ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NOVA ALA DE LOJAS DO SHOPPING BARRA


Por fim, foi inaugurada uma nova ala de lojas do shopping Barra. Acima  foto do seu interior e sua nova fachada.
Ainda faltam os novos cinemas e a praça de alimentação.
Quando concluído, os moradores dos bairros próximos terão uma sensacional opção de lazer. Claro que isto valoriza os prédios próximos a ele, segundo opiniões de especialistas como a do  senhor Francisco Maia. Diz ele:
“Isso vem à propósito no que diz respeito a valorização ou desvalorização dos prédios próximos ao shopping. O que dizem os especialistas. "Existe uma estória que certa vez indagaram a um experiente empresário do setor quais os três fatores que mais valorizam um imóvel, no que ele prontamente respondeu: localização, localização e localização



Se a localização é nas proximidades do shopping como no caso, os bairros Chame-Chame, Jardim Brasil e Apipema, a valorização dos imóveis nessas áreas é muito boa.

Se, por outro lado, se a localização for praticamente pegada ao shopping, há uma clara e expressiva desvalorização do imóvel pela supressão da vista ao redor e diminuição da ventilação na área.  

Acima uma visão aérea da área onde se encontra o Shopping Barra. Em contornos azuis, bairros cujos imóveis se valorizaram com a construção do shopping. Em contornos vermelho, área de desvalorização dos imóveis.

(aconselha-se a usar o zoom do computador para melhorar a vizualização)


Leitura optativa

Resumo do capitulo anterior: Carlos, filho de Cal foi à Ilha de Maré comunicar a Bell que iriam invadir o Porto dos Mastros. Deu data e hora do feito...

ALAGADOS

                                              14

Na tarde da sesta feira a polícia isolou toda a Rua Domingos Rabelo, o Porto dos Mastros, como era mais conhecida. Foram fechadas as duas extremidades. A do Largo do Papagaio e a da Ribeira, bem como todas as transversais que dava para a Rua Dois de Julho ou Visconde de Caravelas. Isolaram a Madragoa. Havia mais de 300 soldados na operação. Barcos do Corpo de Bombeiros estavam circulando ao largo. A maré ainda estava cheia. Um carro com alto-falante circulava na rua, ponta a ponta, avisando aos moradores a necessidade de se identificar ao sair ou entrar. Bastava um recibo de luz. Recomendava, entretanto, que evitassem sair à noite. Também havia restrições na Visconde de Caravelas e na Avenida Beira Mar. Os bondes não chegariam até o Largo do Papagaio a partir das 19 horas. Fariam a volta no Largo de Roma. Estava montada uma operação de guerra. Ei-la, esquematizada:










 



  




 Enquanto isto acontecia, os chefes da invasão, Carlos entre eles, observavam tudo do alto de São Caetano. Portavam binóculos. Já estavam lá desde as 4 horas da tarde. Haviam contratado 100 marisqueiras a um cruzeiro por pessoa, para uma simulação que aconteceria a partir das 20 horas. Todas, portando um fifó a querosene, foram espalhadas desde Santa Luzia a Lobato. Na hora combinada, acenderiam os seus fifós e entrariam na lama até cerca de 50 metros para fora. Ficariam circulando de forma desordenada em meio à escuridão.
Também a partir das 19 horas, milhares de pessoas se reuniriam no Alto do Bonfim, em torno da igreja para a operação da invasão do Porto dos Mastros. Todas as comunidades foram avisadas. Essas pessoas deveriam portar paus e madeiras para fixação na lama, determinando o espaço da palafita de cada família. Também era conveniente levar facões para corte de paus de mangue, farto na área a ser invadida.
Recomendava-se silêncio profundo em respeito ao local, mas, principalmente, para não serem notadas. O acesso à Santa Colina deveria ser feito, preferencialmente, pela Rua São Francisco, no Alto de Monte Serrat. Era mais discreto. Sempre que possível, deveria ser evitada a subida pela ladeira principal. Chamaria muita atenção. Todos deveriam ficar sentados ou ajoelhados, rezando se quiserem. Os paus e os facões ao lado.
Pouco antes das 20 horas, Carlos ligou para o Disque Denuncia avisando que a invasão do mar se daria em Santa Luzia e Lobato e não no Porto dos Mastros. De imediato foi feito o contato com o comandante da operação militar.
- Comandante, acabamos de receber uma denúncia de que a invasão do mar aí em Itapagipe vai acontecer realmente em Santa Luzia e Lobato.  A informação de que ela aconteceria no Porto dos Mastros foi um blefe para desviar a atenção da Policia Militar. Os invasores estão entrando no mar a partir desse instante.
O comandante olhou para o outro lado e viu dezenas de pontos de luz se movimentando, como se fossem vaga-lumes
- Fomos enganados! Disseram que a invasão seria aqui e estão invadindo do outro lado. Vejam as luzes se movimentando. São eles. Cadê os caminhões? Embarque a tropa nos veículos e se dirijam imediatamente para o Lobato. Aqueles que não couberem nos caminhões deverão seguir a pé pelo Caminho de Areia, Avenida dos Mares e virar à esquerda na Rua do Imperador. Estou indo no meu carro. Retire as barreiras!Libere a rua! Operação suspensa e transferida! Avisem ao Coronel Comandante nos Dendezeiros.
Do lado do Bonfim, os verdadeiros invasores começaram a descer da Colina Sagrada pela Ladeira dos Romeiros. Alçaram a Praça Divina.  Todos descalços. Tomaram à Rua do Meio e em seguida a Rua da Paz. Todas estavam à escura. Um grupo de garotos havia se incumbido nesse dia de quebrar todas as lâmpadas existentes no percurso. Até o Largo do Papagaio estava na escuridão. Os militares não haviam notado. Os invasores chegaram perto. Aproximaram-se do Porto dos Mastros e invadiram o mar com seus paus e madeiras. Delimitaram centenas de espaços. Uns mais audaciosos já levantaram as primeiras “paredes” de madeira.
Paralelamente, os caminhões dos militares chegavam à Baixa do Fiscal. Encontram-na interditada. Foram levantadas barreiras com pneus velhos que estavam a se incendiar. Fortes colunas de fumaça assustavam as pessoas residentes no local. Não havia como passar. Chamaram o Corpo de Bombeiros. Demorou muito. Quando conseguiram um espaço para os caminhões seguirem seu caminho, já tinha decorrido mais de 40 minutos.
Finalmente chegaram primeiro em Santa Luzia e depois em Lobato. Não havia ninguém no mar a não ser algumas marisqueiras catando papa-fumos. Algumas delas foram abordadas, mas ninguém viu nada; ninguém sabia de nada
- E as luzes que eu vi por aqui
- Foram de pescadores de agulha que acendem seus fifós para atraí-las com a luminosidade. À medida que o mar se afasta na vazante, eles se afastam para os lados de Cabrito e Plataforma, dizia uma das marisqueiras.
Na manhã seguinte a invasão estava consolidada. Toda a vegetação de mangue que ficava em torno da avenida não mais existia. Até mesmo o centro da bacia onde se projetava um promontório de mangues, também estava destruído. Entre os postes da Rua Domingos Rabelo (Porto dos Mastros) dezenas de faixas davam apoio à invasão. Carros de som enalteciam o feito. Foram aparecendo políticos de todos os partidos, principalmente vereadores. O comandante da guarnição, dentro do seu carro, assistia tudo de longe, totalmente impotente. Mandou recolher a tropa ao quartel.



Nenhum comentário:

Postar um comentário