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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

LARGO DO PAPAGAIO

Não deixa de ser curioso que todas as praças públicas de Itapagipe do Senhor do Bonfim sejam chamados de largos, tais como, Largo de Roma, Largo do Papagaio, Largo da Madragoa, Largo da Ribeira, Largo da Boa Viagem, Largo do Bonfim.
Não acontece o mesmo, por exemplo, no centro da cidade, onde temos a Praça Municipal, a Praça Castro Alves, a Praça da Sé, a Praça da Inglaterra, entre outras.
Tem-se a impressão que a denominação de largo está associada à idéia de verde, de ajardinamento, de grande espaço, como são efetivamente os que iremos abordar a partir d’agora.

Já tratamos do Largo de Roma. Vimos as possíveis origens de seu nome. Todas enganosas. Na sequência vamos focalizar o Largo do Papagaio.

Largo do Papagaio
Visto de outro ângulo

Fica ao final do Caminho de Areia. Tem-se buscado a origem do nome Largo do Papagaio por todos os lados. Uns falam que essa área teria sido um charco com muito mangue nas proximidades. Aterrado o local, teriam sido plantadas mudas de araçazeiros ou eles nasceram naturalmente de sementes jogadas fora por trabalhadores. Como os papagaios gostam do araçá ou goiaba, vinham ali comê-las e já ficavam para dormir. Um tanto duvidoso, mas possível.

Outros se referem ao fato de que a molecada empinava papagaios nesse espaço, daí o nome Largo do Papagaio. Tem a destruir essa hipótese o detalhe de que a expressão “papagaio” nunca foi usada em Salvador para designar as “arraias de empinar”. Nem “pipas” eram chamadas. Eram arraias mesmo!

Pipa ou arraia
Outra versão, fala-se de peças que trabalhadores de navios traziam e deixavam no local. Essas peças que eram pesadas, chamavam-se “papagaios”. Mas que navios? Era mais fácil deixar na Ribeira!

Temos a nossa versão se me permitem os possíveis leitores desse blog.

Pelos idos de 1940/1950 ou até mesmo antes, existiam na cidade de Salvador diversos campos de futebol amador. Citaremos alguns: Campo do Tupi na Boa Viagem; Campo do Tejo no I.A.P.I; Campo do Galícia no atual Condomínio Clemente Mariani na Barra e, como não podia deixar de ser, Campo do Papagaio.

Todos esses campos eram “administrados” por um clube existente no bairro. Cuidavam de aparar a grama, pintavam as traves, faziam as marcações. Assim faziam o Tupi Futebol Clube, o Esporte Clube Tejo, a Galícia Futebol Clube e o Papagaio Futebol Clube.

Epa! Será que existiu este último clube? Se não existiu, ficou perto! Na rua que faz esquina com o largo, uma transversal da Visconde de Caravelas, funcionava a sede do Humaitá Futebol Clube. Era o clube que tratava do referido campo. Fazia tudo que os outros clubes faziam nos seus respectivos gramados: tratava da grama, pintava as traves e fazia as marcações para os dias de jogos. Nesses dias que eram os domingos e feriados, o clube chegava a providenciar cordas para ordenar a presença do público que comparecia em grande massa. Era uma festa própria daqueles tempos. Vendedores de sorvete e picolé; pequenas barracas de cachorro quente, pipoqueiros, taboqueiros, (vendiam tabocas), baianas de acarajé, vendedores de maçã do amor, flocos de açúcar, amendoim cozido, faziam o seu comércio. As moças colocavam seus melhores vestidos e faziam o seu desfile particular. Os moradores das casas em frente ao largo, sentavam-se à porta. Era uma festa! Festa daquele tempo, isto é, dentro dos conceitos daquela época, às vezes incompreensível para as pessoas de hoje. Mas era assim mesmo! O autor morava próximo e é daquele tempo. Participou tanto dentro como fora de campo.

Pois bem, a camisa do Humaitá era toda verde. Da cor prevalente dos papagaios. Seus jogadores vinham correndo da sede próxima até adentrar em campo. Pareciam uns papagaios ou periquitos voando em formação como costumam fazer os da espécie. Humaitá é o Clube do Papagaio, ficou assim conhecido. O seu campo era o Campo do Papagaio, hoje Largo do Papagaio, por força do progresso!
Rua onde ficava o antigo Clube Humaitá - desenboca na av. Beira Mar


Um belo papagaio
Outro

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