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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O QUE É QUE A BAIANA TEM? UM POVO QUE SE TOCA!

Este blog foi imaginado e criado para contar a história de Salvador e suas duas cidades, a Baixa e a Alta. Sem nenhum cabotinismo, talvez no mundo não se encontre uma cidade com partes tão desiguais e únicas. Caimi foi o artista que melhor soube dizer dessas diferenças, como também soube dizer que não tem outra mulher no mundo igual à baiana.

O senhor Paulo Cezar Miguez de Oliveira, confirmou o que Caimi cantou em sua brilhantíssima tese “Organização da Cultura na Cidade da Bahia”. Foi muito mais adiante: descreveu o baiano como ele é.

Paulo Cezar Migues de Oliveira

Transcrevemos em parte o brilhante trabalho sobre como é o baiano em si:

“Cremos que não será preciso qualquer esforço para situarmo-nos, os baianos, e confortavelmente, entre aqueles que mais se tocam. E como nos  tocamos ! Dois beijinhos aqui, um cheiro ali, um tapinha nas costas acolá, é assim o cotidiano dos baianos que se conhecem – e, incontáveis vezes, também daqueles que, por acaso, mal se conheceram. Conversamos na fila do banco, do caixa do supermercado ou com o motorista de táxi. Se o ônibus está cheio e estamos sentados, oferecemo-nos para segurar o embrulho ou tomar uma criança ao colo. Abrimos caminho com um sonoro dá licença e, claro, com as mãos, com os braços ou ainda, se for Carnaval e a conselho da canção, a gente mete o cotovelo . Compomos as multidões que fazem as festas de rua da cidade, momento e lugar onde tocar e ser tocado/pegar e ser pegado é quase uma regra e, às vezes, um convite.

Em seguida Paulo Cezar faz um comentário sobre uma tese de um amigo seu: Milton Moura dentro do mesmo tema, a baianidade.

"Uma senhora da classe média deixa de frequentar uma praia próxima por considerá-la poluída. Diz: É um horror aquela multidão, a gente não pode nem respirar. Há de se perceber que o motivo do horror não é simplesmente  multidão, mas uma multidão de pessoas mais pobres, escuras e barulhentas. Resolve ir para uma praia mai distante e quase deserta, na qual não faltam os personagens negros e pobres. Estou indo agora para Aleluia, que é um paraíso. No local, tem uma baiana ótima, adoro ela. Quando eu vou chegando ela já sabe o que eu quero, é outra qualidade de serviço. Verdadeiramente, não é necessariamente uma posição falsa ds senhora branca: ela ama este tipo de relação com a senhora negra que lhe vende acarajé, contanto que isto não aconteça em meio a aglomeração e ao barulho, estando bem demarcados na praia os espaços sociais, inclusive o seu nicho de dondoca.Em contrapartida, a baiana também ama sua cliente; gosta de sua presença e da féria que lhe proporciona, o que não a exime de comentar com alguém de sua extração, quando a freguesa se vai: barona de merda; essa mulher é muito tirada, parece que é melhor do que as outras, pega no acarajé com nojo do azeite, mas quer comer.

E por ai segue Paulo Moura em magnífico trabalho que aqui reproduzo modestamente e distribuo entre meus seguidores, Tem muito mais coisa, mas o espaço não nos permite navegar entre suas palavras de um grande mestre da vida, baiano que é.

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