sábado, 2 de abril de 2011

VILA BRANDÃO

Em determinada ocasião li num blog que a Vila Pereira começou ou era na Vila Brandão na Ladeira da Barra. Não é verdade! A origem das duas é de uma diversividade estratosférica. A Vila Pereira é de 1536 quando Francisco Pereira Coutinho chegou à Bahia como 1º Donatário dessa região. Nas imediações onde é hoje a Ladeira da Barra, fundou e desenvolveu a chamada Vila Pereira. Mais tarde, quando da fundação da Cidade de Salvador, foi denominada de Vila Velha, apenas por diferenciação com a nova cidade. Já a Vila Brandão é de 1950 aproximadamente, “iniciada” pelo senhor Antônio Florentino da Silva cuja foto publicamos abaixo: O senhor Florentino era de Santo Antônio de Jesus। Foi ele quem construiu a primeira casa nos paredões do Largo da Vitória। Achou ótima! Construiu mais algumas e as alugou। Costumava dizer que “comeu muita farinha para construir aquelas casas"। Era uma justificativa! Nascia assim a Vila Brandão.
Mas por que Vila Brandão e não Vila Florentino ou outro nome ligado a sua pessoa? Ninguém, mas ninguém mesmo sabe informar. Admite-se que tenha residido no local algum morador com o nome Brandão, talvez até com mais influência junto à comunidade do que o próprio Florentino. Não importa muito! O que vale dizer é que o senhor Florentino viveu 100 anos e morreu em 2007. Foi Pai de Santo, jardineiro, dono de bar, feirante e, claro, construtor. Construiu esta vila que hoje é uma dor de cabeça para muita gente. Primeiramente, para o Yacth Clube da Bahia que fica logo ali embaixo O clube se preocupa com o avanço da vila. Um dos últimos confrontos foi por esta razão. Parece que queriam construir um campinho de futebol no morro, campinho este que mais tarde seria cedido para novas casas e assim por diante. O clube reagiu e conseguiu parar a obra. Certa feita escrevemos sobre o assunto nos seguintes termos: “O Yacth convive com a Vila Brandão desde há muito tempo. Não diríamos que seja um convívio pacífico. Tem havido confrontos! O clube defende o seu direito de preservar a encosta que fica exatamente no alto de sua sede. Se ele abrir mão desse direito, a expansão da vila se fará até quase a laje de suas instalações. Ninguém se iluda disto! O Clube perderia toda a privacidade.”
Mas o grande interessado nessa história é o setor imobiliário. A área é extraordinária. Compara-se ao da encosta do Corredor da Vitória. Vale milhões. Em 28 de janeiro de 2007 uma determinada construtora demoliu a Mansão Wildberger, a fim de construir no local um edifício de 35 andares. Publicou a seguinte nota veiculada na internet:
" A população de Salvador, que perdeu boa parte do visual para a baía de Todos os Santos com algumas edificações desordenadas ao longo do tradicional Corredor da Vitória, terá de volta a paisagem do mar e das ilhas descortinadas de um mirante público a ser aberto ao lado da Igreja, com vista de 180 graus trazendo aos olhos um cartão postal que se descortina da Igreja de Santo Antonio da Barra à Basílica do Senhor do Bonfim. Desde a sua entrada o Largo receberá uma intervenção paisagística que engalanará a antiga pracinha, dotando-a de bancos, jardins, lixeiras, iluminação noturna especial, espelho d'água e fontanário, além de gradil com desenho artístico e um calçamento com belo e multicor pavimento.O prédio será implantado nos fundos da Igreja da Vitória em terreno ao lado da antiga residência da família Wildberger, que alterou a arquitetura mexicana do imóvel com um modernoso cimento aparente e apertados cômodos, descaracterizando o projeto inicial. (malho nos proprietário da mansão) Será substituído por uma construção marcada pela elegância refletida em sua volumetria e fachadas no mais alto nível alcançado na Bahia.”
Ai é que reside o perigo, principalmente para o Yacth Clube da Bahia. Enquanto a Vila Brandão está mais ou menos “contida”, ninguém haverá de evitar a expansão dos grandes edifícios. Fizeram isto no Corredor da Vitória. Vão fazer no Santo Antônio Além do Carmo e já estão pensando na Cidade Baixa. Vale lembrar, nesse último particular, o processo de desapropriação de grande área nessa parte da cidade, desde a Água de Meninos até Monte-Serrat. Parece que não se sustentou, por enquanto. Desapropriada já foi também a Vila Brandão pela Prefeitura. Querem fazer no local um Complexo Cultural. O título nos parece absolutamente estranho e inapropriado. Faz-nos lembrar tudo menos uma real intervenção na grande encosta com elementos essencialmente urbanos. O mesmo aconteceu na encosta do Bonfim com resultados desastrosos



Complexo Cultural (!)

Yacth Clube da Bahia – o excepcional clube baiano- Um dos melhores do Brasil


Vila Brandão




Entrada pelo Largo da Vitória

Sobre o assunto, é do conhecimento público a nota que abaixo transcrevemos:
A nota tem boas e más notícias. Uma boa é que a Prefeitura não vai mais “bulir” na Vila Brandão. Vai integrá-la ao projeto. A má é a demolição de uma área de 1.029 m2, possivelmente na encosta em cima do Iate, possivelmente atingindo as construções que o clube fez nesse elevado. Naturalmente, o clube está recorrendo e o processo deve durar anos. O interessante nessa questão, perfeitamente percebível, é que esse plano não fala no Cemitério dos Ingleses, ao lado do Iate. Como se sabe, há um enorme muro de 4 a 5 metros de altura, empatando toda uma vista da Baia de Todos os Santos.


Cemitério dos ingleses Os ingleses se defendem: “aquele muro é histórico. Está em todas as fotos e aquarelas”. Um tanto quanto duvidoso o argumento, mas entende-se perfeitamente a preocupação. Bulir em sentimentos fica difícil. Talvez um gradil, resolvesse a questão.
A pópria balaustrtada não ficaria de toda má.

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