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domingo, 29 de novembro de 2009

SAVEIROS E TRAPICHES DA BAHIA ANTIGA

Durante todo o século XVIII e princípio do século XIX, Salvador era considerada o “maior porto do hemisfério sul”, principalmente quando em 28 de janeiro de 1801 foi decretada a abertura dos Portos do Brasil ao comércio livre com todas as nações e todos os povos.

Salvador tinha um “ativo e colorido comércio” segundo opinião de Karl Friedrich Von Martins e de Joahann Babtist Von Spix (Viagem ao Brasil): “lojas sortidas de fazendas inglesas, chapéus, cutelaria, artigos franceses de moda, linhos alemães, ferragens, produtos de Nuremberg e tecidos de algodão”.

A Cidade do Salvador chegou a ter 429 trapiches no apogeu desta forma de comércio mercantilista. Muitos foram incendiados e reconstruídos, mas a maioria acabou extinta pela degradação. O Trapiche Quirino, assim como o Careca, o Piaçava, Pilar e o Xixi, que no incêndio perdeu duas mil sacas de açúcar, estão entre os trapiches que sofreram incêndios suspeitos, segundo historiadores da época, vitimados pela concorrência desenfreada de seus
proprietários.
 
Tudo era importado. Era proibido ter indústrias. Somente em 18 de fevereiro de 1815 foi concedida licença a Francisco Ignácio da Silveira Nobre para construir uma fábrica de vidro na Bahia. Em seguida vieram as indústrias têxteis. Fizeram-se 5 delas, enquanto no Brasil haviam 9 ao todo, mas só fabricava panos de algodão de baixa qualidade, chamados de grosseiro, que serviam para ensacar gêneros agrícolas e vestuário dos escravos. Pode?
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Até sal era importado. Em contra partida, muitos “produtos do sertão” eram exportados para todas as partes do mundo desde que em seu porto “aproximavam-se” navios de várias nacionalidades.

Quando se faz referência de que Salvador era o mais importante porto do hemisfério sul àquela época, poderá parecer que existia uma estrutura portuária como hoje conhecemos. Não havia! Os navios apenas “aproximavam-se” da sua costa na altura onde é hoje o Comércio, Cais das Amarras e Cais do Ouro.

E como as mercadorias eram desembarcadas? Este serviço era executado parte pelos saveiros da Bahia. Vimos a preciosa foto do Cais do Ouro que agora repetimos.
Cais do Ouro
Não se pode aceitar que centenas de saveiros estivessem ali trazendo exclusivamente produtos das cidades do recôncavo e das ilhas. Chega ser ilógico e irracional! Não tinha tanta coisa assim: farinha, cerâmica, açúcar, mel aguardente, couro, fumo e grãos. Talvez mais alguma coisa sem grande expressão.

Os saveiros, compridos e largos traziam os produtos dos navios para o Cais das Amarras e principalmente, Cais do Ouro, onde se concentrava a maioria dos trapiches.
Devido as suas características, era a embarcação ideal para este serviço àquela época. Não existiam as balsas que precisariam ser movidas a motor, também coisa difícil naqueles tempos. Se elas existissem, será que venceriam a correnteza de vazante ou enchente que é fortíssima no canal que separa a Ilha de Itaparica de Salvador, onde aportavam os navios? Não conseguiriam!
Só os saveiros com sua facilidade de manobra, com suas velas de içar, conseguiam tal feito.

Trapiche Barnabé


Trapiche Querino

Somente quando se fez efetivamente o porto, isto é, a estrutura portuária de um verdadeiro porto, nas concepções de hoje, e se construiu o antigo Mercado Modelo e sua rampa aos fundos do mesmo, é que os saveiros da Bahia tiveram as funções hoje conhecidas de transporte de produtos advindos do recôncavo e das ilhas.
Nessa ocasião, já não eram as centenas deles que vimos aportar no Cais do Ouro. A maioria foi desativada e esquecida nas praias da Baía de Todos os Santos.


Saveiros no Farol - Dois símbolos da Bahia

Navegando nos Tainheiros


Em serviço na Feira de São Joaquim - Ainda hoje






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