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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

MERCADO MODELO - O NOVO - 1A PARTE

O novo Mercado Modelo passou a funcionar no edifício da antiga 3ª Alfândega de Salvador, uma construção de 1861 em estilo neoclássico. Como a transferência se deu às pressas, naturalmente as instalações eram precárias, inclusive elétricas. Não deu outra. Também esse mercado sofreu um grande incêndio em 1983. Da mesma forma que o outro ficou tudo oco, apenas as paredes ficaram em pé. Contudo, diferentemente do primeiro, reconstituíram seu interior, oportunidade em que se construíram dois andares de lojas.

Esperava-se que o novo Mercado Modelo tivesse as mesmas funções do anterior, isto é, um centro de abastecimento com a reativação do transporte de mercadorias pelos saveiros, a comercialização dos peixes, tudo enfim que caracterizava o antigo mercado.

Tal não aconteceu! A Marinha já havia interditado o ancoradouro dos saveiros. Havia proibido o comércio de peixes na área. Tinha que ser feito algo diferente. Surgiu, então, a idéia de um centro de artesanato. É o que é hoje. Para turista ver! Poucos baianos compram no local.

Se, por um lado, esta inclinação foi boa para o turismo de nossa terra, por outro, decretou o esvaziamento definitivo de toda a área do Comércio. Foi um sucedâneo de coisas ruins. Na ocasião do aterro do porto, o Cais do Ouro desapareceu. Os saveiros ficaram sem uma referência. Restou a Rampa do Antigo Mercado Modelo e ele próprio. Veio o incêndio de 1969. Fim da nova referência.
A esperança era que o prédio da antiga Alfândega substituisse em tudo por tudo as atividades do anterior. Primeiramente, estava ali junto, na mesma praça. O ancoradouro seria o mesmo. Pouca coisa iria mudar. Tal não aconteceu. Decidiram fazer um centro de artesanato. Os saveiros pouco tinham a haver com este segmento. Somente as cerâmicas de Maragogipe se enquadravam ao novo sistema. As frutas, as farinhas, as carnes secas, o charutos, os grãos, etc, ficaram sem comercialização. Cada cidade fornecedora que se virasse por si própria, com seu incipiente "mercado interno". Por demais precário. Parou tudo. Atrasos de anos. Decadência total. Também o bairro do Comércio decaiu. Os poucos trapiches que restaram após a construção do Porto, fecharam de vez as suas portas. Todo o comércio sentiu. Começou a grande decadência que se radiou em outras decadências, num sucedênio natural das coisas.
 
Cita-se que esta decadência foi originada pelo advento de outros espaços lá pelos lados do Iguatemi. Isto aconteceu em 1975, seis anos depois do incêndio do antigo mercado e quatro depois da instalação do novo mercado.

Há um detalhe, entretanto, que precisa ser devidamente considerado. O que se desenvolveu na área do Iguatemí foi um comércio de lojas (Shoppings Center) que nada ter a haver com um centro de abastecimento como era o antigo Mercado Modelo e que poderia continuar no novo Mercado Modelo.

Mas os bancos também foram para lá. Claro! Tinham que ir, na captação de clientes específicos do shopping. Os bancos então existentes na área do comércio perderam seus clientes. Viviam em função dos negócios decorrentes do centro de abastecimento, então existente na área. Esses deixaram de existir.
O novo Mercado Modelo

Visto do alto
 
Mas, antes de entrarmos nos detalhes sobre o mesmo, saliente-se que nesse prédio funcionava a Alfândega de Salvador, uma das mais antigas do Brasil. Há registro que já em 1536 havia um Juiz de Alfândega. Também digno de registro é o fato de que a Alfândega de Salvador funcionou em outros locais. Na Praça Tomé de Souza, na Ribeira e até em Morro de São Paulo, quando do período da guerra pela Independência da Bahia.

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