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terça-feira, 29 de março de 2011

LARGO DA VITÓRIA

O Corredor da Vitória sempre foi um lugar privilegiado hoje como ontem. No que se refere aos tempos atuais, ostenta em seus espaços, magníficos e esplendorosos edifícios com frente para o mar, dele se beneficiando da melhor forma possível. Seus moderníssimos periféricos desembocam em píeres que avançam pelas águas à dentro, formando como que um praia de cimento armado onde, ocasionalmente, atracam belíssimas lanchas e escunas. Um luxo! Antigamente, era apenas um corredor ( daí o seu nome) por onde se ia do centro da antiga cidade até a Vila Pereira na Barra. Não tinha outro caminho! Ele começava no Campo Grande e terminava no atual Largo da Vitória. Algo assim:

O interessante e curioso nesse trajeto é o fato de que o Largo da Vitória é bem mais antigo do que o Campo Grande. Este é do século XVIII com muito boa vontade. Já o Largo da Vitória é de 1534, ou seja, 15 anos antes da fundação da própria Cidade de Salvador por Tomé de Souza em 1549. Mas como se explica isto? Vamos aos fatos: Américo Vespucci esteve mapeando a Bahia de Todos os Santos em 1501. Em 1509 foi a vez de Diogo Álvares Correia chegar em circunstância trágicas. A nau francesa em que viajava naufragou nas imediações do Rio Vermelho, mas o homem se salvou em meio a milhares de índios possivelmente antropófagos que o esperava na praia. Um milagre! Mais adiante, em 1526 aportava em nossas terras o primeiro capitão donatário, Francisco Pereira Coutinho. Este fundou a Vila do Pereira ou Vila Velha como também era chamada. Essas duas personalidades da nossa história, o Capitão Pereira e Caramuru, foram elementos de incentivo para o surgimento do Largo de Vitória e sua igreja mais do que secular. Claro que os habitantes da Vila Pereira como os índios da Graça, onde se estabeleceu Diogo Álves, duas localidades próximas ao Largo da Vitória, davam a garantia para que os padres viessem a construir uma igreja no local. Moradores de ambas comunidades deviam circular pela área com razoável freqüência. A atual Rua da Graça, que tem o seu final no Largo da Vitória, deveria ser o caminho mais usado, dessde que mais fácil. Existia claro uma comunicação com a Vila Pereira por onde é hoje a Ladeira da Barra, mas havia problemas de circulação que serão analisados e estudados posteriormente. Há novidades! Parece que a coisa era fácil até onde hoje está localizada a Igreja de Santo Antônio da Barra. Daí para baixo, havia complicação, aliás, muita complicação. Mas porquê uma igreja tão afastada? Primeiramente, não devemos esquecer que o Largo da Vitória e a sua igreja não fizeram parte dos planos de construção da Cidade de Salvador de Tomé de Souza e Luiz Dias. A coisa é bem antes como já vimos. Contudo, ainda àquela época havia a tendência de se construir os chamados largos de igreja. Abria-se um espaço em qualquer lugar e logo surgia uma igreja! E será que a Igreja da Vitória é mesmo desse tempo (1534)? Parece que sim! O comprobatório maior desse fato é uma lápide sepulcral existente na sacristia da igreja de um senhor chamado Affonso Rodrigues com os seguintes dizeres: “Aqui jaz Affonso Rodrigues natural de Óbidos, o primeiro homem que casou nesta igreja, no ano de 1534, com Magdalena Álvares, filha de Diogo Álvares Correa, primeiro povoador desta capitania. Faleceu o dito Affonso Rodrigues, no ano de 1561. Para os juízes do Santíssimo Sacramento da Victória". Claro que a igreja que hoje conhecemos não é a mesma daquele tempo. Ela foi se modificando, se consolidando por assim dizer em termos estruturais. Em 1552 foi designada como “paróquia” pelo 1º Bispo D. Pedro Fernandez Sardinha. Foi reedificada por João Correia de Britto e Manoel de Figueredo. O sobrinho desse senhor que era capitão de Mar e Guerra do Galião N.S. de Pópulo, deu o acabamento final em 1666 (Fonte IPAC). Em 1809 foi novamente reedificada pela Confraria do Santíssimo Sacramento e Benfeitores. Por fim em 1910 sofre nova reforma. O Largo da Vitória tem também seu nome oficial: chama-se Praça Rodrigues Lima, personalidade que foi Governador da Bahia entre 1892 e 1896. Foi sucedido por Luiz Viana. Seu nome completo era Joaquim Manuel Rodrigues Lima. Era natural de Caitité. Nasceu em 4/05/1845 e morreu em 18/12/1903.
Rodrigues Lima

A seguir fotos da bela igreja em diversas fases:

1890

1915

1920

Atualmente

Sua estética foi reformulada para uma linguagem neoclássica em 1910, quando já predominava o movimento do ecletismo.Em sua fachada branca, repleta de talhas, frisos, guirlandas e festões, encontra-se o clássico frontão triangular greco-romano, sobre colunas. Seus altares guardam grande acervo de imagens barrocas. Suas paredes são adornadas com afrescos dos Passos da Paixão. 4 lápides no interior da igreja foram inscritas, em 1938, no Livro de Tombo das Belas-Artes.

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